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A ÚNICA COISA REALMENTE LIVRE É O PENSAMENTO!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que tem fome e te rouba O último pedaço de pão, chama-o teu inimigo Mas não saltas ao pescoço Do teu ladrão que nunca teve fome.                      Bertold  Brechet

quarta-feira, 27 de julho de 2011

COTIDIANO

AUTORIDADE POLÍTICA

Um dos pensadores mais proeminentes das ciências humanas foi Max Weber (1864-1920). Considerado um dos fundadores da sociologia, sua vasta obra é composta por estudos sobre vários temas sociais. Aqui, será abordado um tema de importância crucial para o entendimento da legitimidade da autoridade política.
 Que razões predispõem um grupo social, uma comunidade ou uma sociedade composta por um conjunto de indivíduos ou cidadãos a reconhecer como legítima a autoridade detentora do poder político e a obedecer a seus mandos e ordens? O sociólogo alemão sustenta que existem somente três tipos de dominação legítimas: a tradicional, a carismática e a legal.
A autoridade política tradicional
A dominação tradicional se assenta na crença cotidiana da santidade das tradições e costumes vigentes desde muito tempo. Segundo essas tradições, quem detém a autoridade política é chamado de senhor ou patriarca. Os que estão sob suas ordens são considerados súditos.
A obediência dos súditos ao senhor é baseada na devoção aos hábitos costumeiros. A tradição determina o conteúdo das ordens e os limites do poder da autoridade política. Mas, em geral, deixa espaço para o arbítrio do senhor e permite que ele tome decisões de acordo com sua vontade pessoal.
A dominação tradicional corresponde às formas pré-modernas de agrupamento social. Suas variações mais comuns são os sultanatos árabes, os principados feudais e as comunidades tribais africanas.
A autoridade política carismática
Seu esteio é a devoção afetiva ou veneração à pessoa portadora de dotes relacionados com feitos mágicos ou sobrenaturais, revelações, heroísmo, poder intelectual ou oratória. O carisma pode ser considerado uma qualidade pessoal incomum que predispõe seu dono a exercer algum tipo de liderança.
Os que obedecem ao líder carismático são chamados de seguidores ou apóstolos - e o fazem em razão da devoção puramente emotiva. Esse líder aparece como o grande profeta, o sábio, o herói guerreiro e o demagogo.
Juazeiro e Canudos
Historicamente, a dominação carismática tem sido fonte de grandes transformações sociais. No Brasil, inúmeros movimentos e revoltas armadas foram provocados por líderes desse tipo.
No período da Primeira República destacam-se os movimentos messiânicos (de caráter religioso) promovidos pelos beatos Padre Cícero, que comandou a revolta de Juazeiro (1911), e Antônio Conselheiro, que chefiou a revolta de Canudos (1896).
De todas as formas de dominação, a carismática é a mais instável e transitória. A obediência dos dominados se mantém apenas enquanto durarem as qualidades excepcionais da autoridade política - enquanto subsistir o carisma. Quando ele acaba, a crença na legitimidade da autoridade política é seriamente abalada.
A autoridade política legal
Também conhecida como dominação burocrática, ela se assenta na aceitação, por parte dos dominados, das normas e estatutos que foram criados e podem ser modificados mediante regras formais.
A legitimidade da dominação legal se fundamenta no direito, isto é, nas leis. São elas que estabelecem as regras para a nomeação da autoridade política e fixam a competência e os limites do seu poder de mando e obediência.
Os que obedecem são considerados cidadãos. Os cidadãos obedecem à pessoa que detém o poder de mando em virtude das leis que lhe outorgam autoridade.
Burocratização inevitável
O Estado moderno, com sua extensa estrutura burocrática (polícia, forças armadas, repartições administrativas), funciona com base na dominação legal, que predomina no mundo atual. Os quadros de funcionários públicos são selecionados por um critério racional com base em exigências de qualificação e competências profissionais.
O ideal do profissional que ocupa um cargo burocrático é a "disciplina do serviço". A burocracia é o modo mais eficiente para a execução de serviços rotineiros que caracterizam a estrutura administrativa do Estado moderno.
A burocratização é um processo "inexorável". Weber a concebe como inevitável e crescente, em razão de sua adequação ao padrão de sociabilidade característico da modernidade.
Mas a estrutura político-administrativa do Estado não conta apenas com burocratas para os serviços especializados. Nas democracias modernas, os cargos mais elevados da administração pública são preenchidos pela seleção de representantes em eleições periódicas: prefeitos, vereadores, governadores, senadores e presidente. Também há os que são nomeados para cargos de confiança.
 Comando político
De acordo com Weber, a burocracia é acéfala: ela deve, portanto, ter um comando político que oriente suas atividades. Os burocratas pertencentes a um determinado órgão não se questionam por que desempenham tal tarefa, nem avaliam sua importância ou finalidade. Orientam-se por regras hierárquicas, códigos disciplinares e objetivos predefinidos.
A interferência da política na esfera burocrática pode ser benéfica. Ela equilibra a racionalidade inerente ao aparato burocrático e o orienta para que possa se prestar à consecução de outros objetivos.
É preciso salientar que sociedades lidam com esse problema de modos diversos. Se compararmos países como França, Brasil e Estados Unidos, poderemos notar que a questão dos cargos políticos nos órgãos estatais e governamentais recebe tratamento diferenciado.
Renato Cancian.

