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A ÚNICA COISA REALMENTE LIVRE É O PENSAMENTO!

terça-feira, 31 de maio de 2011

XINTOÍSMO

Conjunto de crenças e práticas expressas em manifestações sociais e atitudes individuais, o xintoísmo preservou seu espírito ao longo dos tempos embora não tenha fundador, escrituras sagradas oficiais ou dogmas.
Xintoísmo é a religião nacional do Japão, que se constitui de crenças e práticas religiosas de tipo animista. De origem chinesa, o termo xinto significa "caminho dos deuses". O xintoísmo reconhece um poder sagrado cuja natureza não pode ser explicada em palavras, o kami, e que se acha difundido na natureza sob a forma do Sol (Amaterasu), da Lua (Tsukiyomi), da tempestade (Susanoo) e muitas outras. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo.
Origens. A tradição religiosa do xintoísmo formou-se no período anterior ao budismo, que ganhou força no Japão no século VI. A partir de então, contatos entre o xintoísmo e o budismo modificaram ambas as religiões. Os budistas adotaram divindades dos xintoístas, e estes, que consideravam seus deuses espíritos invisíveis e sem formas precisas, aprenderam com o budismo a erigir imagens e templos votivos. Houve quem proclamasse que as duas religiões eram manifestações diferentes da mesma verdade, o que originou uma tendência sincretista.
As narrativas míticas da tradição xintoísta foram registradas por escrito no Kojiki (712; Anais das coisas antigas), e no Nihongi (720; Crônicas do Japão), as mais antigas fontes literárias. Os mitos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa amorfa e indistinta, "como num ovo". Os deuses surgiram desse caos.
A partir do final do século XVII teve início um movimento nacionalista que pretendeu restaurar o xintoísmo mediante a promoção das práticas antigas e a proclamação de uma ética nacional e de ritos patrióticos que originaram o xintoísmo estatal (Kokka Xinto). Os principais teóricos desse movimento foram Mabuqui, estudioso do Kojiki e do Nihongi, e Motoori Norinaga, que sistematizou as correntes religiosas de modo a combinar o culto da natureza com o dos heróis. Com a instauração do imperador Meiji, em 1868, o xintoísmo estatal foi proclamado religião oficial, liberto tanto das influências budistas como dos costumes do xintoísmo popular. O xintoísmo nacionalista exaltava a raça japonesa e divinizava o imperador, mas no final da segunda guerra mundial os Estados Unidos obrigaram o imperador a desfazer o mito de sua divindade.
Os deuses. Segundo o Kojiki, o advento dos deuses iniciou-se com cinco divindades: Amenominakanushi (Senhor do augusto centro do céu), Takamimusubi (Alto gerador do deus prodigioso), Kamimusubi (Divino gerador do deus prodigioso), Umashiashikabihikoji (O mais velho soberano do cálamo) e Amenotokotachi (O que está eternamente deitado no céu).
A seqüência prossegue com as "sete gerações divinas", dois deuses e mais cinco pares: Kuminotokotachi (Eternamente deitado sobre a terra); Toyokumonu (Senhor da integração exuberante); Uhijini (Senhor da lama da terra); e Suhijini (Senhora da lama da terra); Tsunuguhi (Embrião que integra) e Ikuguhi (Aquela que integra a vida); Ohotonoji (O mais velho da grande morada) e Ohotonobe (Senhora mais velha da grande morada); Omodaru (Aspecto perfeito) e Ayakashikone (Majestosa); Izanagi (Varão que atrai) e Izanami (Mulher que atrai). Essas entidades recebem a designação de kami ou "espíritos divinos".
O último casal da série teogônica, Izanagi e Izanami, desempenha na cosmogonia xintoísta o papel da criação e, como tal, é a partir dele que se estrutura o corpo de mitos etiológicos que mostram, por exemplo, o aparecimento das ilhas japonesas e das divindades secundárias associadas a cada uma destas. A catábase (descida aos infernos) de Izanagi, realizada após a morte de sua mulher em conseqüência do parto do fogo, faz parte dessa categoria de mitos. Segundo a narrativa tradicional, Izanagi contemplou o corpo putrefato de Izanami e se purificou num rio ao retornar ao mundo dos vivos. De seus trajes abandonados e das impurezas que lhe saíram do corpo nasceram as divindades maléficas, além da deusa solar Amaterasu e dos deuses Susanowo e Tsukiyomi (Lua).
As relações entre o culto dos mortos e o culto dos kami manifestam-se no Kashikodokoro, santuário do palácio imperial de Tóquio, onde o imperador e sua corte rendem homenagens aos antepassados kami durante as grandes festas nacionais. O Kashikodokoro constitui, no Japão moderno, o centro onde se preservam as remotas tradições do xintoísmo.
Fonte: Barsa.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

CASAMENTO HOMOSEXUAL



Enquete realizada sobre a aprovação pelo STJ sobre os direitos no casamento entre homosexuais, realizada na primeira quinzena de maio de 2011, no blog Historiando.
Em um total de 43 votos; 55% das pessoas se posicionaram a favor; e 45% se mostraram contrárias.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

TRABALHO E SOCIEDADE

"Um homem é um sucesso se pula da cama de manhã, vai dormir à noite e, nesse meio tempo, faz o que gosta”.
Bob Dylan

 Pra que existe o trabalho?

O trabalho existe para satisfazer as mais diversas necessidades humanas, das mais simples (comida, abrigo) às mais complexas (lazer, crença); enfim, necessidades físicas e espirituais.

A História mostra que o trabalho é visto de formas diferentes e valorizado de acordo com a relação que cada sociedade estabelece com esta atividade.

 O trabalho nas diferentes sociedades

Sociedade greco-romana: A escravidão era fundamental para manter os cidadãos comuns longe do trabalho braçal, discutindo os assuntos que proporcionariam o bem-estar de seus semelhantes;

Sociedade feudal: Quem de fato trabalhavam eram os servos, os aldeões e os camponeses livres. Os senhores feudais e o clero exploravam e viviam do trabalho destes primeiros.

Sociedades tribais: Nas sociedades tribais o trabalho é uma atividade vinculada às outras, bem diferente das outras sociedades. A produção (trabalho) está vinculada a mitos e ritos, ligada ao parentesco, às festas, às artes, enfim a toda a vida do grupo.

O trabalho na sociedade capitalista

O capitalismo se constituiu a partir da decadência do Feudalismo na Europa Ocidental. Com ele o trabalho se transforma em uma mercadoria que pode ser comprada e vendida – a força do trabalho.

Weber - Relacionou o Capitalismo ao Protestantismo. A Reforma Protestante deu ao trabalho a condição de se obter êxito material como expressão de bênção divina, ao contrário da igreja cristã do sistema feudal;

Marx - Quando os trabalhadores percebem que estão trabalhando demais e recebendo de menos, os conflitos começam a ocorrer. Procurou demonstrar os conflitos entre trabalhadores e capitalistas, cujo lucro se dava através da “mais-valia”, diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Seria a base da exploração no sistema capitalista;

Durkheim - A divisão do trabalho seria uma forma de solidariedade e não um fator de conflito. A solidariedade orgânica une os indivíduos em funções sociais nas quais cada pessoa depende da outra. Assim, a ebulição pela qual passava a sociedade era uma questão moral, pois faltavam normas e instituições para integrar a sociedade.

 Transformações no mundo do trabalho

Fordismo - No início do século XX, a partir do desenvolvimento das fábricas, surgem as linhas de montagem, com a divisão do trabalho mais aperfeiçoada e detalhada.

