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A ÚNICA COISA REALMENTE LIVRE É O PENSAMENTO!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ANTROPOLOGIA DA ARTE

Antropologia da arte é o estudo das características dos objetos e produções consideradas artísticas que o homem produz na sociedade em cada época, levando em conta que a Antropologia pode ser entendida como o estudo do homem, suas atividades, sua cultura em um determinado momento histórico apesar de ter se inciado com o estudo dos povos considerados primitivos e supostamentes pré-historicos pelas teorias evolucionistas da época inspiradas na obra de Morgan (1818 – 1881). Antropologia da arte é uma interface da antropologia com outras disciplinas científicas pois, geral engloba uma série de recursos e temas, físicos (materiais e técnicas), fisiológicos, psicológicos, estéticos, culturais, entre outros.
Para Franz Boas (1858-1942), um dos críticos do evolucionismo, pioneiro das idéias sobre igualdade racial e etnocentrismo. Esse antropólogo conduziu muitos estudos de campo das artes primitivas – título de um dos mais importantes livros sobre esse tema (Primitive Art,1927). Primitivo corresponde a arte estilizada das sociedades sem escrita um fenômeno determinado pela tradição. Segundo Almeida[1] o objetivo de Boas era, justamente, demonstrar a pluralidade de processos históricos e psicológicos abarcados pelo termo. A variabilidade cultural do campo artístico. Destacava a importância do estudo do método histórico ou entendimento fenômeno cultural como resultante de acontecimentos históricos e a identificação da unidade fundamental dos processos mentais em todas as raças e culturas.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

COTIDIANO

DEÍSMO

O Deísmo  expressa uma posição filosófica e também religiosa que aceita a ação divina na criação do mundo, convicção esta conquistada não por revelações de Deus, mas sim pela compreensão racional da Divindade, uma percepção que parte do conhecimento das leis que regem a vida e a Natureza. Esta doutrina nasceu no final do século XVII, na Inglaterra, fruto das teorias elaboradas por Lord Herbert Cherbury, o criador do deísmo britânico. Em princípios do século XVIII estas idéias se disseminaram pela França, onde surgiu a expressão que deu nome a este movimento – o deísmo.
Pensadores franceses desta época defendiam que os adeptos desta filosofia não tiveram a oportunidade de se tornar ateus, enquanto no século XIX outros filósofos do mesmo país afirmavam que os seguidores deste movimento nunca desejaram ser descrentes de Deus. Estes conceitos distintos revelam a polêmica em torno da definição concreta do Deísmo.
Pela lógica deste pensamento, que racionaliza a crença em Deus, não há necessidade de se institucionalizar a religião, ou seja, é dispensável a criação de cultos religiosos formais. Ao contrário do teísmo, que também afirma a existência do Criador, gerador de tudo que há, o Deísmo acredita que a interferência desta Divindade no mundo por ela produzido cessa exatamente neste momento. Ele lhe atribui leis que regerão a vida e seus mecanismos, depois deixa sua criação relegada às normas naturais instituídas por Ele; e, além disso, dispensa seus ritos de devoção.
Mas não há um consenso doutrinário nem mesmo entre os próprios deístas. Eles nem mesmo adotam uma doutrina exclusiva. É certo, porém, que eles substituem o conceito de ‘revelação divina’, os atributos dogmáticos e convencionais das religiões, pelo uso da razão, das experiências científicas, bem como pelo conhecimento das leis naturais. Deus, para os deístas, não é exatamente um ser antropomórfico, a quem são atribuídas as características humanas, tanto as físicas quanto as emocionais. Ele pode ser compreendido como o princípio vital que anima tudo que existe, como a energia geradora da vida, ou ainda como o motor que move o Universo. Esta visão, naturalmente, vai de encontro às crenças das religiões ortodoxas.
Os deístas crêem que, se uma revelação realmente se concretiza, ela deve valer apenas para quem a recepcionou, não como uma verdade absoluta e universal imposta a todos. Isto significa ver as diversas religiões como emanações distintas de uma mesma verdade divina, embora esta não seja soberana e ilimitada. Assim, este movimento é fruto do Humanismo que permeava o movimento renascentista, o qual posicionava o Homem como centro de tudo, em contraposição ao Teocentrismo, que defendia ser Deus o centro do Universo. O foco principal da cultura humana se transporta de Deus para o Homem. Neste contexto do nascimento do Deísmo também ocorria uma expansão da Ciência e, portanto, do racionalismo.
Os deístas acreditavam na possibilidade de se criar uma religião natural, de algo que podia ser compreendido por meio do raciocínio. Eles rejeitavam, assim, qualquer fé em milagres ou em acontecimentos sobrenaturais. O Deísmo também defendia que não se podia conhecer a Deus, mas apenas o que ele tinha criado. Era nas leis elaboradas por Deus que o indivíduo deveria se pautar em sua vida. Mas engana-se quem pensa que grande parte dos deístas realmente achava que Deus não interagia de forma alguma com o universo humano, embora alguns assumissem uma posição totalmente agnóstica, pois defendiam que no seu cotidiano o Homem deve se guiar pela Razão.
O Deísmo se difundiu sempre em contextos nos quais o fanatismo imperava, como na Inglaterra, onde ele se estabeleceu em contraposição à Igreja Anglicana e ao radicalismo puritano. Na França este movimento foi disseminado principalmente por Voltaire, que neste país popularizou os escritos deístas ingleses, somados aqui ao sentimento anticlerical dos chamados enciclopedistas. Alguns filósofos, desta forma, acabaram se tornando ateus. Na Alemanha, Kant, um dos principais pensadores alemães, destacava que a moralidade não poderia ser fruto de uma revelação divina, mas era algo inerente à racionalidade humana.
Embora os deístas creiam na existência de vida em esferas que transcendem a matéria, não se deixam seduzir por dogmas ou mitos, e geralmente apresentam alguma espécie de frustração com as religiões tradicionais.
Ana Lucia Santana