terça-feira, 26 de julho de 2011

JUDAÍSMO

Das grandes religiões monoteístas existentes no mundo, o judaísmo é a de raízes mais antigas. De seu seio surgiu o cristianismo, enquanto o islamismo adotou vários elementos judaicos e reconheceu Abraão e Moisés como profetas.
Judaísmo é, em sentido restrito, a religião dos antigos hebreus, hoje chamados judeus ou israelitas, e, num sentido mais amplo, compreende todo o acervo não só de crenças religiosas, como também de costumes, cultura e estilo de vida dessa comunidade étnica, mantido com constância e flexibilidade ao longo das vicissitudes de cerca de quarenta séculos de existência.
Judaísmo na história
Para o povo judeu, o conceito de história não se limita a uma sucessão de eventos e seu relato. A história judaica, em seus primórdios, é uma história sagrada, que começa com a escolha do povo por Deus (Iavé) e se orienta para o cumprimento da promessa divina de que, por meio desse povo, Deus beneficiará todas as nações. No decurso dessa história, os sábios judeus incorporaram aos livros sagrados um amplo corpus de textos que atualmente constituem o fundamento de sua religião.
Período bíblico. A Bíblia hebraica -- que, à exceção de alguns livros, coincide essencialmente com o Antigo Testamento cristão -- narra os fatos fundamentais da história do povo judeu, a partir do momento transcendental de sua eleição e da aliança com Deus. Os judeus dividem sua Bíblia em três partes: a Lei (Torá), os Profetas (Neviim) e os Hagiógrafos (Ketuvim).
Aliança e eleição. O patriarca dos hebreus, Abraão, morava na cidade de Ur, na Caldéia, junto à foz do Eufrates, no século XX antes da era cristã. De lá, partiu para o norte, com seu pai, e recebeu a ordem de Deus: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, para o país que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê tu uma bênção!" (Gn 12:1-2).
Após a chegada de Abraão à terra de Canaã (mais recentemente conhecida como Palestina, para os judeus Terra de Israel, e onde hoje se localizam o Estado de Israel e a Jordânia), Iavé estabeleceu com ele uma aliança: "À tua posteridade darei esta terra, do rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates" (Gn 15:18). E acrescentou: "Eu multiplicarei grandemente a tua descendência, de tal modo que não se poderá contá-la" (Gn 16:10). Como sinal dessa aliança lhe ordenou: "Que todos os vossos machos sejam circuncidados" (Gn 17:10).
Abraão, seu filho Isaac e seu neto Jacó constituem a linha patriarcal de referência do povo judeu, fiel à aliança divina. Jacó recebeu do Senhor um novo nome, Israel, e de seus 12 filhos originaram-se as 12 tribos do povo judeu, os descendentes de Israel, ou, como se chamavam, os "filhos de Israel" (Bene Israel).
Êxodo e estabelecimento em Canaã. A segunda etapa decisiva da história do povo judeu começou com sua libertação da escravidão no Egito (século XIII a.C.), onde se haviam estabelecido na época da grande seca. Moisés foi o líder que, por ordem de Iavé, conduziu a marcha de quarenta anos através do deserto para voltar a conquistar a terra de Canaã.
Durante a travessia do deserto, Moisés fixou a lei judaica, cujo núcleo foram os Dez Mandamentos, gravados nas tábuas recebidas de Deus no monte Sinai, que abarcavam as crenças, a moral, os rituais e a organização civil do povo. Essa lei, a Torá -- também chamada lei de Moisés, ou lei mosaica --, está contida no Pentateuco (Chumash), os cinco livros que constituem a primeira parte da Bíblia, e viria a ser a fonte de coerência e unidade do povo judeu e, todos os tempos e lugares. Segundo a tradição, ainda nos tempos de Moisés surgiu a lei oral, que se transmitiu dessa forma ao longo de gerações e só foi registrada por escrito muitos séculos depois.
Uma vez estabelecidos em Canaã, a Terra Prometida, cada tribo em seu próprio território, os hebreus sofreram a influência do paganismo e os ataques de filisteus e moabitas. Surgiram então os juízes, como Débora e Sansão, que lideraram o povo em épocas de crise, na luta contra os inimigos e na condução de um modo de vida adequado às leis da aliança. Entretanto, fez-se necessária a reunificação das 12 tribos, e Saul foi ungido rei no século XI a.C. Davi, seu sucessor, conquistou Jerusalém, transformou-a em capital do reino e para lá levou a Arca Sagrada, símbolo da aliança com Deus. Salomão, filho de Davi, construiu o primeiro templo, em Jerusalém. Com sua morte, o reino foi novamente dividido: Israel, no norte, formado por dez tribos, assimilou elementos heréticos no culto e logo sucumbiu, invadido pelos assírios. Sua população foi deportada, e as dez tribos desapareceram desde então da história judaica (várias hipóteses, fantasiosas ou não, têm associado etnias contemporâneas à descendência dessas tribos). O reino de Judá, no sul, centrou-se em Jerusalém e manteve-se fiel às tradições. Os judeus de hoje descendem principalmente dos habitantes de Judá.
Nessa época de decadência religiosa, política e econômica surgiram os grandes profetas de Israel -- Elias, Amós, Isaías -- que exortaram o povo a retornar à fé tradicional. A visão da história como instrumento de Deus, que faz cair a desgraça sobre o povo judeu como castigo pelo descumprimento da aliança, foi em parte obra dos profetas.
Exílio e restauração. No início do século VI a.C., o rei babilônio Nabucodonosor destruiu o templo, saqueou Jerusalém e deportou sua população para a Babilônia. Este novo exílio espiritual uniu o "restante de Israel" sob a prédica do profeta Ezequiel, dando início a uma restauração religiosa que preparou uma outra, de caráter político.
A conquista da Babilônia por Ciro, rei dos medos e dos persas, permitiu aos hebreus retornar à Terra Prometida, no ano 538 a.C., e reconstruir o templo de Jerusalém, em 515 a.C. Grande parte do povo, no entanto, continuou espalhado do Egito à Índia, como numa prefiguração da posterior diáspora (dispersão).
Essa restauração religiosa e política é considerada por alguns autores como a verdadeira origem da unidade espiritual do povo judeu. Seu grande artífice foi Esdras, sacerdote dos judeus da Babilônia, que foi enviado pelo rei persa Artaxerxes II a Jerusalém para controlar a observância da lei mosaica, reconhecida, em seu caráter civil, para os judeus. Esdras fez renovar a aliança com Iavé mediante a leitura da lei para o povo durante sete dias (e, de maneira constante, duas vezes por semana). Também renovou o culto no novo templo, embora continuasse o ensino nas sinagogas locais, e alentou a esperança, pregada pelos profetas, na vinda de um messias que instauraria o reino de Deus.
Períodos helenístico e romano. A influência grega teve início com a conquista da Palestina por Alexandre o Grande. Posteriormente, o povo judeu alternou longos períodos de dominação estrangeira com breves períodos de independência. Um dos episódios mais importantes dessa fase foi a revolta dos Macabeus contra os selêucidas helênicos, sob Antíoco IV, liderada por Judá. Vitoriosos, os judeus purificaram o templo em 164 a.C. (evento comemorado até hoje na festa de Hanuká) e instauraram a dinastia dos Asmoneus.
No ano 63 a.C. o romano Pompeu conquistou Jerusalém. Entre os grandes encraves judaicos dessa época destacam-se os da Síria, Babilônia e Alexandria, no Egito. Em Alexandria, o Pentateuco foi traduzido para o grego. Segundo a tradição, setenta sábios, totalmente isolados uns dos outros, fizeram simultaneamente setenta traduções absolutamente idênticas, chamada Septuaginta ou Bíblia "dos setenta".
Durante a dominação romana, Jesus de Nazaré reuniu um grupo de discípulos e iniciou a pregação de suas idéias. Depois que ele morreu na cruz, seus seguidores acabaram se desligando do judaísmo para constituir a igreja cristã.
Roma sufocou diversas revoltas judaicas e, no ano 70 da era cristã, o templo de Jerusalém foi arrasado. No ano 73, caiu o último baluarte da resistência, a fortaleza de Massada, na margem do mar Morto, quando seus defensores, cercados, preferiram cometer suicídio coletivo a cair prisioneiros.
Com a perda dos últimos vestígios de soberania, teve início a diáspora, a dispersão do povo judeu, que encontrou na religião um fator de preservação e unidade. Conta-se que Iochanan be Zakai conseguiu escapar do cerco de Jerusalém, levado por seus discípulos num ataúde. Apresentando-se ao governador romano, prometeu-lhe obediência e, em troca, pediu que lhe fosse permitido criar um centro de estudos judaicos em Iavne. Reunindo sábios e escribas, Iavne foi o núcleo da preparação judaica para sobreviver à dispersão, tendo a lei e a tradição como território, onde quer que se encontrassem os judeus.
Período rabínico. Talmude. O longo período rabínico, que os historiadores situam entre os séculos II e XVIII, caracterizou-se pela elaboração, pelos rabinos (mestres de judaísmo), do Talmude.
Na primeira época, chamada dos professores (tanaim), surgiram figuras como Judá ha-Nasi, da Palestina, que no início do século III fixou por escrito a lei oral: coleção de regras, comentários, interpretações e paradigmas baseados na Torá, preparada pelos rabinos Akiva, Meir e outros. Essa compilação escrita constitui a Mischná, cuja autoridade, diziam os sábios, como a da própria Torá, remonta ao Sinai. Na época seguinte, a dos intérpretes, ou dos amoraim, foram feitos comentários à Mischná, chamados Guemará. Juntas, a Mischná e o Guemará formam o Talmude.
Houve duas versões do Talmude, de acordo com a procedência do Guemará: o Talmud Ierushalmi (de Jerusalém) e o Talmud Bavli (babilônio). Esta última versão, que teve seu auge nos séculos V e VI, exerceu grande influência durante a Idade Média e é a adotada pelo judaísmo atual. O Talmude constitui fundamentalmente um esforço dos rabinos para adaptar os preceitos da lei à vida cotidiana de comunidades extremamente dispersas. Seus ensinamentos e conteúdo dividem-se em duas partes: Halaká, essencialmente normativa, e Hagadá, que inclui narrativas, parábolas etc., destinadas a inspirar e a fortalecer o povo.
Sefarditas e asquenazitas. Sobre uma base religiosa comum, a cultura judaica viu desenvolverem-se na Europa, durante a Idade Média, dois grandes ramos: sefarditas e asquenazitas.
Os sefarditas, ou sefaraditas (sefaradim) seguiram a tendência babilônica e receberam a influência dos muçulmanos, com quem conviveram na Espanha. Do século XI ao XIII, quando se restabeleceu o cristianismo, os judeus da península ibérica gozaram de boas posições e prestígio, contribuindo como conselheiros, poetas, cientistas e filósofos para o florescimento econômico e cultural da chamada idade de ouro. Após as conversões forçadas (os judeus convertidos eram chamados cristãos-novos, ou marranos, que significa "porcos"), durante a Inquisição, os judeus acabaram expulsos da Espanha, em 1492, e de Portugal, em 1497.
Os asquenazitas (ashkenazim), radicados na França e na Alemanha, adotaram o Talmud Ierushalmi e mantiveram estreito contato com a cultura cristã. Dos asquenazitas surgiram duas correntes místicas: a cabala (provavelmente de origem hispânica), desenvolvida nos séculos XII e XIII e relacionada com o esoterismo ocidental; e o hassidismo, no século XVI, que buscava uma forma de crença mais espontânea, mais liberta dos rigores do estudo e dos rituais, servindo assim aos judeus mais desfavorecidos das pequenas cidades e aldeias da Europa central e oriental. O hassidismo prolongou-se até a época contemporânea, preconizando a fé piedosa, o fervor (hitlaavut), a priorização da "intenção" (kavaná) sobre o rito e a importância do "aqui e agora" na experiência religiosa.
De um modo geral, a Idade Média foi para os judeus um período de perseguições e massacres. Acusados de envenenarem poços, causando a peste negra, de fabricarem o pão ázimo da Páscoa com o sangue de jovens cristãos, estereotipados como malditos, demônios e judeus errantes, foram obrigados ao batismo, ou então perseguidos e mortos pelos cruzados, queimados no interior de sinagogas -- como em York, na Inglaterra, em 1190 -- e expulsos de seus lares e de seus países. Imbuídos de uma fé radicada em sua identificação com o destino comum e com a prática judaica baseada na aliança, muitos judeus resistiram à pressão crescente de assimilação, muitas vezes preferindo morrer a abjurar sua fé. Morriam Al kidush haShem, pela santidade do nome de Deus, proferindo a antiga oração de uma frase só que é até hoje a síntese da fé judaica: Shemá Israel, Adonai Eloheinu Adonai echad (Ouve, ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um).
A esperança de redenção levou a muitos caminhos, como o hassidismo, o misticismo da cabala e, no século XVII, ao messianismo, a crença na vinda imediata do Messias, então personificado num judeu de Esmirna, Shabetai Tsevi. Multidões histéricas acreditaram que a redenção era iminente, e desfizeram-se de seus bens para seguir o "messias" em sua jornada à Terra Santa. Mesmo a desmistificação do falso Messias, que se converteu ao Islã, não abalou seus seguidores, que acreditavam ser este o caminho de sofrimento pelo qual ele traria a redenção.
O fim da Idade Média, o advento de idéias libertárias, do racionalismo, dos direitos do homem, trouxe esperanças de emancipação que acabaram traídas pelo surgimento de um anti-semitismo doutrinário e ideológico.
Período moderno. As idéias do Iluminismo, no século XVIII, exerceram grande influência sobre o pensamento das comunidades judaicas da Europa central e oriental, que constituíam então o centro do judaísmo. As esperanças messiânicas haviam cedido lugar ao desejo de uma realização pessoal e nacional de natureza claramente terrena, idéias que se plasmaram no movimento conhecido como Haskalá (Ilustração).