Taylorismo - Propõem a organização do trabalho de forma científica, racionalizando a produção. Surge na indústria o planejamento ajustado para controlar a execução das tarefas e os especialistas em administração. Os trabalhadores eram recompensados ou punidos de acordo com a sua produtividade na indústria.

Pós-fordismo ou acumulação flexível - A partir dos anos de 1970. Flexibilização dos processos de produção (automação); flexibilização dos mercados de trabalho (subemprego); flexibilização dos produtos e dos padrões de consumo – a durabilidade dos produtos é pequena e a mídia estimula a troca.

quarta-feira, 25 de maio de 2011


VENTO, FILHO DO TEMPO. AS VEZES SUAVE COMO UMA BRISA. OUTRAS, FORTE E IMPLACÁVEL COMO UM FURAÇÃO. MAS, NEM MESMO TU É CAPAZ DE TRAZER DE VOLTA O QUE O TEMPO LEVOU!
"O TEMPO NÃO PARA E NO ENTANTO ELE NUNCA ENVELHECE"
Caetano Veloso

sexta-feira, 20 de maio de 2011

CIDADANIA: DIREITOS POLÍTICOS E SOCIAIS


Renato Cancian
Nos países ocidentais dos continentes europeu e americano, a cidadania moderna se constituiu por etapas: depois dos direitos civis, no século 18, vieram os direitos políticos, no século 19. Os direitos sociais são conquistas do século 20, assim como a quarta geração de direitos de cidadania, nascida no fim desse período.
O direitos de eleger e ser eleito

São os direitos políticos, de voto e de acesso ao cargo político. As instituições públicas relacionadas aos direitos políticos são os órgãos legislativos representativos e executivos.
Inicialmente, a atividade política era uma função de poucos, restrita à participação das elites dominantes. O surgimento dos direitos políticos foi obra dos movimentos populares dos trabalhadores. Ao se organizar e defender seus interesses eles perceberam que a política influencia a vida da sociedade.
As camadas populares começaram a se conscientizar de que a participação no exercício do poder político era condição fundamental para assegurar seus direitos. Essa participação podia ser como membro de um organismo investido de autoridade política, ou como eleitor dos integrantes de tal organismo.
Voto restrito
Inicialmente, inúmeras restrições limitavam a participação política de todos os cidadãos. O direito de eleger e ser eleito manteve-se restrito aos homens adultos. O voto censitário impunha padrões de renda e de escolaridade. Com isso, excluía grande parte da população do direito de ser eleito e de eleger representantes políticos.
Esses impedimentos perduraram por décadas. As mulheres adultas e os analfabetos conquistaram direitos políticos muito tardiamente, somente no século 20.
 No Brasil, fim do voto censitário por renda
No caso do Brasil, a proclamação da República provocou mudanças na participação política. Foi abolido o voto censitário pecuniário que, para ser exercido, exigia uma certa renda do cidadão. Foi estabelecida a idade mínima de 21 anos para participar do processo eleitoral.
Os analfabetos e as mulheres permaneceram excluídos da participação política. As mulheres só conquistaram o direito de voto em 1934. Os analfabetos conquistaram o direito de voto em 1985, mas estão impossibilitados de se candidatar a cargos eletivos.
Direitos sociais
Os direitos sociais demarcam uma importante mudança na evolução da cidadania moderna. Sua função é garantir certas prerrogativas relacionadas com condições mínimas de bem-estar social e econômico que possibilitem aos cidadãos usufruir plenamente do exercício dos direitos civis e políticos.
O princípio norteador dos direitos sociais é o argumento de que as desigualdades de provimentos (condições sociais e econômicas) não podem se traduzir em desigualdades de prerrogativas (direitos civis e políticos). Desse modo, adquiriu-se a noção de que determinado grau de pobreza priva os cidadãos de participação cívica.
 Finalidade dos direitos sociais
Os direitos sociais não têm por objetivo eliminar por completo as desigualdades sociais e econômicas e as diferenças de classe social. Sua finalidade é assegurar que elas não interfiram no pleno exercício da cidadania.
As instituições públicas representativas dos direitos sociais são os sistemas de seguridade e previdência social e educacional.
Constituição varguista
No Brasil, o marco da instituição dos direitos sociais ocorreu na época do regime do Estado Novo, com Getúlio Vargas (1930-1937).
A Constituição de 1934 instituiu uma minuciosa regulamentação das condições de trabalho ao estabelecer o salário mínimo, a jornada de trabalho de 8 horas, o repouso semanal, as férias remuneradas, a indenização por dispensa sem justa causa, a assistência médica ao trabalhador e à gestante.
Foi proibido pela nova Carta o trabalho de menores. Estabeleceu-se, ainda, a submissão do direito de propriedade ao interesse social ou coletivo.
A quarta geração de direitos
Desde o final do século 20 surgiram inúmeros movimentos sociais que atualmente lutam para ampliar a cidadania através da defesa de novos direitos.
A quarta geração de direitos de cidadania agrega demandas provenientes de novos tipos de movimento social, como o das minorias étnicas e culturais, dos homossexuais, dos movimentos ecológicos e feministas.
No contexto dos novos padrões de sociabilidade e da globalização, esses movimentos sociais possuem novas práticas participativas e de mobilização coletiva. Isso reflete o caráter dinâmico da cidadania.


ADVENTISMO

O termo adventista (derivado do latim adventus, "vinda", em alusão a um esperado retorno de Cristo) poderia aplicar-se a diversos movimentos surgidos no âmbito do cristianismo desde suas origens e sobretudo no século XVII. No entanto, refere-se, com maior propriedade, às seitas protestantes que defendem a iminência do fim do mundo -- embora sem assinalar uma data precisa -- e o posterior reinado de Deus.
Origens. O adventismo surgiu nos Estados Unidos sob a inspiração de William Miller, fazendeiro e ex-militar. Ao ler o Antigo Testamento, Miller deduziu que Cristo regressaria em breve à Terra para fundar seu reino com os puros e destruir os pecadores. Fixou a data do acontecimento entre os dias 21 de março de 1843 e 1844. O fracasso dessa profecia causou profunda comoção nos cerca de cem mil seguidores de Miller. Alguns deles, julgando tratar-se de um erro de cálculo, estabeleceram nova data que, mais uma vez, transcorreu sem que acontecesse nada de notável. Em conseqüência disso, o núcleo adventista inicial dividiu-se: a maior parte de seus membros regressou às antigas crenças, enquanto alguns poucos persistiram na nova doutrina.
O segundo período da história dessa seita começou com o aparecimento, em 1863, dos adventistas do sétimo dia, que se agruparam em torno de uma antiga seguidora de Miller, Ellen Gould Harmon, mais conhecida como Mrs. White. Sua interpretação da Bíblia não fixava data para o segundo advento, que dependeria da vontade divina. Os adventistas do sétimo dia espalharam sua fé por inúmeros países. Posteriormente surgiram outros movimentos, entre os quais alcançou particular relevância a Igreja Cristã Adventista.
Doutrina. Os adventistas compartilham com as demais religiões cristãs a maior parte de seus princípios doutrinários. Além da crença no segundo advento de Cristo, duas práticas os distinguem dos outros cristãos: o descanso aos sábados e não aos domingos e a abstinência permanente de carne, álcool e fumo. Asseveram que os mortos permanecem em estado de inconsciência à espera da ressurreição, que só será concedida aos puros. Batizam os adultos e entregam à igreja uma parte de seus ganhos. No Brasil, administram grandes hospitais, empresas de seguro de saúde e indústrias de alimentos preparados segundo seus preceitos.
Fonte: Barsa.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ASTRÔNOMO