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

EXCLUSÃO DIGITAL

Dado um ambiente social em que não existam disparidades sócio-econômicas, o uso de tecnologias de informação e comunicação parece ser promissor e possuir um potencial fantástico. Mas sabe-se que na realidade de países como o Brasil a exclusão digital  deve ser considerada ao se pensar no uso de novas tecnologias para que estas não venham a perpetuar a exclusão e criar um abismo ainda maior entre os que têm e os que não têm acesso às inovações tecnológicas. No Brasil a inclusão digital ainda não é realidade.
Alguns termos definem a presente situação de exclusão digital, as expressões infoexclusão e apartheid digital, por exemplo, são definidas por alguns pensadores como a exclusão de oportunidades de acesso às novas tecnologias da comunicação e informação. Outros tomaram a idéia de infoexclusão com um significado bem mais amplo e a definem como todo e qualquer tipo de exclusão informacional que uma pessoa ou grupo social possa estar submetido.
A problemática da exclusão digital apresenta-se como um dos grandes desafios deste início de século, com importantes conseqüências nos diversos aspectos da vida humana na contemporaneidade. As desigualdades há muito sentidas entre pobres e ricos entram na era digital e tendem a se expandir com a mesma aceleração novas tecnologias.
Pierre Lévy, filósofo francês, pensador da área de tecnologia e sociedade, afirmou que: “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Com essa afirmação não está atacando a tecnologia, mas quer lembrar que, por exemplo, antes dos telefones não existiam pessoas sem telefone, do mesmo modo que de se inventar a escrita não existiam analfabetos.
Com relação ao uso da mídia como via de acesso para aquisição e concretização da cidadania, percebe-se a existência de algumas iniciativas, no entanto, essas iniciativas ainda são pouco abrangentes quando se considera toda a potencialidade que poderia ser explorada neste sentido.
Vê-se claramente que apenas o acesso às mídias e tecnologias de informação e comunicação não é suficiente para assegurar aos cidadãos a efetivação de seus direitos e o exercício de uma cidadania plena, no entanto, o não acesso agrava ainda mais o quadro de exclusão e desigualdade social.
Na atualidade o mercado de trabalho procura por um novo tipo de trabalhador, que deve ser alguém com capacidade de aprendizagem constante, que se adapte a mudanças com facilidade, que saiba trabalhar em grupo e que domine a linguagem das novas tecnologias de comunicação e informação. Dessa forma, o profissional hoje requerido deve ser alfabetizado não apenas nas letras, mas também do ponto de vista digital.
Gabriela E. Possolli Vesce