A figura mais destacada desse movimento foi Moses Mendelssohn, que atingiu posição preeminente nas letras alemãs com sua tradução da Bíblia para o alemão, e que defendia uma religião universal centrada na razão. As gerações judaicas seguintes dividiram-se, na prática religiosa, entre a corrente ortodoxa e a reformista (e, mais tarde, a conservadora, a reconstrucionista, a neo-ortodoxa), enquanto se mantinha a influência do hassidismo.
No fim do século XIX, Theodor Herzl, judeu húngaro, jornalista em Viena, deu estrutura política e institucional ao sionismo, movimento em favor do estabelecimento de um estado judaico. Um dos fatores que apressaram o reconhecimento universal da necessidade de uma solução nacional para a questão judaica foi a tragédia do chamado holocausto.
A ideologia nazista surgiu na Alemanha, berço do Iluminismo e um dos países em que os judeus mais se haviam integrado à cultura local. Os nazistas pregaram como ideologia a eliminação física de todos os judeus da Europa, no que chamaram, operacionalmente, de "a solução final". A revivificação dos guetos, superpovoados e com péssimas condições de sobrevivência, deportações em massa para campos de concentração, câmaras de gás e fornos crematórios, fuzilamentos coletivos e experiências médicas desumanas levaram à morte seis milhões de judeus, mais de um terço da população judaica mundial.
Esse trágico cenário deu relevância à idéia sionista, versão contemporânea e política do sonho milenar judaico de retorno à Terra Prometida. Em novembro de 1947, a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a partilha da Palestina em dois estados, um árabe e um judaico. O movimento iniciado por Herzl culminou, assim, com a proclamação do Estado de Israel, em 1948.
Atualmente, os principais núcleos populacionais judaicos encontram-se nos Estados Unidos, em Israel e na Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Parte considerável da comunidade judaica da antiga União Soviética pediu visto de emigração e, no início da década de 1990, mais de 400.000 judeus emigraram, principalmente para Israel. Quase a totalidade da comunidade judaica da Etiópia, negros africanos que praticam o judaísmo há cerca de 2.500 anos, emigrou para Israel nas décadas de 1980 e 1990.
Apesar da secularização e do liberalismo que hoje predominam em suas instituições, o povo judeu continua apegado a sua religião, ou seja, a suas tradições e ao legado de sua história.
Doutrina e culto
O judaísmo é uma religião monoteísta que postula uma relação contínua entre Deus e o povo judeu e, por meio deste, com toda a humanidade. Toda sua doutrina e seu culto centralizam-se, portanto, no realce das vinculações entre Deus e o homem, na vida superna e na vida terrena.
Dogmas. Maimônides, teólogo judeu-espanhol do século XII, resumiu a fé judaica em 13 artigos, que foram incorporados aos livros de oração e que são os seguintes: "(1) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, é tanto o Criador como o Governante de todos os seres e que somente Ele fez, faz e fará todas as obras da Natureza; (2) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, é Um, e que nenhuma Unidade é como a dele, sob nenhuma forma, e que somente Ele é nosso Deus que foi, é e sempre será; (3) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, não é corpóreo, e que nenhuma relação corpórea a Ele se aplica, e que nada existe que se assemelhe a Ele; (4) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, foi o primeiro e também será o último; (5) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, é o único a ser adorado e que nenhum outro ser é digno de nosso culto; (6) Creio firmemente que todas as palavras dos profetas de Israel são verdadeiras; (7) Creio firmemente que a profecia de Moisés era verdadeira, e que ele foi o mais importante dos profetas; (8) Creio firmemente que a Lei que possuímos agora é a mesma que foi dada a Moisés; (9) Creio firmemente que essa Lei não será modificada, e que não haverá outra Lei (ou dispensa dela) dada pelo Criador, abençoado Seu Nome; (10) Creio firmemente que o Criador, abençoado Seu Nome, conhece todas as ações do homem e todos os seus pensamentos; (11) Creio firmemente que o Criador, abençoado seja, recompensa os que cumprem seus mandamentos e castiga os que os transgridem; (12) Creio firmemente na vinda do Messias, e ainda que demore, esperarei todo dia sua vinda; (13) Creio firmemente que haverá a ressurreição dos mortos quando aprouver ao Criador, abençoado seu Nome, e exaltada sua Memória para todo o sempre."
Deus e o homem. Para o judaísmo, a humanidade constitui uma grande família, toda ela oriunda de um só casal: Adão e Eva, ambos criados por Deus. A expressão hebraica para "ser humano", ou "gente", é ben adam, que significa "filho de Adão". Os rabinos dizem que Deus tomou o barro com que plasmou Adão de diversas partes do mundo, a fim de que o homem se sentisse em qualquer país como em seu lar.
O homem é imagem de Deus, e está dotado de liberdade. Se peca, pode obter o perdão divino com o arrependimento e a reparação do mal que causou. A recompensa ou o castigo têm lugar na vida terrena e depois da morte.
No final dos tempos a humanidade irá conhecer uma feliz era messiânica, em que todos os homens viverão em concórdia. Os mandamentos de Deus estão resumidos no Decálogo (os Dez Mandamentos) transmitido a Moisés, mas os adeptos de outras religiões se salvarão se observarem os mandamentos dados por Deus a Noé, que incluem o repúdio à idolatria e à imoralidade.
Outras prescrições. A lei de Moisés e a lei oral encerram uma regulamentação muito detalhada de toda a vida religiosa, pública e privada, que abrange desde os acontecimentos mais importantes até os atos cotidianos; na área da prática religiosa, jejuns, comidas permitidas e proibidas, purificações, festas, culto, cerimônias, objetos sagrados etc. Na área do comportamento individual e social, regras para o uso racional da terra, para a alforria de escravos e criados, para tratamento humano dos animais, para os cuidados e atenção para com o próximo, para casamento e divórcio, para os litígios e para a aplicação da justiça. As circunstâncias históricas nem sempre permitiram seu cumprimento, e nos tempos modernos as tendências reformista e liberal do judaísmo prescindiram de muitas dessas prescrições, sem renunciar com isso à doutrina essencial.
Festividades e culto. São festivos todos os sábados (shabat), a Páscoa (Pessach), Pentecostes (Shavuot) e Tabernáculos (Sucot). Nos sábados e nos dias festivos todo trabalho é proibido.
A observância do sábado como dia de descanso de toda atividade considerada trabalho é um dos pilares do comportamento religioso no judaísmo. O mandamento de observar o shabat consta do Decálogo, e é o único que insinua a morte como castigo dos que o violarem. É um dia de repouso, oração, meditação e também de alegria. A mística do shabat é marcante no folclore e na cultura judaicas. É comparado a uma noiva que o homem recebe no anoitecer da sexta-feira para dela se despedir por uma semana na noite de sábado, na cerimônia de havdalá (separação, diferenciação).
Pessach é uma festa de múltiplos significados. Historicamente comemora a libertação dos judeus da escravidão no Egito e sua formação como um povo com uma religião e um destino comuns. É comemorada na véspera do primeiro de seus oito dias, com um serviço especial na sinagoga e um jantar cerimonial familiar (seder) cheio de simbolismo, quando se lê a Hagadá (o relato dos eventos e sua interpretação), come-se o pão ázimo (matsá) e ervas amargas (maror), e se bebe vinho. Pessach tem também um aspecto ligado à natureza, como festa da primavera, e à agricultura, como festa do início da colheita dos cereais.
Shavuot, sete semanas depois do primeiro dia de Pessach, comemora a entrega da Torá aos judeus no Sinai. Era o dia em que se levavam ao templo as primícias do fruto da terra (bikurim), representadas em sete espécies: trigo, cevada, vinha, oliva, figo, tâmara, romã.
Em Sucot, os judeus relembram o período do deserto, a caminho de Canaã, quando dormiam em tendas. Durante os oito dias da festa os judeus praticantes comem suas refeições em cabanas que constroem nos pátios, terraços ou varandas de suas casas. Em seu aspecto agrícola, é a festa do fim da colheita, quando a safra está guardada nos celeiros e silos, aguardando o inverno. São símbolos da festa quatro espécies vegetais: etrog (fruto cítrico doce e aromático), lulav (palma), hadas (murta) e aravá (salgueiro). Ao final de Sucot os judeus comemoram o fim do ciclo anual e o reinício de novo ciclo de leitura da Torá, com a festa de Simchat Torah (alegria da Torá). Na sinagoga, a Torá é ornada com seus mais belos paramentos, e a congregação dança com a Torá.
As três festas (Pessach, Shavuot, Sucot), além de integrarem o caráter religioso-histórico com o agrícola, que hoje tem significado real em Israel, tinham na antiguidade um aspecto de unificação nacional, pois eram festas de peregrinação ao templo de Jerusalém.
Há também alguns dias de jejum e contrição, sendo o mais importante deles Tishah beAv (nove do mês de Av), em que foram destruídos tanto o primeiro quanto o segundo templos. Entretanto, as festas religiosas mais importantes (chamadas as Grandes Festas) são: a que marca o início do ano (Rosh Hashaná) e o Dia da Expiação (Yom Kippur), este o dia mais sagrado do calendário judaico. Representam, em conjunto, uma ocasião de reflexão e penitência, quando, nos serviços na sinagoga e no lar, mentes e corações dirigem-se a Deus, que reconsidera o destino de cada homem em função de seus atos e de seu arrependimento (o destino é estipulado em Rosh Hashaná e selado em Yom Kippur, e os dias entre as duas festas são chamados "dez dias de arrependimento" (asseret iemei teshuvá). Nos dois dias de Rosh Hashaná e no Yom Kippur, este de jejum total do anoitecer da véspera ao do dia da festa, toca-se na sinagoga o shofar (espécie de corneta feita de chifre), como lembrança do compromisso assumido ao se receber o Decálogo no Sinai (quando soou o shofar) e como chamamento à prece e despertar das consciências.
Outras festas importantes do calendário judaico são Purim, que comemora a libertação dos judeus da Pérsia e das perseguições de Amã, cruel ministro do rei Assuero (nome bíblico de Xerxes I, rei da Pérsia) e protótipo de anti-semita, graças à intervenção da rainha judia Ester e de seu tio Mardoqueu (Mordechai); Lag Baomer, que relembra a luta contra os romanos; e Hanuká, a "festa das luzes", que evoca o milagre ocorrido quando da purificação do templo após a vitória dos Macabeus sobre os selêucidas: a lâmpada que deve arder dia e noite no templo só tinha óleo para um dia, mas ardeu oito dias seguidos, até que se providenciasse mais óleo. Nos lares judaicos acendem-se uma vela na primeira noite, duas na segunda e assim por diante, num candelabro especial de Hanuká chamado chanukiá.
A história judaica moderna trouxe para o calendário algumas comemorações de caráter civil e nacional: Tu biShevat (15 do mês de Shevat), Dia da Árvore, quando, em Israel, crianças e adultos plantam árvores; Yom Hashoá, o Dia do Holocausto, em que se relembram os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas, e que é comemorado no aniversário do levante do gueto de Varsóvia; Yom Hazikaron (Dia da Lembrança), quando se homenageiam os israelenses mortos nas guerras de libertação e defesa de Israel, comemorado na véspera de Yom Haatsmaut, o Dia da Independência do Estado de Israel.
Calendário judaico. Há mais de 1.600 anos, os judeus praticantes se mantêm leais ao calendário judaico. A diferença entre ele e o calendário cristão adotado no mundo ocidental está no princípio em que baseiam o cômputo do tempo. Enquanto o calendário gregoriano é solar, o judaico é lunar, e consiste em 12 meses calculados de acordo com a Lua: Nisan, Iyyar, Sivan, Tamuz, Ab, Elul, Tishri, Cheshvan, Kislev, Tevet, Shevat e Adar. Para permitir que as festas agrícolas caiam na época própria, a diferença entre o ano lunar, de 354 dias, e o solar, de 365 dias e seis horas, é eliminada pela intercalação de um mês completo (Ve Adar, ou segundo Adar) em sete anos determinados, chamados bissextos, de um ciclo de 19 anos. O calendário impresso (luach) indica a correspondência entre as datas judaicas e as civis.
Alguns historiadores atribuem grande importância ao calendário como unificador das tradições e crenças do povo judeu, afirmando que o calendário judaico é o catecismo judeu. Segundo ele, a data da criação do mundo, a partir da qual tem início a cronologia judaica, corresponde ao ano 3760 a.C.
O ano religioso começa na lua nova de setembro-outubro do calendário gregoriano, mas seu início pode ser alterado em um dia para evitar que outras datas religiosas do ano caiam em dias impróprios. O Dia da Reconciliação, por exemplo, não deve cair na sexta-feira ou no domingo, nem no sétimo dia de Sucot ou num sábado.
Na divisão judaica do tempo, os dias se contam a partir do anoitecer da véspera ao anoitecer do dia em questão, conforme a expressão do Gênesis (1:5) que descreve a Criação: "Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia." A liturgia judaica prescreve três serviços diários para os dias úteis. Nos sábados, nos dias festivos e no primeiro dia de cada mês (Rosh Chodesh) acrescenta-se um quarto serviço; e no Yom Kippur, um quinto. Todo serviço público é encerrado com uma prece a Deus para que apresse o advento de seu reino sobre a terra e proclamando-se a esperança de Israel de que "naquele dia o Eterno será um e seu nome um".
Fonte: Barsa.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ADVOGADO