Astrônomos estudam o universo, seus corpos celestes e galáxias, investigando e analisando a composição, os movimentos e as posições relativas dos planetas, das estrelas e dos demais corpos do Cosmo. Através da observação diária dos astros e da análise dos fenômenos do espaço, pesquisa as possibilidades de viagens e explorações espaciais. Analisa as fases da lua e o fluxo das marés, executa o calendário, estabelece a hora oficial dos países e cuida dos observatórios astronômicos. Conta com os recursos da Informática para a realização de suas atividades e utilizam conhecimentos de física e matemática para observar e calcular.
Quais as características necessárias para ser astrônomo?
Boa capacidade de observação, interesse em leituras e estudos, curiosidade, meticulosidade e conhecimento de Inglês.
Características desejáveis:
•atenção a detalhes
•capacidade de análise
•capacidade de concentração
•capacidade de observação
•curiosidade
•disciplina
•espírito de investigação
•facilidade para matemática
•gosto pela pesquisa e pelos estudos
•habilidade para trabalhar em equipe
•interesse pelas ciências
•raciocínio abstrato desenvolvido
•raciocínio espacial desenvolvido

Qual a formação necessária para ser astrônomo?
Para trabalhar com divulgação científica é exigido o diploma de graduação em astronomia, curso oferecido apenas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com duração de quatro anos. A Universidade de São Paulo (USP) possui habilitação em astronomia para alunos do curso de física. Grande parte dos pesquisadores brasileiros em astronomia e astrofísica é bacharel em física e pós-graduado em astronomia. A maioria das universidades e institutos de pesquisa exige de seus professores e pesquisadores o grau de mestre. Habilidade em computação e conhecimento de inglês são fundamentais para o trabalho do astrônomo.
Principais atividades de um astrônomo
Em todas as especialidades, astrônomos podem atuar como pesquisadores, professores universitários e realizar ações de divulgação científica, exercendo as seguintes atividades:
•lecionar em faculdades de astronomia, física e matemática;
•orientar alunos de mestrado e doutorado em suas teses;
•realizar estudos e experimentos em institutos de pesquisa, observatórios, planetários e universidades e publicá-los em revistas especializadas;
•realizar atividades de observação e cálculos, que exigem o uso de telescópios, binóculos e computadores. Muitos dados são coletados por sondas enviadas ao espaço ou satélites artificiais; •desenvolver instrumentos para serem usados em pesquisas da área;
•trabalhar em planetários e museus de ciências, para divulgar a astronomia para o público leigo;
•organizar exposições, debates, vídeos, oficinas e orientar a observação do céu;
•dar cursos e palestras para estudantes e público em geral.
Áreas de atuação e especialidade. Podem especializar-se em quatro áreas:
•astrofísica - estuda as características físicas dos astros, como massa, densidade, composição, tamanho, origem e evolução.
•astrometria - descreve a posição de planetas, satélites, cometas, asteróides e estrelas, acompanhando seus movimentos e velocidades com auxílio de instrumentos e cálculos.
•mecânica celeste - estuda forças gravitacionais que determinam o movimento dos astros e dos satélites artificiais.
•radioastronomia - estuda radiações magnéticas do universo não captáveis por instrumentos ópticos, a propagação de raios X e Gama, radiogaláxias, quasares, regiões de hidrogênio ionizado, fenômenos que ocorrem no Sol.
Mercado de trabalho
O mercado de trabalho para astrônomos é praticamente restrito ao setor público nas entidades de pesquisa, observatórios e universidades, onde podem trabalhar como pesquisadores ou professores. O ingresso nesse mercado depende em grande parte de concursos. Para repor professores e funcionários, muitas universidades, vêm abrindo vagas com contrato temporário. Organizações de fomento à pesquisa como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e as fundações de amparo à pesquisa dos estados, como a FAPERJ do Rio de Janeiro e a FAPESP de São Paulo, oferecem bolsas de pós-graduação, "bolsas de fixação" e de pós-doutorado para incentivar a permanência de cientistas e pesquisadores no país. Por outro lado, a indústria aeroespacial está crescendo no mundo inteiro, assim como as pesquisas nesse setor. O Brasil já lançou satélites e vai participar da Estação Espacial, projeto que pretende construir um laboratório de pesquisas no espaço. Começa, portanto, a investir na área, o que pode gerar um aumento na procura por profissionais.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AGREGADO SOCIAL

Agregado social é uma aglomeração de pessoas com pouco contato primário, ou seja, pouco contato social umas com as outras, com um sentimento grupal. Diferentemente dos grupos sociais, os agregados sociais não são organizados, não possuem hierarquia definida e são desconhecidas entre si. Existem três tipos de agregados sociais: multidão, público e massa.
Multidão é a aglomeração de pessoas bastante próximas fisicamente, sem normas ou uma organização pré-estabelecida, anônimas, iguais e com um objetivo em comum. Em uma multidão, não importa a raça, cor, nível intelectual ou de poder aquisitivo dos indivíduos, visto que não há espaço para esta diferenciação. Alguns exemplos de multidão: aglomerações de pessoas brincando o carnaval, grupo de curiosos vendo um acidente de trânsito que acabou de acontecer, etc.
O público é bastante diferente da multidão. As principais características que fazem essa distinção é que o público é uma associação intermediária entre o grupo social e a multidão, visto que o esse tipo de agregado social possui certo contato primário entre seus participantes e há uma organização estabelecida. Na multidão, a integração das pessoas é ocasional, no público é intencional, sendo que inclusive as pessoas agrupadas na forma de público possuem a capacidade de criticar (palmas, vaias, etc). Exemplos: público de pessoas que vão a um show musical, ao teatro ou a uma partida de futebol.
Outro tipo de agregado social é a massa. Diferentemente do público, que pode criticar, esse tipo é marcado principalmente pela passividade em relação ao que é imposto. Um exemplo claro de massa é o grupo de pessoas que vê a uma propaganda na TV. Neste caso, o conjunto de telespectadores é a massa. Como características nós ainda podemos ver: não há contato entre as pessoas do grupo, seu processo de formação é espontâneo, não há a possibilidade de crítica e o tipo de comunicação que predomina é aquele transmitido pelos veículos de comunicação de massa.

BONS ALUNOS, ELES EXISTEM!

Normalmente quando escrevemos um artigo, fazemos críticas, apontando aquilo que em nossa opinião não achamos correto.  Na grande parte das vezes, escrevemos sobre as coisas que não dão certo e precisa melhorar. Desabafamos, procuramos apontar soluções e que as pessoas procurem ter uma postura mais ética. Mas hoje não vou fazer críticas, nem escrever sobre o que está errado. Hoje vou escrever sobre os bons.
               