JUIZ DE DIREITO

Juízes são agentes do poder judicial, concursados, que tem a responsabilidade de julgar demandas judiciais caracterizadas, na maioria das vezes, por conflito de interesse entre pessoas. É fundamental para esse profissional, durante um processo, velar pela rápida solução do litígio, prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da Justiça e tentar a qualquer tempo, conciliar as partes. A principal função do Juiz de Direito, em síntese, é preservar a dignidade humana, defender as liberdades públicas e buscar a pacificação social através da resolução definitiva de conflitos de interesses entre pessoas e bens da vida, tais como a liberdade, o patrimônio, a honra e outros.
 Cabe a ele decidir a demanda judicial com a finalidade de revelar qual das partes têm razão, ou seja, quem tem o direito, em conformidade com as leis e com os costumes, visando atender ao fim social da legislação e às exigências do bem comum.
Quais as características necessárias para ser um juiz de direito?
É necessário ter gosto por leitura, dedicação aos estudos, boa memória, capacidade de reflexão, argumentação, associação de idéias e vocação humanitária. Escrever Português corretamente e ser comunicativo.
Características desejáveis:
 autoconfiança
autocontrole
boa memória
capacidade de análise
capacidade de comunicação
capacidade de pensar e agir sob pressão
capacidade de síntese
discrição
equilíbrio emocional
sensibilidade
coragem
gosto pela pesquisa
gosto pelo debate
isenção
bom senso
iniciativa
interesse por temas da atualidade
senso crítico
senso de ética
senso de responsabilidade
Qual a formação necessária para ser um juiz de direito?
Para prestar o concurso de ingresso na magistratura para juiz é necessário apenas o diploma de bacharel em direito, não é necessário possuir inscrição na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), uma vez que no exercício da profissão de juiz não é permitido advogar. O concurso exige um sólido conhecimento das matérias jurídicas para realizar as provas escrita e oral, que apresentam um elevado grau de dificuldade. A partir de 2004 passou a ser pré-requisito para concorrer à investidura na função de magistrado (Juiz) um prazo mínimo de atividade jurídica, qual seja, 3 anos. O referido prazo é exigido em todo território nacional, ou seja, para qualquer concurso de ingresso na magistratura, seja no âmbito Federal, seja na esfera Estadual, por expressa determinação da Constituição da República Federativa do Brasil.
Principais atividades de um juiz de direito
Juízes trabalham nos tribunais, sozinhos ou junto com outros juízes em colegiados. Suas principais atividades são:
 examinar os autos dos processos;
proferir despachos indicando as exigências que devem ser cumpridas antes do julgamento;
presidir audiências de tentativa de conciliação, instrução e julgamento;
estudar a jurisprudência existente para poder fundamentar suas decisões;
julgar os processos
proferir decisões quanto ao mérito da causa, denominadas sentença ou acórdão, as quais destinam-se a colocar fim a um conflito de interesses caracterizado por pretensões resistidas.
Áreas de atuação e/ou funções jurisdicionais
A função dos juízes é dividida e escalonada em conformidade com o tema ou a matéria do Direito em questão e os graus de jurisdição, a saber:
 Justiça Comum Federal: é composta por juízes federais e desembargadores do Tribunal Regional Federal;
Justiça Comum Estadual: é composta por juízes estaduais e desembargadores do Tribunal de Justiça;
Justiça do Trabalho: órgão especializado, composto por juízes do trabalho;
Há, ainda, a Justiça Eleitoral composta pelas Juntas Eleitorais e pelo Tribunal Regional Eleitoral; e a Justiça Militar Estadual e Federal.