Advogados são profissionais que usam as leis na defesa dos interesses do cliente, que pode ser um cidadão ou uma empresa, como seu representante contra os interesses de terceiros em qualquer instância, juízo ou tribunal. Podem atuar nos vários campos do direito: constitucional, administrativo, tributário, comercial, civil, trabalhista, eleitoral e penal. O bacharel em direito pode trabalhar como advogado em escritórios particulares de advocacia, departamentos jurídicos de empresas públicas e privadas, ou seguir carreira pública, fazendo concurso para ser juiz, delegado de polícia, promotor de justiça, procurador ou defensor público.

 Quais as características necessárias para ser um advogado?
Um bom advogado precisa ter muito gosto por leitura, boa memória, capacidade de reflexão e de associação de idéias, boa argumentação e habilidade em negociação. Dominar o português formal e ser comunicativo é fundamental.
Características desejáveis:

autoconfiança,autocontrole,capacidade de análise, capacidade de convencimento,capacidade de negociação, capacidade de pensar e agir sob pressão, capacidade de síntese,discrição, espírito de investigação,gosto pela pesquisa e pelos estudos,gosto pelo debate,habilidade para mediar conflitos, iniciativa,interesse por temas da atualidade,senso crítico,senso de ética,senso de responsabilidade.
Qual a formação necessária para ser um advogado?
Desse profissional é exigido o curso superior de direito, com duração de quatro ou cinco anos, dependendo da instituição de ensino - além de estágio obrigatório. Cumprindo as duas exigências, obtém-se o diploma de bacharel em direito, mas, no entanto, o exercício da profissão é regulamentado e só é permitido após a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma prova complexa, com um alto índice de reprovação. Para ser bem-sucedido nesta área, são necessários sólidos conhecimentos em filosofia, lógica, política e economia; domínio da língua portuguesa e do vocabulário do direito; domínio da informática, particularmente da internet, adotada em massa pela área jurídica para pesquisar grande parte da legislação brasileira e internacional.

Principais atividades de um advogado
Em qualquer ramo, as principais atividades dos advogados são:
atendem clientes, avaliam seus casos, recomendam os procedimentos necessários em cada caso e prestam assistência durante todo o processo, muitas vezes implicando participação ativa na vida pessoal do indivíduo ou no cotidiano da empresa;
pesquisam o histórico do caso e de outros semelhantes, que formam a chamada jurisprudência;
participam de reuniões de discussão do processo com sócios, assistentes, pesquisadores e pessoal de apoio, para debater os vários caminhos que um processo pode tomar;
encaminham processos à justiça e acompanham seu andamento em todas as instâncias;
promovem investigações ou acompanham as investigações da polícia e apresentam recursos;
preparam defesas e alegações;
participam de audiências e julgamentos, interrogando testemunhas e argumentando com o juiz ou com o corpo de jurados, em se tratando de tribunais de júri;
o advogado pode ainda aprofundar seus estudos legais e transformar-se em jurista, prestando consultoria de alto nível a governos e instituições, ou dedicar-se ao ensino do direito.