                Os bons alunos que tenho, pois em um mar de mediocridade, muitas vezes esquecidos entre os extremos de uma sala de aula, eles existem! E eu, como professor tenho o privilégio de ter bons alunos, como digo, bons estudantes, por consequência, pessoas boas. Pessoas educadas, que sabem se relacionar sem agressividade, estudantes comprometidos com o gosto do conhecimento, que fazem aquilo que tem que ser feito e, quando necessário sabem argumentar ao invés de reclamar das dificuldades. Sabem demonstrar interesse, são esforçados, se dedicam a alcançar os objetivos traçados, pois têm objetivos e quem tem objetivo, sabe o que quer.
                Ah! Meus bons alunos, gosto muito de vocês. Em vocês me sinto valorizado, percebo que vale a pena o tempo que me consome. Percebo que esse tempo não é perdido. Percebo em seus trabalhos, opiniões e argumentos que vão se tornando cada vez mais seguros. Sabemos também, que erramos e que errar faz parte do aprender e ter consciência disso é uma prova de inteligência.
                Por isso, meus bons alunos, hoje resolvi escrever sobre vocês, para lembra-los que sei que existem. Que tenho profunda admiração e respeito, pois é por vocês que continuo, senão, já tinha desistido. Mas ainda bem que descobri que bons alunos existem!
Fabrício Colombo.


terça-feira, 17 de maio de 2011

CAUSAS DAS MUDANÇAS SOCIAIS

Atenção: O texto a seguir é ampalamente inspirado no livro “Introdução a sociologia”, de Persio Santos de Oliveira (25ª edição – 5ª impressão; editora ática), que é um dos principais livros de sociologia para o ensino médio no Brasil.
Já vimos que as mudanças sociais são experimentadas em todos os tipos de sociedade.Podemos agora propor um apanhado bastante resumido de causas das mudanças sociais.
Uma questão preliminar necessária para nossa apresentação é termos em mente que a sociedade é um fenômeno complexo e que para falar dos fenômenos sociais necessitamos com bastante frequencia usar de simplificações.
Por exemplo, dizemos que os brasileiros gostam de futebol e de samba. Todavia há brasileiros que não se interessam por nenhum destes dois produtos da cultura brasileira. Ainda assim a informação que simplifica o que seria o gosto dos brasileiros é correta, pois de fato o futebol e o samba são elementos que marcm profundamente os brasieiros.
Esta questão deve ser tomada em conta para que não esqueçamos que as mudanças sociais via de regra estão associada um conjunto de fatores, e não a um fato apenas.Dito isto, vamos com Pérsio Santos discutir alguns fatores que costumam sobressair da formação de mudanças sociais.
Fatores geográficos. Socólogos em geral não gostam de consentir que o meio seja eficaz na produção dos fenômenos sociais. Esta questão revela a tensão entre geografia e sociologia, duas disciplinas que nascem juntas na França ao fim do século XIX. O argumento sociológico é bastante direto, a própria natureza é modelada pela sociedade, de modo que a sociedade é que ao fim e ao cabo produz os fenômenos sociais atribuídos aos fatores geográficos.. Temos a trágica exposição disso, segundo alguns, com o atual diagnóstico de que o aquecimento global é produto da ação do homem.
Todavia, se seguirmos Pérsia Santos, podemos pensar como a dinâmica de ecosistemas impões aos sistemas sociais uma dinamica particular. É o caso dos moradores dos desertos e dos povos caçadores das regiões temperadas, onde as estações bem marcadas fazem bem visível as mudanças do clima .
Entretanto, ele apresenta um exemplo mais interessante, o das regiões áridas do nordeste brasileiro. Nestas áreas temos uma cultura especialmente eficaz para a adminitração dos recursos escassos de uma região que sofre com um regime de chuvas especialmente frágil.
É importante frisar que não se trata exatamente de falta de chuva, mas de poucas chuvas durante o ano. Diante disso, a civilização sertaneja que surge nesta região precisa de uma atenção especial para o inicio das chuvas. O padrao de precipitação pluviométrica, as chuvas, desa região é normalmente muito pequeno. Os sertanejos arenderam a lidar com isso e criaram tecnologias que permitem obter, mesmo com a pouca água, retornos da agricultura e da pecuária que satisfaçam as necessidades dos grupos que vivem na região.
Deste modo é que se pode falar que a região semi árida orienta o padrão de comportamento daquelas populações, marcando as passagens de um comportamento frente a rlativa abundância que surge diante das chuvas e também a parcimônia que convém ter durante o ano.
Além disso, durante os períodos, que infelizmente se repetem, onde as chuvas tornam-se menores causam uma devastação de grandes áreas, onde a sobrevivência torna-se impossível diante da aridez da terra. Nete períodos grande parte da população sertaneja se retira para as ciddes mais próximas e causam um transtorno enorme, pois é aterrador e perigoso o exército de famintos que a seca cria nesssas ocasioes.
Fatores econômicos.  A economia diz respeito a organização da produção das bases materiais da sociedade. Fica claro, portanto, que é um fator importante para a ocorrência de mudanças sociais.
Certos eventos históricos são especialmente exemplares a respeito de como a economia produz mudanças sociais.
Podemos citar a revolução industrial como exemplo. Trata-se de um fenômeno que se formou ao longo de um certo tempo, e que proporcionou a humanidade a possibilidade de ampliar enormemente a capacidade de gerar mercadorias e em consequencia criou as condições para a humanidade se livrarde seus algozes milenares, a pobreza e a fome.
Ao lado nós vemos a pintura “Zenóbia” (tirada daqui), de Adolphe-William Bouguereau. A imagem apresenta pessoas de uma sociedade tipicamente pré-industrial. Perceba como as pessoas andavam descalças. A difusão dos calçados só foi possível com a revolução industrual.
O acúmulo de riquezas propiciado pela ampliação e difusão da produção industrial criou as condições para a concentração da população em ambientes urbanos e estimulou a geração de novas formas de relações sociais atrávés da ampliação da importância do trabalho assalariado. Esta foi uma das grandes transformações da história da humanidade, e mais importante, aconteceu num tempo muito curto.
Fatores sociais.  Fatores sociais são aqueles que se devem ao funcionamento da sociedade no que elas apresentam como possibilidades para os homens. Embora esta definição pareça confusa ela poderia ser simplificada fazendo referência a política. Conflitos, disputas, guerras, são fenômenos sociais. Mas a política, ou talvez, o tipo de política que nasce a partir da revolução industrial, fornece exemplos mais claros dos fatores sociais.
O nascimeto da sociedade moderna está condensado no episódio da revolução francesa. Ali as classes sociais do mundo moderno, burguesia e proletrariado, pela primeira vez ficam claramente expostas e desde então, notadamente a partir do século XX, passam a definir as questões políticas.
O sistema político moderno é organizado em sistemas partidários. Partidos são oranizações de setores (ou partes, como sugere o nome) da sociedade de apresenta visões de quais  decisões devem ser tomadas pelo Estado. Eleições são momentos em que os diferentes partidos (e não pessoas, como costumamos pensar no Brasil) se apresentam e dizem suas idéias sobre as direções a seguir.
Por vezes os resultados das eleições ou o choque violento de grupos políticos, como as revoluções, são fatores de profundas mudanças sociais.
A revolução francesa criou o modelo moderno de cidadania pelo qual os indivíduos são todos iguais perante a lei e gozam de direitos essenciais.
A revolução russao por seu lado siginificou a possibilidade de uma nova forma de organização social, que não seja controlada pela burguesia. Mais que isso possibilitou a polarização do mundo no século XX em torno dos blocos capitalista e comunistas durante a guerra fria, o que por sua vez trouxe outras consequencias sociais.
 Fatores culturais.  A cultura é o como uma bússola que fornece aos individuos e aos grupos os meios que lhe permitem a orientação. Atualizações ou mudanças nos sistemas culturais tem capacidade de iniciar uma espiral de mudanças sociais. Vejamos alguns exemplos.
O sistema capitalista embora seja um fenômeno que se atualiza e muda ao longo do tempo, pode ser definino como um complexo que se forma pela interação de três elementos principais: a propriedade privada dos meios de produção, a existência do mercado como instituição que faz a organização das trocas sociais, e a disponibilidade de uma grande quantidade de pessoas que só podem viver e ter acesso aos bens produzidos se conseguir vender sua capacidade de produzir para outras pessoas, trata-se da classe trabalhadora.
A possibilidade de criar uma classe trabalhadora assalariada, entretanto, foi um fator crucial para a consolidação do capitalismo. Isto porque, ao longo da sua existência, a humanidade sempre trabalhou na agricultura e com sistemas de controle do trabalho bem menos rígidos que o exigido pela sociedade moderna, industrial.
A construção de uma classe de trabalhadores disciplinada para o trabalho nas industrias, onde uma pessoas, um capataz inicialmente, orienta o trabalho dos demais, foi construída a duras penas.
Uma das teorias que explicam isso apela para a ocorrência de mudanças no cristianismo. Ou seja, a reforma protestante teria gerado vários grupos autônomos em alguns países europeus. Alguns destes grupos criaram uma teologia que consistia em alguns aspectos que tiveram importancia para a formação do capitalismo.
Segundo esta teologia Deus havia escolhido algumas pessoas, os salvos. Entretanto, os homens não tinham essa informação, se era o escolhido ou não. Restava-he então estar atento a possíveis sinais, que poderiam vir do retorno aos seus esforços econômico, ou seja, da prosperidade. Deste modo cabia a cada um se dedicar ao trabalho na esperança de ser um dos abençoados.
Este tipo de teologia forneceu um enorme fator positivo ao trabalho ao dotá-lo de uma moralidade de que não gozava antes, e foi um dos fatores que favoreceram a formação do tipo de trabalhador moderno, ou seja, da classe  de trabalhadores assalariados.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