Temos, também, os órgãos de cúpula do Poder Judiciário os quais representam o último grau de jurisdição, ou seja, decidem causas específicas, pois restritas, e com força definitiva: são os denominados Tribunais Superiores. Estes órgãos de cúpula do Poder Judiciário são compostos por ministros investidos na função, por meio de indicação e nomeação política e estão localizados no Distrito Federal. São eles: Supremo Tribunal Federal (STF); Superior Tribunal de Justiça (STJ); Tribunal Superior Eleitoral; Tribunal Superior do Trabalho; e o Superior Tribunal Militar (STM).
Mercado de trabalho
Para quem está bem qualificado e preparado para os rigorosos concursos da magistratura, esta é uma área do setor público onde há um emprego garantido.
 O Poder Judiciário brasileiro vive uma crise, com processos que se acumulam nos tribunais à espera de julgamento e sentença, em meio a denúncias de corrupção e muita discussão sobre a necessidade de uma reforma urgente. Segundo o Supremo Tribunal Federal há um déficit de magistrados em todo território nacional, sendo que Maranhão e Pará são os estados em pior situação. Um estudo realizado pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro mostra que cada juiz tem, em média, 11 mil ações sob a sua responsabilidade. A carência de juízes é tão grande que há estados que chegam a realizar até três concursos públicos por ano. Apesar do esforço, o problema está longe de ser sanado, já que os exames deixam a mostra outra deficiência: a falta de qualificação profissional. Um exemplo disso foi o concurso realizado em 1999, para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: dos cerca de mil candidatos inscritos, concorrendo a mais de 100 vagas, apenas 17 foram aprovados.
Curiosidades
História da Justiça Federal:
Junto com a República, no Brasil, foi instituída a Justiça Federal e o regime federativo. A partir daí surgiu a possibilidade da implantação de sistemas federais e estaduais harmonicamente coexistentes. Em 1890, o então ministro Campos Salles definiu as bases do sistema judiciário, traçando limites entre o poder federal e o dos estados, sendo essa definição respeitada. Na época do Império, a Justiça ( ou Poder Judicial, como era chamado) era composta somente de juízes de direito e jurados, em 1ª instância; de Relações, em 2ª instância; e do Supremo tribunal de Justiça, na cúpula.
 O decreto n°848 de 1890 regulamentou a, até então inexistente, Justiça Federal e atribui a esse poder, além das características normais, a função de guardião da constitucionalidade das leis e dos direitos individuais. Então, o Poder Judiciário Nacional passou a ser constituído pela Justiça Federal e pelos juízes de direito e Tribunais dos estados.
 A Constituição Federal de 1891 não alterou quase nada a organização do decreto 848/1890, apenas acrescentou às competências do Supremo Tribunal Federal a de julgar e processar os ministros do Estado, nos crimes comuns e de responsabilidade, quando não fossem de competência do Senado.
 Em 1894, a lei n°221 criou o cargo de juiz suplente do substituto do juiz seccional.A Constituição de 1934 estabeleceu que o Poder Judiciário seria composto pela Corte Suprema, pelo juízes e tribunais federais, juízes e tribunais militares e juízes e tribunais eleitorais. Já em 1937, extingui-se pela Constituição do Estado Novo, a Justiça Federal, sendo assim um período de enfraquecimento do Poder Judiciário.A Constituição de 1946 criou somente a 2ª instância da Justiça Federal. Durante o Regime Militar, o ato institucional n°2 recriou a Justiça federal a partir da 1ª instância, que a Constituição de 1967manteve a organização do Poder Judiciário, atribuindo o nome de "Poder Judiciário da União".
 A estrutura do Poder Judiciário pela Constituição de 1988 (atual) passou a ser constituída de: Supremo Tribunal Federal; Supremo Tribunal de Justiça; tribunais regionais federais e juízes federais; tribunais e juízes do trabalho; tribunais e juízes militares; tribunais e juízes eleitorais; tribunais e juízes dos estados e do Distrito federal e territórios.
Fonte: Brasil Profissões.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