Áreas de atuação e especialidades
Advocacia Pública - Representa os interesses da União, Estados e Municípios, zelando pela legalidade de seus atos. Defender cidadãos que não podem arcar com despesas de processo.
Advocacia - Representação de empresas, instituições ou pessoas físicas em ações, processos ou contratos que envolvam clientes, sejam réus, vítimas ou simples interessados.
Direito Administrativo - Aplica normas e legislações específicas que regulam as atividades do poder público, empresas estatais, autarquias e fundações públicas na relação com empresas privadas e com cidadãos.
Direito Civil - Esta é uma área muito ampla que se subdivide em Direito das Coisas (propriedade e posse de bens); Direito de Família (divórcios, testamentos e heranças); e Direito das Obrigações (compra, venda, locação e empréstimos).
Direito Ambiental - Trabalha em ONGs e empresas públicas ou privadas, atuando em questões que envolvam a relação do homem com o meio ambiente, visando a preservação deste.
Direito Comercial - Atua na intermediação das relações jurídicas que se referem ao comércio, participando da abertura, funcionamento e encerramento das empresas.
Direito do Consumidor - Atua no campo das relações jurídicas que envolvam qualquer relação de consumo, visando preservar os direitos dos consumidores em face das empresas que fornecem bens e serviços.
Direito de Propriedade Intelectual - Atua na área de direitos autorais, protegendo os autores da falsificação, plágio e roubo de suas obras.
Direito Penal ou Criminal - Preparação e apresentação de defesa ou acusação em juízo em ações que envolvam crime ou contravenção contra pessoa física ou jurídica. O advogado é responsável pela defesa, podendo atuar como assistente na acusação.
Direito Tributário - Aplicação das normas que regulam a arrecadação de impostos e taxas, obrigações fiscais e tributárias.
Direito Trabalhista ou Previdenciário - Representação de pessoas físicas ou jurídicas em disputas referentes à relação entre empregado e empregador em causas ligadas ao contrato de trabalho, previdência social e ações sindicais.

Mercado de trabalho
Apesar dos altos números, o mercado ainda é promissor para aqueles que adquirem uma excelente formação. Mas, infelizmente, a qualidade média dos cursos é muito baixa - o índice de reprovação na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é muito alta. A conseqüência disso é a falta de bons profissionais em mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Atualmente há ótimas oportunidades no setor privado nas seguintes especializações: direito autoral (advogando para artistas, gravadoras de disco e fabricantes de software no combate à "pirataria"), direito ambiental (assessorando indústrias de atividades poluidoras), direito tributário (trabalhando para empresas na redução da carga de impostos), direito do consumidor e comercial (na área de fusões, aquisições e privatizações de empresas). Para empregos no setor público, todo ano são realizados mais de dez concursos para pessoas formadas em direito - entre os cargos de promotores, defensores públicos, delegados e juizes.
Curiosidades
Desde que o homem passou a viver em sociedade foram criadas normas de comportamento, impondo limites aos indivíduos. Na Ásia e na África foram encontrados registros milenares que estabeleciam regras para uma convivência pacífica, em tribos nômades, portanto a história do Direito acompanha a da sociedade, evoluindo com ela.
O Direito como conhecemos hoje é legado de muitas civilizações, mas a herança mais valiosa para a legislação brasileira foi a romana.
Desde a origem de Roma até a morte de Justiniano, em 565 a C. foi sendo criado um código legislativo que é base da nossa justiça, ou seja, com institutos, práticas e entendimentos doutrinários ainda vigentes.
 Influências também significativas foram as do Império Germânico, da Igreja, de movimentos da Idade Média, da Revolução Industrial, e de muitos outros movimentos, pois a justiça evolui de acordo com a sociedade e inevitavelmente se molda a ela.
Fonte: Brasil Profissões.

domingo, 24 de julho de 2011

CÓDIGO CIVIL

O novo Código Civil já não é tão novo: está em vigor desde janeiro de 2003. Criado pela lei 10.406, de 2002, ele veio substituir o antigo, que regulava a vida das pessoas no Brasil desde 1906. Além de regular os condomínios e diminuir a multa por atraso no pagamento, o novo Código Civil mexe com a sua vida e a de sua família em vários outros aspectos. Você conhece as mudanças que ele promoveu? Confira.
 Conceito de família mais amplo
Pelo novo Código Civil, mãe ou pai solteiros e seus filhos formam uma família, assim como a união estável - quando o casal vive junto mesmo sem casamento.A lei antiga garantia direitos aos companheiros que conviviam por mais de cinco anos. Na legislação atual, bastam dois anos.
Igualdade entre homens e mulheres
Foi eliminado do texto do novo Código o termo "homem", usado como referência, substituído por "ser humano" ou "pessoa". Antes, a mulher que se casava aos 50 anos era obrigada a fazê-lo com separação total de bens, e o homem, só a partir dos 60. Agora, vale para ambos, a partir dos 60 anos.
Continua a ser ilegal viver junto com alguém quando já se é casado com outra pessoa - a lei chama isso de concubinato. Mas a união de pessoas descomprometidas (solteiras, divorciadas, viúvas) passou a ter o mesmo valor do casamento civil. As duas partes do casal têm o comando da família, e o homem pode adotar o sobrenome da mulher.
Virgindade e regime de bens
A maioria das modificações do Código já existia na prática dos tribunais. Mas ele dá mais segurança jurídica aos brasileiros ao impedir decisões como a do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que em 1998 anulou um casamento porque a noiva não era virgem. A opção pelos regimes de comunhão total, parcial ou separação de bens no casamento, uma vez feita, não permitia mudanças. A nova lei garante a condição de alterá-la depois do casamento.
Casar e separar ficou mais fácil
As pessoas podem se casar quantas vezes quiserem. E o prazo mínimo para pedir separação judicial caiu para um ano após o casamento, em vez de dois. O divórcio agora é possível dois anos após a separação de fato (e não cinco) ou um ano depois da judicial. O casamento religioso tem valor de civil se for declarado até 90 dias após sua realização. O casamento civil é gratuito para todos que se declararem pobres. Mas agora, separar corre o risco de sair mais caro. E isso não apenas para o casal: em caso de morte do devedor, a pensão será paga pelos herdeiros. Outra novidade é que o homem poderá requerer pensão alimentícia à ex-mulher.
Pátrio poder e guarda dos filhos
Deixou de existir o pátrio poder, que dava ao homem a liderança da família e a responsabilidade sobre decisões legais.
O direito de fiscalizar e orientar a educação dos filhos agora é do pai e da mãe. Da mesma forma, em caso de separação, a guarda dos filhos não é mais prioridade da mãe: o pai tem os mesmos direitos.
Maioridade civil
A maioridade civil caiu de 21 para 18 anos. Com essa idade, já se é considerado responsável pela lei civil: pode-se abrir conta em banco, assinar contratos, casar, viajar para o exterior. A idade da maioridade civil ficou igual à da capacidade penal. Assim, com 18 anos, é possível ser preso, julgado e responsabilizado por um crime.
A mãe tem o direito, antes reservado ao pai, de emancipar o filho (conceder a ele a maioridade civil). A idade legal para ser emancipado caiu de 18 para 16 anos, idade em que a lei eleitoral já permite votar - mas para tirar carteira de motorista persiste a necessidade de ter mais de 18 anos.
 Fim dos "filhos legítimos"
O novo Código Civil eliminou um símbolo de atraso: agora, todos os filhos são legítimos - adotivos, nascidos dentro ou fora do casamento - e têm direitos iguais.
No regime anterior, adotivos e nascidos "fora do casamento" não tinham direito à herança integral. E a expressão "filho legítimo" deixou de existir.
Além disso, filhos concebidos após a morte do pai, por meio de reprodução artificial ou assistida, têm os mesmos direitos que os outros. Sobre o exame de paternidade (DNA), o Código adotou o que estava em prática nos tribunais: o homem que se recusa a fazê-lo confirma a paternidade.
Herança: mais simples
O testamento pode ser verbal - com a presença de duas testemunhas - ou escrito, sem necessidade de confirmação. Antes, eram exigidas cinco testemunhas, com o documento feito em cartório.
Pelo novo Código, é possível também nomear o companheiro informal como herdeiro por testamento, além de ele passar a ter direitos legais sobre o patrimônio.
Jurema Aprile

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.  (Aristóteles).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A DEMOCRACIA E A ESCOLA