É incrivel! Mas é muito mais fácil convencer as pessoas com mentiras do que com a verdade...

ATEÍSMO

A definição de ateísmo como toda postura teórica ou de vida que negue a existência de Deus parece ter significado preciso. O certo, porém, é que a própria diversidade das concepções humanas sobre Deus envolve sua negação em um manto de inevitável ambigüidade.
Ao longo da história, o qualificativo "ateu" foi com freqüência empregado de modo pejorativo contra pessoas ou comunidades que em nada correspondiam ao conceito moderno de ateísmo. Assim, Sócrates, cujas concepções influenciaram decisivamente o desenvolvimento da espiritualidade ocidental, foi acusado de ateu por não acreditar nas divindades atenienses. Sob outra perspectiva, o fato de uma pessoa que não admite a existência de um Deus único, livre e pessoal afirmar sua crença em alguma outra realidade transcendente, Deus ou Ser Supremo, muito possivelmente não abalará, no crente de uma fé monoteísta, a convicção de que essa pessoa é atéia. Portanto, a compreensão do ateísmo exige uma análise do significado histórico do termo, de suas relações com outras posturas -- filosóficas ou religiosas -- com as quais se identificou ou a que se opôs e, em indissolúvel ligação com isso, das diferentes formas de ateísmo.
Ateísmo na filosofia ocidental. Antiguidade. A dificuldade de se aplicar o conceito atual de ateísmo a pensadores de outras épocas se patenteia já no caso do primeiro filósofo grego conhecido, Tales de Mileto, que identificava o princípio vital com a água; a depender de onde se põe a ênfase -- se na noção de princípio ou na da água como entidade física --, tal afirmação pode ser entendida como transcendente ou como meramente materialista. Entre os sofistas, Crítias denunciou as religiões como invenções dos políticos para controlarem o povo e, no século III a.C., Evêmero esboçou uma interpretação racionalista da religião, considerando os deuses como antigos heróis divinizados.
Platão achava que a pior forma de ateísmo é a das pessoas más, que esperam poder propiciar a divindade mediante doações e oferendas que lhes justifiquem os descaminhos. Entre os ateus materialistas da antiguidade, foram particularmente radicais os gregos Demócrito e Epicuro, assim como o romano Lucrécio. De Epicuro é o célebre argumento: se Deus quer suprimir o mal e não pode, é impotente; se pode mas não quer, é invejoso; se não quer nem pode, é invejoso e impotente; se quer e pode, por que não o faz? Para os estóicos, Deus, Razão, Destino e Natureza constituem uma mesma coisa; mas seu panteísmo fundamenta uma calorosa e profunda religiosidade.
Renascimento e racionalismo. Na Idade Média esboçaram-se indícios de algumas posições atéias, mas a organização política e social impediu que ganhassem formulação explícita. Foram as novas concepções do Renascimento, com seus interesses antropocêntricos, sua volta à avaliação de todas as coisas segundo a medida do homem, seu paganismo cultural, sua descoberta da natureza e do método científico, que diluíram a concepção teológica medieval e orientaram numerosos pensadores para o materialismo, o panteísmo ou o deísmo -- e da relação das duas últimas doutrinas com o ateísmo trataremos adiante.
Assim, entre os séculos XV e XVI, o italiano Pietro Pomponazzi negou a imortalidade da alma e, veladamente, a existência de Deus. Seu compatriota Maquiavel separou a política da religião e considerou esta última um instrumento do poder: Roma deve mais a Numa Pompílio, que lhe deu os primeiros regulamentos religiosos, do que a seu próprio fundador, Rômulo. Outro italiano, Giordano Bruno, foi queimado na fogueira em 1600, acusado de ateu por suas teses panteístas, nas quais identificava Deus com a unicidade infinita. No século seguinte, o judeu holandês Baruch de Spinoza foi acusado de ateísmo por assemelhar Deus à substância.
Iluminismo. O movimento cultural do século XVIII conhecido como Iluminismo apresentava-se como continuação do Renascimento em seu racionalismo e antropocentrismo, embora a medida humana já não fosse a do sábio ou a do artista, mas a de todo cidadão, a quem se dirigia a Enciclopédia. Os ingleses adotaram o deísmo -- o Deus da razão meramente humana; David Hume, como empirista, rejeitou toda metafísica e, portanto, as provas racionais da existência de Deus, mas declarou aceitar, como homem, a irracionalidade da fé, gerada pelo medo do desconhecido. Os franceses seguiram duas correntes distintas: a mais radical, a do materialismo ateu, era representada por Denis Diderot, entre outros, e a corrente deísta foi significativamente exposta por Voltaire, para quem Deus era o "Geômetra Eterno". Na Alemanha, Kant negou a possibilidade da prova metafísica da existência de Deus. A religião de Hegel era pura intelectualidade, tendo sido interpretada como teísta, como panteísta e como atéia.
Ateísmo moderno. A partir de meados do século XIX, o ateísmo se tornou mais explícito e militante. O alemão Ludwig Feuerbach subverteu a dialética hegeliana, concedendo primazia à sensação frente à razão. Paralelamente, inverteu a relação Deus-homem. Não foi Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança; foi o homem que projetou suas melhores qualidades sobre a tela do conceito de Deus.
Em suas teses sobre Feuerbach, Marx criticou o fato de que a filosofia se tivesse limitado a interpretar o mundo, em vez de tratar de modificá-lo. O estudo da história levou Marx à conclusão de que as estruturas sociais vão sendo construídas como muros protetores para evitar a mudança das relações de produção: a religião é o ópio, o consolo adormecedor do povo.
Nietzsche, sob uma postura mais existencialista, não proclamou a inexistência de Deus, mas sua morte nas mãos dos homens, o que provocaria uma mudança de valores que prepararia a chegada do super-homem.
Já no século XX, o ateísmo seria expressado das mais diversas formas. Para Freud, a religião é uma projeção simbólica do inconsciente, na qual Deus ocupa a imagem paterna. Para o positivismo lógico do círculo de Viena, as proposições "Deus existe" ou "Deus não existe" carecem de sentido e sobre elas não é possível emitir juízo algum. Para Jean-Paul Sartre, o ateísmo é um pressuposto existencial, necessário para preservar a liberdade humana.
Conceito filosófico e religioso. Tipos de ateísmo. Muito concisamente, pode-se dizer que o ateísmo é constituído por todas as doutrinas ou atitudes que negam a existência de Deus. Quando se trata apenas de atitudes, temos um ateísmo prático. Quando se prescinde totalmente de Deus para elaborar uma teoria sobre o homem e o universo, temos um ateísmo teórico negativo. Quando se nega explicitamente sua existência, como fazem os materialistas, trata-se de um ateísmo teórico positivo. Esta última concepção, que nega não só a existência de Deus, mas a de qualquer realidade que não seja a meramente física, é aquela que em geral se associa ao conceito de ateísmo, e portanto constitui a melhor referência para assinalar as diferenças entre essa e outras doutrinas filosóficas.
Ateísmo e outras posturas filosóficas e religiosas. Em primeiro lugar, é preciso distinguir o ateísmo de outras duas doutrinas que freqüentemente se confundem com ele: o agnosticismo e o ceticismo. Alguns pensadores não negam nem afirmam a existência de Deus, mas consideram que não é possível chegar a nenhuma conclusão sobre o tema. Esses pensadores são denominados agnósticos, e entre eles se podem incluir os positivistas, que só afirmam aquilo que é objeto da experiência. Outros -- os céticos -- negam a possibilidade de se conhecer qualquer verdade e, por conseguinte, a possibilidade de se conhecer a existência de Deus. Desta forma, o ateu se diferencia do agnóstico no sentido de que não admite sequer a mera possibilidade da existência de Deus, e do cético pelo fato de admitir a possibilidade de conhecimento, embora negue Deus.
Por outro lado, as doutrinas que afirmam a existência de Deus originaram três posturas básicas: o teísmo, característico das religiões monoteístas, afirma a existência de um Deus único, pessoal e transcendente; o panteísmo identifica Deus com o universo; o deísmo crê em um Deus que criou o mundo e lhe deu leis, mas que não intervém nos acontecimentos posteriores à criação, e do qual não é possível conhecer coisa alguma. Panteístas e deístas, contudo, foram freqüentemente acusados de ateísmo pelos teístas.
Ateísmo e panteísmo, é certo, compartilham a idéia da inexistência de um Deus transcendente. Mas o panteísmo, em sua variante mais comum, não tende a definir a natureza do universo, nem considera que sua natureza última tenha que ser necessariamente material, e até freqüentemente lhe atribui um caráter espiritual. Nesse sentido, portanto, o ateísmo e o panteísmo diferem; mas não é menos certo que, do ponto de vista teísta, a assimilação dos dois se justifica, uma vez que ambos rejeitam a noção de um Deus pessoal criador do mundo. Parece muito menos lógico que possam ser considerados ateus os deístas, que admitem explicitamente a existência de um Deus supremo conhecido pela razão, embora prescindam de qualquer elemento sobrenatural e neguem sua comunicação com os homens.
Possibilidade de um ateísmo religioso. Logo depois da segunda guerra mundial surgiu entre os protestantes um movimento religioso denominado "teólogos da morte de Deus" -- ou ainda cristãos ateus -- que pretendeu depurar a idéia de Deus daquilo que consideravam aderências culturais espúrias, dos temores que turvavam a busca do verdadeiro Deus. Para esses pensadores, como o suíço Karl Barth, o teísmo corre o risco de crer que apreendeu o infinito, que expressou o inefável; isto é, por pouco deixa de converter Deus em um ídolo. Ao precisar com inflexibilidade lógica sua linguagem sobre Deus, destrói seu mistério, coisifica Deus. O ateísmo, ao contrário, quando rejeita como incompreensível o conceito de infinito, devolve-lhe sua carga de mistério. Dessa forma, seria preciso destruir o Deus metafísico para facilitar a busca do Deus vivo: as atitudes de autêntico amor -- descobertas por alguns deles nos campos de concentração -- são um veículo de comunicação melhor do que os conceitos.
O conceito de ateísmo, em suma, só adquire significado cabal na medida em que é confrontado com uma determinada doutrina e um conceito específico de divindade. Finalmente, ante a impossibilidade de se precisar um conceito da divindade comum a todas as religiões, as posturas não relacionadas estritamente com a existência ou inexistência de uma realidade superior -- por exemplo, a descrença na imortalidade pessoal -- costumam levar à qualificação de uma pessoa como atéia.
Fonte: Barsa.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