A democracia está dividida em quatro princípios básicos: igualdade, liberdade, direitos e responsabilidade. Somente o respeito a esses princípios irá proporcionar uma democracia plena em uma sociedade.
                A igualdade não deve ser somente jurídica, mas também de condições e oportunidades, isto é, que todo cidadão tenha as mesmas chances de se desenvolver como tal. Da mesma forma a liberdade de se expressar, opinar, criticar e a liberdade de escolha. Os direitos não se limitam somente a participação política como escolher governantes, mas também o de ter acesso à justiça, à educação, à saúde, à informação, etc., ou seja, ter direitos às condições básicas para se ter uma vida digna.
                No contexto escolar, é fundamental primeiramente, desenvolver a consciência nos alunos de que a democracia é uma via de mão dupla. Que a igualdade deve ser conquistada e mantida dentro dos pressupostos éticos; que a liberdade também é limitada e que somos responsáveis pelos nossos atos, que seremos cobrados por nossas decisões e atitudes; e que para se garantir os direitos se faz necessário respeitar e cumprir as obrigações.
                Também desenvolver em nosso aluno que ele é um agente social e que suas decisões, mesmo que sejam individuais, em menor ou maior grau, interferem na vida de outros. Por isso o exercício da cidadania consciente é fundamental para o desenvolvimento mais justo de uma sociedade.
                Dessa forma, não só os conceitos e princípios democráticos devem ser debatidos na escola, mas pratica-los, pois muitas vezes o exemplo prático é mais eficaz que o discurso no processo de aprendizagem de uma cidadania consciente. Por isso, as atitudes e a postura do corpo docente e de funcionários das escolas são importantes para transmitir o exercício da boa cidadania.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A CONCEPÇÃO DE FELICIDADE NA ÉTICA ARISTOTÉLICA

A palavra ethos é de etimologia grega e significa comportamento, ação, atividade. É dela que deriva a palavra ética. A ética é, portanto, o estudo do comportamento, das ações, das escolhas e dos valores humanos. Mas no nosso cotidiano ocorre de percebermos que há uma série de modelos de “éticas” diferentes que postulam modos de vida e de ação, por vezes excludentes. Qual é o melhor tipo de vida (se é que há um)? O que é a felicidade? É melhor ser feliz ou fazer o bem ou o que é certo?
Perguntas como essas são feitas em todas as épocas da história humana. E desde a antiguidade clássica dos gregos, já havia muitos modelos de respostas para elas. Uma delas é a fornecida pelo filósofo Aristóteles, famoso por sua Metafísica. Vamos nos aprofundar um pouquinho mais no que ele tem a nos dizer.
Em seu livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles consagrou a tão famosa ética do meio-termo. Em meio a um período de efervescência cultural, o prazer e o estudo se confrontam para disputar o lugar de melhor meio de vida. No entanto, a sobriedade de nosso filósofo o fez optar por um caminho que condene ambos os extremos, sendo, pois, os causadores dos excessos e dos vícios.
A metrética (medida) que usa o estagirita (Aristóteles era chamado assim por ter nascido em Estagira) procurava o caminho do meio entre vícios e virtudes, a fim de equilibrar a conduta do homem com o seu desenvolvimento material e espiritual. Assim, entendido que a especificidade do homem é a de ser um animal racional, a felicidade só poderia se relacionar com o total desenvolvimento dessa capacidade. A felicidade é o estado de espírito a que aspira o homem e para isso é necessário tanto bens materiais como espirituais.
Aristóteles herda o conceito de virtude ou excelência de seus antecessores, Sócrates e Platão, para os quais um homem deve ser senhor de si, isto é, ter autocontrole (autarquia). Trata-se do modo de pensar que promove o homem como senhor e mestre dos seus desejos e não escravos destes. O homem bom e virtuoso é aquele que alia inteligência e força, que utiliza adequadamente sua riqueza para aperfeiçoar seu intelecto. Não é dado às pessoas simples nem inocentes, tampouco aos bravos, porém tolos. A excelência é obtida através da repetição do comportamento, isto é, do exercício habitual do caráter que se forma desde a infância.
Segundo Aristóteles, as qualidades do caráter podem ser dispostas de modo que identifiquemos os extremos e a justa medida. Por exemplo, entre a covardia e a audácia está a coragem; entre a belicosidade e a bajulação está a amizade; entre a indolência e a ganância está a ambição e etc. É interessante notar a consciência do filósofo ao elaborar a teoria do meio-termo. Conforme ele, aquele que for inconsciente de um dos extremos, sempre acusará o outro de vício. Por exemplo, na política, o liberal é chamado de conservador e radical por aqueles que são radicais e conservadores. Isso porque os extremistas não enxergam o meio-termo.
Portanto, seguindo o famoso lema grego “Nada em excesso”, Aristóteles formula a ética da virtude baseada na busca pela felicidade, mas felicidade humana, feita de bens materiais, riquezas que ajudam o homem a se desenvolver e não se tornar mesquinho, bem como bens espirituais, como a ação (política) e a contemplação (a filosofia e a metafísica).
João Francisco P. Cabral 



domingo, 17 de julho de 2011

COMUNIDADE E SOCIEDADE

Comunidade e sociedade são as uniões de grupos sociais mais comuns dentro da Sociologia. Sabemos que ninguém consegue viver sozinho e que todas as pessoas precisam umas das outras para viver. Essa convivência caracteriza os grupos sociais, e dependendo do tipo de relações estabelecidas entre as pessoas, esses grupos poderão se distinguir. 

A comunidade é a forma de viver junto, de modo íntimo, privado e exclusivo. É a forma de se estabelecer relações de troca, necessárias para o ser humano, de uma maneira mais íntima e marcada por contatos primários. Sociedade é uma grande união de grupos sociais marcada pelas relações de troca, porém de forma não-pessoal, racional e com contatos sociais secundários e impessoais. 

As comunidades geralmente são grupos formados por familiares, amigos e vizinhos que possuem um elevado grau de proximidade uns com os outros. Na sociedade esse contato não existe, prevalecendo os acordos racionais de interesses. Uma diferenciação clara entre comunidade e sociedade é quando uma pessoa negocia a venda de uma casa, por exemplo, com um familiar (comunidade) e com um desconhecido (sociedade). Logicamente, as relações irão ser bastante distintas entre os dois negócios: no negócio com um familiar irá prevalecer as relações emotivas e de exclusividade; enquanto que na negociação com um desconhecido, o que irá valer é o uso da razão. 

Nas comunidades, as normas de convivência e de conduta de seus membros estão interligadas à tradição, religião, consenso e respeito mútuo. Na sociedade, é totalmente diferente. Não há o estabelecimento de relações pessoais e na maioria das vezes, não há tamanha preocupação com o outro indivíduo, fato que marca a comunidade. Por isso, é fundamental haver um aparato de leis e normas para regular a conduta dos indivíduos que vivem em sociedade, tendo no Estado, um forte aparato burocrático, decisor e central nesse sentido. 
MUNDO DA EDUCAÇÃO

sábado, 16 de julho de 2011

A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência. Ghandi.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CRISTIANISMO