TRABALHO INFANTIL

É proibido por lei que crianças com menos de quatorze anos realizem qualquer trabalho infantil. Até esta idade a criança pode até ser aprendiz de algum trabalho, mas em hipótese alguma pode exercê-lo. Este aprendizado é considerado como uma formação técnico-profissional, que tem que garantir o tempo do infantil no ensino regular, com freqüência obrigatória; não pode ser uma atividade que prejudique o desenvolvimento do adolescente e tem que ser realizada em horários especiais para não ser caracterizado como trabalho infantil. Desde a época de Getúlio Vargas, os adolescentes maiores de quatorze anos têm um percentual garantido no mercado de trabalho, mas as funções noturnas, insalubres ou perigosas são absolutamente proibidas, fazendo com que seja difícil que empregadores se interessem por este tipo de mão-de-obra. 
Quando o infantil menor de quatorze anos é aprendiz, a lei garante a ele o direito à bolsa de aprendizagem, o que nem sempre se cumpre na prática, e quando maior de quatorze anos, os direitos trabalhistas e previdenciários têm que ser respeitados. Apesar de todas estas condições legais, a realidade social de alguns países, como o Brasil, gera a necessidade de aumento de renda nas famílias mais pobres que, muitas vezes, têm nos filhos uma fonte de renda. Neste caso, quanto mais crianças na família, mais pedintes ou vendedores de rua para aumentar a renda familiar. O trabalho infantil, tanto nos grandes centros, quanto nas zonas rurais, são uma grande preocupação de ONGs e pessoas envolvidas com este assunto. É comum que o infantil seja explorado com salários que podem não passar de um prato de comida e com atividades que provocam sérios danos físicos e psicológicos em cada uma delas, afastando-as da escola e submetendo-as ao trabalho escravo. Falar de trabalho infantil é delicado e difícil, porque, numa situação de miséria absoluta, é muito difícil convencer os pais de que as crianças não devem trabalhar, e os empregadores são violentamente contra denúncias e medidas.
 Eduardo Balieiro

segunda-feira, 9 de maio de 2011

PROGRAMADOR


Programadores de sistemas ou analistas desenvolvedores de aplicativos projetam, implantam sistemas aplicativos específicos ou básicos e preparam os computadores para que eles recebam e executem os comandos necessários. Dependendo de sua formação ou experiência, eles próprios desenvolvem a teoria ou trabalham a partir do esquema proposto pelos analistas de sistemas. Para executar esse serviço, têm que conhecer muito bem o funcionamento dos computadores e as várias linguagens dos programas arquivados em sua memória. Podem especializar-se em elaborar programas para trabalhos específicos de engenharia, ciências, administração de negócios.
Quais as características necessárias para ser programador?
O profissional deverá apresentar senso analítico, autonomia e autocrítica, boa memória, capacidade de concentração e paciência.
 Características desejáveis:
atenção a detalhes
boa memória
capacidade de análise
capacidade de comunicação
capacidade de concentração
capacidade de resolver problemas práticos
curiosidade
disciplina
facilidade para matemática
interesse por computadores
interesse por formas variadas de comunicação
método
paciência
perseverança
raciocínio lógico desenvolvido

 Qual a formação necessária para ser programador?
Para ser programador de computador é necessário diploma de curso técnico, que pode ser cursado paralelamente ou após a conclusão do ensino médio. Por ser um mercado competitivo, entretanto, cursos extras são importantes para diferenciar o currículo na hora da seleção. Algumas universidades oferecem o curso de tecnólogo em processamento de dados, que habilita para ser programador; outra opção é cursar a faculdade de análise de sistemas, que possibilita ao formando ser programador-analista. Conhecimento de inglês e atualização freqüente em relação às novas linguagens que aparecem no mercado são muito importantes.