Entre as numerosas seitas messiânicas surgidas no mundo judeu no início do primeiro milênio, incluíam-se os discípulos de Jesus de Nazaré, antigos seguidores de João Batista. A comunidade cristã foi aceita no seio do judaísmo até o ano 65, aproximadamente, quando se consumou a inevitável ruptura entre as duas facções religiosas, motivada pela condição de Messias atribuída a Jesus por seus seguidores.
Antecedentes históricos. Por ocasião do aparecimento do cristianismo, toda a região do mar Mediterrâneo estava sob o poder de Roma. A Palestina, desde a divisão entre o reino do norte (Israel) e o do sul (Judá), ocorrida após a morte do rei Salomão, vinha se enfraquecendo política e socialmente, num processo que culminou com a queda de Samaria, capital do reino do norte, em 722 a.C. O reino de Judá permaneceu independente até a conquista babilônica, em 605 a.C. De 586 a 539, os judeus permaneceram em cativeiro na Babilônia, mas ao ascenderem ao poder os persas promoveram a restauração, permitiram a manutenção dos costumes religiosos e culturais dos judeus e autorizaram a volta de muitos deles para Judá. Depois do cativeiro na Babilônia a região de Judá passou a ser chamada de Judéia.
Em 333 a.C., os gregos, com Alexandre o Grande, subjugaram os persas e incluíram a Palestina nos domínios macedônicos. Após a morte de Alexandre, em 323, o vasto império foi dividido entre seus generais e surgiram, após vários anos de luta, quatro grandes reinos ou impérios, dos quais os mais importantes eram o Egito e a Síria. A Palestina, situada entre os dois, servia como passagem estratégica durante as freqüentes campanhas militares. A Judéia, cuja existência social, política e religiosa se concentrava na cidade de Jerusalém, pagava tributos ao Egito e à Síria. No ano 198 a.C., o rei selêucida Antíoco III tomou toda a região, passando a Judéia ao domínio da Síria.
Em 175 a.C., subiu ao trono sírio Antíoco Epífanes, filho de Antíoco III, que se envolveu quase de imediato numa guerra com o Egito, da qual nunca saiu completamente vitorioso, sobretudo pelo apoio que os líderes religiosos judeus, principalmente os escribas, davam aos egípcios. Religião e política estavam unidas na Judéia, onde o sumo sacerdote presidia tanto os sacerdotes no grande templo quanto os anciãos no sinédrio, tribunal que julgava as questões criminais ou administrativas. Resolvido a castigar os judeus, Antíoco avançou sobre Jerusalém, derrubou seus muros e saqueou o templo, levando os vasos sagrados. Para acabar com a religião judaica, um obstáculo à submissão dos judeus, proibiu todas as formas de culto a Iavé e deu início a perseguições. O templo de Jerusalém foi profanado com a construção de um altar pagão sobre o altar dos holocaustos.
Contra essa profanação revoltaram-se os macabeus (ou asmoneus), assim como todos os judeus devotos, que se reuniram nas montanhas para organizar a luta contra os sírios. O movimento se generalizou e a guerra religiosa se transformou rapidamente numa série de triunfos. Jerusalém foi retomada e o templo reconsagrado em dezembro de 165 a.C. Quatro anos mais tarde, no entanto, um poderoso exército sírio derrotou os macabeus, que apenas puderam manter-se, como pequeno grupo rebelde, em Micmash.
Esse grupo aos poucos recuperou a confiança dos judeus e estendeu sua influência e poder, principalmente sob João Hircano, e chegou a dominar quase toda a Palestina, exceto o norte da Galiléia, conquistada mais tarde por Aristóbulo, filho de Hircano. Os saduceus apoiavam os rebeldes, mas os fariseus, ou separatistas, desaprovavam a política de Hircano por causa dos acordos que fez com Roma. Contra a ascensão de Alexandre Janeu, que acumulou os cargos de rei e sumo sacerdote, os fariseus se revoltaram, provocando violenta guerra civil, que durou vários anos, ora com a supremacia destes, ora dos saduceus. A luta somente terminou com a tomada de Jerusalém por Pompeu, em 63 a.C., o que tornou os judeus súditos de Roma.
Pompeu nomeou o edomita (descendente de Esaú) Antípatro procurador da Judéia. Sucedeu-lhe o filho Herodes o Grande (47 a.C.), que, para conquistar a simpatia do povo, reconstruiu com grande esplendor o templo de Jerusalém. Jesus teria nascido durante seu reinado, provavelmente no ano 6 da era cristã. O massacre dos inocentes, em Belém, ocorreu sob Herodes.
O reino de Herodes foi dividido, em testamento, entre três de seus filhos: Arquelau (Judéia e Samaria), Herodes Antipas (Galiléia e Peréia) e Filipe (Ituréia e Traconítides). Arquelau exilou-se no ano 6 de nossa era e seu território passou a ser administrado por procuradores romanos, dos quais o quinto seria Pilatos. Herodes Antipas governou até o ano 39, quando foi destituído e desterrado, e Filipe morreu sem herdeiros em 34. Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande e protegido de Calígula, conseguiu reunificar o reino do avô.
Situação religiosa. Para o súdito romano comum, as fronteiras do império coincidiam com as do mundo civilizado. Não tinha conhecimento das civilizações indiana ou chinesa, admirava as grandes obras e orgulhava-se de seu império. A comunicação era facilitada pelas ótimas estradas e pelos navios. Uma língua comum, o grego, favorecia o intercâmbio cultural e a grande mescla de interesses religiosos, cujas fontes eram o judaísmo, outras religiões orientais, a religiosidade popular e o pensamento grego.
Judaísmo. Apesar da dominação política da Judéia pelos estrangeiros, o judaísmo manteve quase sempre intactas suas instituições religiosas. Um clero altamente organizado e politicamente influente controlava a vida religiosa e, principalmente por intermédio do sinédrio, determinava as posições políticas. Em geral os judeus mantinham a esperança messiânica, mas estavam divididos em facções e em partidos, cujas motivações eram a maior ou menor fidelidade às convicções religiosas do passado ou a atuação meramente política.
Os principais grupos organizados entre os judeus eram o dos saduceus e o dos fariseus. O primeiro, integrado por sacerdotes e aristocratas, exercia grande influência política e econômica e mantinha boas relações com Roma. Embora seguissem estritamente a lei mosaica, os saduceus, fortemente impregnados da cultura helênica, negavam a vida após a morte e o messianismo. Os fariseus, ao contrário, tinham mais preocupações religiosas do que políticas. Sua origem remonta à época dos macabeus, por volta de 130 a.C., e seu nome significa "separados", em vista do esforço que faziam para manter a fé judaica longe de todo contato com o paganismo. Acreditavam na vida eterna e eram ardorosos em sua esperança messiânica. Sua atividade dirigia-se principalmente às massas, nas quais procuravam incutir o espírito de santidade pela divulgação dos ensinamentos religiosos tradicionais.
Havia também pequenos grupos de vida mística, reunidos em comunidades de fé e trabalho, de uma das quais provavelmente se originou João Batista. Um dos mais importantes desses grupos era a comunidade de Qumran, radicada à margem do mar Morto, sem dúvida vinculada aos essênios. Sua existência só veio a ser revelada pelos manuscritos do mar Morto, descobertos em 1948. Tais comunidades consideravam a si mesmas como o remanescente fiel da história judaica. Guardavam a lei, mantinham rituais de purificação periódica, renovavam constantemente sua adesão à aliança com Deus e participavam de uma refeição sagrada de pão e vinho. Acreditavam no estabelecimento próximo de um reino trazido por um novo profeta.
Os essênios, outro grupo de tipo monástico, existiram, segundo o historiador Flávio Josefo, desde o ano 150 a.C. Suas comunidades se distribuíam por várias vilas da Palestina e exerciam grande influência na vida judaica. Apoiavam os fariseus, contra os saduceus, embora diferissem dos primeiros por praticarem o celibato, rejeitarem o sacrifício de animais e negarem a ressurreição do corpo. Aceitavam a imortalidade da alma e o castigo ou recompensa após a morte. Alguns estudiosos afirmam que tanto João Batista quanto Jesus pertenceram à comunidade dos essênios.
Sincretismo e religiosidade popular. Muitos outros cultos e seitas disputavam seguidores dentro do quadro geral de grandes expectativas religiosas. Entre os movimentos de maior êxito estavam os cultos orientais de mistério, de enorme popularidade, favorecidos pela vinda de escravos do Oriente,  adotados até mesmo por soldados romanos de ocupação. Entre esses cultos destacam-se o de Ísis e Serápis, do Egito; Cibele e Átis, da Síria, e Mitras, da Pérsia. Essas religiões, ao lado de outras expressões do próprio judaísmo, favoreceram um notável sincretismo, talvez o maior movimento de amálgama de religiões diversas registrado pela história, que incluiu sínteses de crenças radicalmente opostas. Exemplo disso é a fusão de cultos naturalistas com o deus adorado por Israel (Dioniso Sabázio, da Frígia, e o Kyrios Sabaoth).
Entre o povo se praticava grande número de superstições. Todos os atos da vida, as profissões, as estações do ano e os acontecimentos mais importantes tinham seus deuses, que futuramente apareceriam, transmudados em santos, na história da igreja cristã e em seu calendário. Muitos pregadores se tornaram populares e freqüentemente abusavam das crenças do povo. Também os governadores criaram cultos do estado e para si próprios. O culto da deusa Roma já se encontrava em Esmirna em 195 a.C.; em Pérgamo, no ano 29 a.C., havia um templo dedicado a Roma e a Augusto.
Pensamento grego. A influência predominante entre as camadas mais cultas da população era, contudo, a do pensamento filosófico grego, que teria grande importância na posterior formação da teologia cristã. As "virtudes naturais" ensinadas por Sócrates, a idéia da imortalidade da alma, de Platão, a fagulha divina e o logos de Aristóteles foram algumas das idéias que moldaram o pensamento cristão. Entre o estoicismo e o cristianismo houve mesmo alguns elementos comuns. A noção de uma fonte universal e modeladora de tudo o que existe, uma alma inteligente que se expressava na razão humana -- isto é, o próprio Deus dentro de cada um -- influenciou decisivamente na formação da teologia cristã. Fílon, filósofo judeu de Alexandria, contemporâneo de Jesus, tentou refundir a fé judaica em Deus por meio de conceitos estóicos e platônicos, fornecendo outra fonte para a teologia dos pais da igreja.
Outras influências. A reconstrução do templo, que recuperou um dos símbolos mais importantes da história do povo judeu, ressaltou o contraste com a informalidade e a simplicidade do cristianismo primitivo e foi uma das imagens que Jesus usou para afirmar sua concepção sobre um novo relacionamento com o Deus de Israel. A tradução grega do Antigo Testamento, a dos Setenta, outro estímulo ao pensamento da época, favoreceu a universalização do cristianismo. Os autores do Novo Testamento usaram esse texto para comparar as novas doutrinas às antigas.
Doutrinas. A política de Roma em toda a extensão de seus domínios caracterizou-se pelo respeito aos costumes e às línguas dos diferentes povos conquistados, o que favoreceu a variedade de idéias religiosas, tanto as de caráter popular como as de natureza mais racional. O cristianismo surgiu, portanto, numa época de intensa fermentação religiosa; sua doutrina e teoria sofreram, ao longo de seu período de formação, o impacto dessas várias fontes. As concepções cristãs se resumiam, no início, a um acento original conferido ao cenário religioso da época. As primeiras revelações, manifestadas por João Batista, confirmadas e ilustradas abundantemente por Jesus, se referiam a alguns elementos religiosos conhecidos e a outros cuja originalidade constituiu a força dinâmica da expansão do cristianismo.
À idéia de um Deus único e justo, enfatizada pelos últimos profetas do judaísmo no Antigo Testamento, Jesus acrescentou uma revelação pessoal, que não teve o conteúdo que os judeus esperavam -- um reino político --, mas o do Messias sofredor, que daria a vida pela remissão dos pecados e pela salvação de todos os homens que o aceitassem. À rigidez da revelação definitiva e consumada, motivo de orgulho e  convicção de alguns partidos religiosos e estatuto civil em muitos casos, Jesus opunha a liberdade do poder de Deus. Embora não rejeitasse a Lei e os profetas, quebrou princípios enraizados nas interpretações oficiais.
A negação do mundo, uma vida de recompensas ou de castigos, novos ritos de iniciação (batismo em vez de circuncisão), igualdade entre todos os homens, uma vida moral e justa baseada na soberania de Deus eram os ensinamentos que Jesus transmitia, levando uma vida de pobreza e sacrifício, seguida, conforme os relatos do Novo Testamento, de muitos milagres. A afirmação de Jesus sobre sua própria morte, da qual ressuscitaria, tornou-se uma convicção comum entre seus primeiros discípulos e se incorporou às doutrinas fundamentais estabelecidas pelo apóstolo Paulo.
Ensino de Jesus. A atividade pública de Jesus, segundo o evangelho de Lucas, iniciou-se no 15o ano do reinado de Tibério, correspondente ao ano 28, quando Jesus teria 32 anos de idade. Sua pregação foi antecipada por João Batista, homem de vida ascética, que muitos iam ouvir no deserto, sendo batizados quando confessavam arrependimento e o desejo de vida nova. Jesus não somente fez muitas referências a João, mas foi também por ele batizado. O ensino de Jesus está narrado nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, chamados sinópticos, e também no de João.
Saber se Jesus se considerava o Messias (Khristós, em grego) constitui um problema. Os evangelhos em geral a ele se referem como tal, uma vez que, quando foram escritos (mais ou menos entre os anos 70 e 98), tal crença já estava sedimentada entre os discípulos de Jesus. Não obstante, textos como os de Mc 9:41 e 14:61, nos quais o nome Cristo aparece, são de autenticidade duvidosa, segundo a opinião de exegetas conservadores, que consideram o emprego do vocábulo grego Khristós, sem artigo, próprio da linguagem de Paulo e não dos evangelhos sinópticos.
Assim, Jesus se manifestava como a revelação do Pai, de quem viera e para quem retornaria -- o que constituía uma blasfêmia para os judeus -- e como o Caminho, a Verdade e a Vida. Em seu método de ensino predominavam as parábolas, das quais aproximadamente  35 constam dos evangelhos. Não havia em sua pregação, contudo, o caráter formal de toda teologia elaborada, mas apenas um esquema geral de doutrina. Na primeira fase de seu ministério, Jesus fala sobre o Reino, sua realidade, caráter e significação, mas não o relaciona com sua pessoa. Somente em Cesaréia de Filipe (Mc 8:29) dirige a Pedro uma pergunta que induz o apóstolo a responder que Jesus era o Messias.
Elaboração da teologia. A pregação dos primeiros apóstolos, dirigida aos judeus, ainda não constituía uma cristologia definida, que começaria a ser elaborada mais tarde, com os capítulos iniciais dos Atos e as epístolas de Tiago. Reiterava-se a afirmação de que Jesus era o Senhor e o Cristo, aquele de quem os profetas falaram, que veio para o julgamento e a salvação.
Coube a Paulo, convertido em torno do ano 35, a tarefa principal na expansão do cristianismo além das fronteiras da Palestina e na sistematização de suas doutrinas. As polêmicas de Paulo com os judeus, levantadas pelo número cada vez maior de conversões, foram determinantes na caracterização do cristianismo como religião universal e não como seita judaica.
A questão sobre a permissão para os judeus comerem juntos com gentios e o rito da circuncisão foram elementos preponderantes nesse debate e temas principais do Concílio de Jerusalém, reunido no ano 49. As epístolas de Paulo, dirigidas às comunidades fundadas por ele ou por outros missionários, forneceram as bases para as doutrinas da encarnação, da Trindade, da expiação, do Espírito Santo, da organização da igreja e da mais completa igualdade dos homens, a começar entre judeus e gentios.
O quarto evangelho, atribuído a João, que apareceu entre os anos 95 e 98 (segundo outros, em 110), talvez em Éfeso, deu outra importante contribuição para a sistematização das doutrinas cristãs. Não se sabe ao certo, porém, se a peculiaridade de suas idéias pode ser atribuída ao conhecimento efetivo do ensino e da vida de Jesus ou à influência do pensamento grego ou gnóstico. O uso da palavra grega logos, no prefácio do livro, explica a seleção das narrativas e sua profundidade, já que o autor conhecia o mundo judaico e o grego. O quarto evangelho parece, muitas vezes, uma continuação do pensamento paulino (Paulo esteve demoradamente em Éfeso), sobretudo os textos sobre a preexistência de Cristo e a universalidade de sua mensagem.
Concílios e escolas. O livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por volta do ano 90 sobre fatos ocorridos provavelmente entre os anos 29 e 63, constitui o primeiro esforço de organização do cristianismo. Em At 15 se registra a realização do primeiro concílio, o de Jerusalém, no ano 49. A partir de meados do século II realizaram-se concílios, ou sínodos, com a finalidade de resolver questões relativas às heresias da época. No final desse século, estabeleceu-se em Alexandria, grande centro de cultura do Império Romano, a Escola de Catecúmenos, instituição onde se ensinava a filosofia grega e a doutrina cristã.
A partir de 325, com o Concílio de Nicéia, começaram a celebrar-se concílios maiores, chamados ecumênicos, convocados também com a finalidade de estabelecer a posição da igreja em relação às doutrinas consideradas heréticas.
No século XIX, multiplicaram-se os estudos que examinam a doutrina cristã dentro do contexto das situações históricas e sociais, em oposição às formas monolíticas e estáticas que consideravam as doutrinas como um conjunto de verdades imutáveis.
Expansão. A perseguição à igreja, movida por Saulo de Tarso, antes de sua conversão, quando adotou o nome Paulo, e a morte do primeiro mártir, Estêvão, tiveram como conseqüência a expansão do cristianismo para além das fronteiras da Palestina, quando fugitivos da perseguição alcançaram a Fenícia, Chipre e Antioquia. A conversão de Paulo, que antes perseguia os cristãos, contribuiu enormemente para a divulgação da nova fé.
Depois do final da era apostólica, um período de cerca de quarenta anos permaneceu obscuro na história do cristianismo. Há indicações de que essa época, em que foram escritos os evangelhos e as epístolas, conheceu muitas mudanças e intenso trabalho missionário. Por volta do ano 100, o cristianismo já se havia estabelecido na Macedônia, na Anatólia, na Síria, na Grécia, em Roma e, possivelmente, no Egito. Apesar das diferenças entre as igrejas nas várias localidades onde se firmou o cristianismo, sua organização se deu em meados do século II e foi um dos meios usados pela igreja nascente para combater mais efetivamente as heresias da época.
No final do século II a igreja cristã já se denominava católica (universal), termo usado pela primeira vez por santo Inácio de Antioquia. A primeira tentativa de estabelecer o cânon do Novo Testamento é também desse período. Ao redor do ano 150, a Bíblia grega foi traduzida para o latim, para uso na África. A partir do ano 300, quando o cristianismo já estava presente em todos os pontos do império -- incluindo agora o norte da África, a Itália central, a Gália meridional e a Espanha --, vários oficiais do governo e funcionários imperiais se converteram, levando o cristianismo para as classes mais altas da sociedade e também a membros do exército romano.
No século IV a situação mudou radicalmente,  em especial no Ocidente, primeiro com o afastamento voluntário de Diocleciano, em 305, e depois com um edito de tolerância para com os cristãos, de Galério, "sob a condição de que nada pratiquem que seja contrário à disciplina". Constantino, aclamado imperador no Oriente, partiu para a conquista do Ocidente. Durante o sono, imaginou ter visto as iniciais do nome de Cristo, com a inscrição "in hoc signo vinces" ("com este sinal vencerás"). Ao triunfar na batalha contra Maxêncio, em 312, aderiu ao cristianismo e, em 313, concedeu plena liberdade aos cristãos. Em 323, com a derrota de Licínio, que ainda controlava parte do império, foram abolidas totalmente as perseguições ao cristianismo. Iniciou-se assim uma nova fase de sua história: a união com o poder político, que culminou sob o governo de Teodósio I, em 380, quando foi proclamado religião oficial do estado.
Fonte: Barsa.