 Principais atividades de um programador
Programadores de computadores possuem diversas atividades que incluem:
listar ou ler as especificações de programas, detalhadas por um analista de sistemas, e que mostram passo a passo as tarefas que o computador precisa executar; analisar o problema e a melhor forma para solucioná-lo; preparar diagramas para mostrar a seqüência de procedimentos a ser adotada pela máquina; codificar essas instruções para uma linguagem de computador; depois de prontas e implantadas as instruções, o programador deve testar todo o sistema, através de simulação, para verificar falhas e possíveis adequações; se houver acessórios (impressoras, placas de fax) conectados ao sistema, reescrever os programas de controle desses acessórios para que se tornem compatíveis com as novidades; testar todas as modificações até que não haja mais problemas e conferir sua eficiência com o analista de sistemas.
Áreas de atuação e especialidades
O campo de atuação é imenso, este profissional é cada vez mais procurado pela indústria, bancos, comércio, hospitais e onde se possa imaginar que haja a necessidade da automatização e informatização dos negócios, há demanda pelo serviço desse profissional.
 Mercado de trabalho
O mercado de trabalho para programadores é estável e crescente nos setores privado e público. A informática, assim como o mercado para os profissionais, é uma ciência relativamente nova. Não há no Brasil um órgão oficial que regulamente a profissão. Profissionais de diversas áreas envolvem-se com a computação, acumulam conhecimento e experiência e migram para a área, que se torna bastante competitiva. O diploma nem sempre garante um lugar no mercado de trabalho. O sucesso na carreira depende do nível de especialização e da área de dedicação do profissional. Atualmente os mais bem remunerados trabalham na área de telecomunicações e de desenvolvimento de soluções para empresas. O mercado tem crescido, principalmente para o profissional que investir no aprendizado de programas recém lançados no mercado. As empresas públicas abrem concursos, que são muito procurados, mas as vagas costumam ser para cadastro e não para empregar efetivamente. Nesse caso o mercado está estável sem demissões e contratações.
Curiosidades
História do computador
A escrita nasceu através dos sumérios, que inventaram um modo de representar a linguagem através de desenhos. Essa idéia difundiu-se entre as várias culturas, cada uma adquirindo seu modo próprio de representar a linguagem. Na região do Mediterrâneo surgiram o alfabeto e o ábaco. Esse último era usado para fazer contas.
O ábaco dos romanos consistia de bolinhas de mármore que deslizavam numa placa de bronze cheia de sulcos. Isso gerou alguns termos matemáticos: em latim "Calx" significa mármore, assim "Calculus" era uma bolinha do ábaco, e fazer calculos aritméticos era "Calculare". Em suma, os tempos antigos eram realmente a era dos calculadores, e embora os povos antigos dispusessem de meios para escrever números, os cálculos eram raramente escritos.
Wilhelm Schickard (1592-1635) construiu a primeira máquina de verdade. Esta fazia multiplicação e divisão, mas foi perdida durante a Guerra dos Trinta Anos, sem que seu inventor pudesse defender sua primazia. Blaise Pascal (1623-1662), filósofo e matemático francês, é conhecido como o inventor da primeira calculadora que fazia somas e subtrações. O filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) aprimorou um bocado o projeto de Pascal e sonhava que um dia todo o raciocínio pudesse ser substituído pelo girar de uma alavanca. A máquina de Leibniz fazia multiplicações e divisões. O brilhante matemático inglês Charles Babbage (1792-1871) é conhecido como "Pai do computador" projetando o chamado "calculador analítico", muito próximo da concepção atual de computador.
O projeto, totalmente mecânico, era composto de uma memória, um engenho central, engrenagens e alavancas usadas para a transferência de dados da memória para o engenho central e dispositivos para entrada e saída de dados. O calculador utilizaria cartões perfurados e seria automático.
Por volta de 1890, um outro nome entrou na história do computador: Dr. Herman Hollerith (1860-1929), responsável por uma grande mudança na maneira de se processar os dados dos censos da época. Os dados do censo de 1880, manualmente processados, levaram 7 anos e meio para serem compilados. Os do censo de 1890 foram processados em 2 anos e meio, com a ajuda de uma máquina de perfurar cartões e máquinas de tabular e ordenar, criadas por Hollerith e sua equipe. Mais tarde, Hollerith fundou uma companhia para produzir máquinas de tabulação. Anos depois, em 1924, essa companhia veio a se chamar IBM.
O primeiro computador eletromecânico, o chamado Z-1, usava relês e foi construído pelo alemão Konrad Zuse (1910-1995) em 1936. Zuze tentou vendê-lo ao governo para uso militar, mas foi subestimado pelos nazistas, que não se interessaram pela máquina.
Fonte:Brasil Profissões.



domingo, 8 de maio de 2011

Com o tempo aprendi a ser mais tolerante, a ter mais paciência. Com o tempo aprendi a esperar menos e a fazer mais....com o tempo a gente aprende muita coisa, nem que seja na marra!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

AS IDEIAS DE PLATÃO

As coisas mudam, mas seus modelos são eternos
Josué Cândido da Silva*

Platão (428-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates, por quem sempre nutriu profunda admiração, transformando-o no personagem principal de seus diálogos. Após a morte do mestre, fundou sua própria escola de filosofia, chamada de Academia, em homenagem ao deus Academus. Sua obra está intimamente ligada aos problemas filosóficos de sua época.

Platão viveu durante a florescente
democracia ateniense - e na democracia era importante saber argumentar e convencer os cidadãos a votarem nesta ou naquela proposta. Muitos jovens, que pretendiam ter destaque na vida pública, procuravam professores que lhes ensinassem a arte de falar bem e de maneira convincente. Esses professores de oratória e retórica eram os sofistas, título que, originalmente, significa "sábio".
Relativismo
Os sofistas mais famosos foram Protágoras (480-411 a.C.) e Górgias (485-380 a.C.). Para eles não existem verdades imutáveis, válidas para todo o sempre. Muito do que acreditávamos ser certo no passado, hoje sabemos que é falso, e nada garante que no futuro não venha a acontecer o mesmo. O melhor que podemos almejar é construir um consenso provisório sobre o que é certo para maioria, aqui e agora.

"O homem é a medida de todas as coisas", dizia Protágoras, cabe a nós decidir sobre o que é certo ou errado, respeitando os diferentes pontos de vista, pois ninguém pode se julgar dono da verdade. Ora, o melhor modo de fazer isso é a democracia, em que prevalece o livre debate de ideias.

A posição dos sofistas é chamada de relativismo, por considerar que não existem verdades absolutas, mas apenas verdades relativas que mudam com o passar do tempo e de uma cultura para outra. Daí a necessidade de sempre refazermos o consenso democrático sobre os problemas que nos afetam e reformar as leis de nossa sociedade.
Modelos ideais imutáveis
Platão achava isso absurdo. É certo que a realidade está sempre mudando, que as coisas nascem e morrem, mas é igualmente certo que existem coisas que não morrem e tampouco mudam. Do contrário, teríamos apenas opiniões (doxa) sobre as coisas, mas nunca um conhecimento (episteme) sobre elas.

O que não muda são as ideias das quais as coisas são meras cópias. As coisas podem mudar de forma e tamanho, mas a soma dos ângulos internos de um triângulo será sempre 180 graus, assim como 2 + 2 será sempre igual a 4. O que conhecemos da realidade não é o que pode ser percebido através dos sentidos, mas os modelos ideais imutáveis que estão para além das aparências.

Imagine um edifício, um carro, uma máquina. O que eram antes de existir? Apenas uma ideia na mente do projetista ou inventor. Quando colocada em prática, aparecem as imperfeições que fazem parte da realidade, não da ideia. Da mesma forma, as coisas que existem em nosso mundo são cópias das ideias que lhes deram origem. As cópias estragadas são substituídas por novas, mas a forma permanece sempre a mesma.

Quando olhamos para João ou Paula, vemos um ser humano, mas não existe mais humanidade em João do que em Paula, ou melhor, a humanidade não é algo que está neles, mas são como biscoitos retirados de uma mesma forma (ô). Por isso, é inútil buscar alguma verdade no mundo sensível, imperfeito e corruptível, enquanto podemos intuí-la diretamente do mundo das ideias, que permanece imutável e completamente separado do nosso mundo de aparências.
Alma imortal
Mas, se o mundo das ideias é separado do nosso mundo, como Platão sabe que ele existe? Segundo o filósofo, não só ele, mas todos nós sabemos que o mundo das ideias existe porque já estivemos lá.

Para Platão, temos em nós duas partes: um corpo corruptível e uma alma imortal. Nossa alma imortal tem sua origem no mundo das ideias, onde contemplou as ideias de tudo o que existe. Assim, quando olhamos para as coisas neste mundo, nos lembramos do que contemplamos no mundo das formas ideais, e dizemos que algo é bom ou justo apesar de nunca encontrarmos algo verdadeiramente bom ou justo em parte alguma.

Quando participamos de um diálogo filosófico, mesmo que seja um diálogo da alma consigo mesma, nos afastamos das opiniões sobre as coisas para contemplar diretamente as ideias. E ao recordar tudo o que vimos no mundo das ideias, onde tudo era eternamente Bom, Belo e Verdadeiro, nossa alma aspira a libertar-se do corpo corruptível, no qual está aprisionada, e voltar para o mundo das ideias.

Enquanto isso não acontece, a alma busca afastar-se de tudo que é ligado ao corpo, dedicando-se à contemplação e à filosofia. Existem almas, porém, que se agarram ao corpo e seus apetites, e tomam o efêmero por duradouro, o relativo pelo verdadeiro.

Infelizmente, são poucos os que escolhem o caminho da verdade e da filosofia. Estes são, até mesmo, vistos como loucos pela maioria que vaga entre opiniões incertas. Por tentar retirá-los do mundo de sombras e ilusões em que se encontram (leia
"O mito da caverna e a visão além das aparências"), alguns filósofos são perseguidos e até condenados a morte, como aconteceu com Sócrates.

O filósofo, entretanto, não pode fechar os olhos para verdade - e a única coisa que pode aspirar é que ela, por fim, prevaleça.

RACISMO

Ao longo da história, a crença na existência de raças superiores e inferiores -- racismo -- foi utilizada para justificar a escravidão ou o domínio de determinados povos por outros.
 Racismo é a convicção de que existe uma relação entre as características físicas hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. A base, mal definida, do racismo é o conceito de raça pura aplicada aos homens, sendo praticamente impossível descobrir-lhe um objeto bem delimitado. Não se trata de uma teoria científica, mas de um conjunto de opiniões, além de tudo pouco coerentes, cuja principal função é alcançar a valorização, generalizada e definida, de diferenças biológicas entre os homens, reais ou imaginárias.
O racismo subentende ou afirma claramente que existem raças puras, que estas são superiores às demais e que tal superioridade autoriza uma hegemonia política e histórica, pontos de vista contra os quais se levantam objeções consideráveis. Em primeiro lugar, quase todos os grupos humanos atuais são produto de mestiçagens. A constante evolução da espécie humana e o caráter sempre provisório de tais grupos tornam ilusória qualquer definição fundada em dados étnicos estáveis. Quando se aplica ao homem o conceito de pureza biológica, confunde-se quase sempre grupo biológico com grupo lingüístico ou nacional.
O fenômeno, cujas origens são complexas, ocorre com maior ou menor intensidade em todas as etnias e em todos os países e suas origens são muito complexas. Quando o Japão, por exemplo, conseguiu, na primeira metade do século XX, um desenvolvimento econômico comparável ao da Europa, surgiu no seio do povo japonês uma ideologia racista muito semelhante à que justificava o colonialismo europeu.
Um primeiro estágio de racismo confunde-se com a xenofobia: determinado grupo social hostiliza um estranho por considerar nefasto todo contato fora do grupo social, o qual tira sua força da homogeneidade e da aceitação entre seus membros das mesmas regras e princípios, recusados ou desconhecidos pelo elemento exógeno. Em outro nível, tal repúdio é justificado pela diferença física, que se torna o suporte do componente racista.
Racismo nas sociedades modernas
A história da humanidade refere-se, desde os tempos mais antigos, a relações, decorrentes das migrações, entre povos racialmente distintos. No entanto, antes da época de expansão das nações européias, as relações raciais não apresentavam a feição que mais tarde as caracterizaria.
Entre egípcios, gregos e romanos, as relações eram de vencedor e cativo, e vigoravam indiferentemente, mesmo com povos a eles semelhantes. Durante toda a Idade Média, a base do antagonismo entre povos era, sobretudo, de índole religiosa. Graças à grande força política da igreja, justificava-se a conquista e submissão de povos para incorporá-los à cristandade. Ainda quando dos primeiros contatos entre portugueses e africanos, não havia nenhum atrito de ordem racial.
Quando, a partir do Renascimento, o progresso técnico permitiu à Europa dominar o mundo, surgiram diversas ideologias que pretenderam explicar e justificar a dominação dos demais continentes pelos países europeus, alegando existir na Europa uma raça superior, destinada por Deus ou pela história a dominar as raças não-européias, consideradas inferiores. A expansão espanhola na América buscou sustentação ideológica em crenças tais como as de que os ameríndios não eram verdadeiros seres humanos, o que justificaria sua exploração.
O moderno racismo europeu encontrou fundamento teórico na obra do conde de Gobineau, Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) publicada em meados do século XIX. Nela, o autor francês sustentou que a civilização européia fora criação da raça ariana, uma minoria seleta da qual descendiam as aristocracias de toda a Europa e cujos integrantes eram os senhores "naturais" do resto da população. Outro paladino do racismo foi Houston Stewart Chamberlain, que, embora inglês de nascimento, tornou-se conhecido como "antropólogo do kaiser". Publicou na Alemanha, em 1899, Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX), obra em que retomou o mito da raça ariana e identificou-a com o povo alemão.
Outros autores, como Alfred Rosenberg, também contribuíram para criar a ideologia racista. Esta, convertida em programa político pelo nazismo, visava unificar os alemães, mas como a identificação dos traços raciais específicos do povo de senhores era impossível na prática, criou-se uma "raça inimiga" que unisse contra ela o povo alemão. A perseguição dos judeus ou a escravização de povos da Europa oriental em nome da superioridade da pretendida raça ariana resultou, por suas atrocidades, na adoção pela opinião pública mundial de critérios opostos ao racismo, a partir do final da segunda guerra mundial.
Os trabalhos de antropólogos e sociólogos rejeitam globalmente as teorias racistas e a seu desprestígio científico une-se a adoção, por todos os estados, de princípios como os contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Ao mesmo tempo, nos países em que tradicionalmente se praticavam formas de discriminação racial, os preconceitos passaram a ser suavizados e se impôs uma igualdade de oportunidades cada vez maior. Uma exceção à tendência geral, a partir de 1948, foi a África do Sul, onde se exacerbou a tendência à segregação dos grupos étnicos (apartheid) sob o domínio dos sul-africanos de origem européia. Tal sistema político racista chegou ao fim com a convocação das primeiras eleições para um governo multirracial de transição, em abril de 1994.
Márcia Regina Argente