COTIDIANO

ESTUDOS CULTURAIS

Os Estudos Culturais são caracterizados especificamente por sua natureza interdisciplinar e por sua transitoriedade, aliás, uma qualidade já implícita no próprio nome desta disciplina – estudos -, que remete a algo em constante transformação. Como ela se destina a questionar interações que se baseiam no poder e na autoridade, é fundamental que ela mesma não se constitua de verdades absolutas e dogmáticas.
 Esta disciplina procura investigar a multiplicidade vigente no interior de cada cultura e nas relações interculturais, ricas e diversificadas. Suas pesquisas revelam também o quanto estes elos entre diferentes culturas estão permeados por vínculos de poder e hierarquização.
Estes estudos destacam igualmente a elaboração de significados culturais e sua disseminação nas sociedades contemporâneas. Relações de dominação e soberania marcam este processo de produção sócio-cultural, características estas amplamente questionadas por este campo de investigação, que assume claramente a defesa dos grupos que não têm acesso aos meios de produção da cultura.
O que diferencia este ramo do conhecimento dos outros mais convencionais é sua opção decisiva pela luta política, o empenho em transformar o status quo. Ele não se importa em parecer parcial, pois esta é justamente sua intenção, a não objetividade. Assim, diferentemente das demais disciplinas, os Estudos Culturais buscam instrumentalizar o saber conquistado em prol de uma nítida intervenção na esfera político-social.
Revestida deste objetivo, a disciplina procura incessantemente converter a reflexão e a crítica em ferramentas indispensáveis na transcendência do universo acadêmico, burocrático e restritivo, e, assim, alcançar os grupos sociais excluídos do conhecimento aí produzido.
Com este propósito, os Estudos Culturais articulam em seu interior diversas disciplinas, como a economia política, a comunicação, a sociologia, a teoria social, a teoria literária, a teoria dos meios de comunicação, o cinema, a antropologia cultural, a filosofia e a investigação das diferentes culturas que emergem dos mais diversos corpos sociais.
Os Estudos Culturais nascem a partir dos estudos realizados por Raymond Williams, crítico de literatura britânico, apontado como um dos criadores desta disciplina, e pelo historiador E. P. Thompson, os quais, ao lado de Richard Hoggart, primeiro diretor do Centro de Birmingham, tecem as primeiras reflexões que irão compor o arcabouço deste campo de pesquisas.
Em Cultura e Sociedade, Raymond revela que a esfera cultural – aqui vista como um ponto de vista antropológico – é decisiva tanto para a compreensão literária quanto para os estudos da sociedade. Tanto este pesquisador quanto Thompson partiram de vivências concretas para a construção desta teoria, pois as raízes dos Estudos Culturais têm origem nas aulas que ambos ministravam para trabalhadores no período da noite.
A partir desta experiência, os dois começaram a refletir sobre a prática pedagógica, visando encontrar um meio de vencer os limites de uma educação dirigida, através da qual é comum que os segmentos sociais dominantes imponham seus valores e princípios às classes desprovidas dos meios de produção. Thompson, particularmente, lança a ideia de uma interação mais flexível entre mestres e alunos, pretendendo, assim, libertar-se do âmbito das relações estabelecidas nas salas de aula.
Atualmente os Estudos Culturais, paradoxalmente, se transformaram em disciplinas acadêmicas, e embora, na teoria, continuem almejando a tão sonhada intervenção sócio-política, a desejada libertação dos limites que restringem a disseminação do conhecimento, parecem encontrar as mesmas dificuldades que os outros campos de conhecimento, ou seja, como romper as barreiras burocráticas da Universidade. Alcançado o novo status, esta disciplina dá mostras, agora, de se distanciar das suas propostas originais.
Ana Lucia Santana


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

COTIDIANO

ANTROPOLOGIA

Antropologia  é a ciência que estuda o homem e as implicações e características de sua evolução física (Antropologia biológica), social (Antropologia Social), ou cultural (Antropologia Cultural).
A palavra Antropologia deriva das palavras gregas antropos (humano, ou homem) + logos (pensamento ou razão).
  Esta é uma ciência tardia que surgiu, ou se constituiu como disciplina científica, em meados do século XIX a partir das descobertas de Darwin e sua teoria evolucionista quando se concentrava na elaboração de teorias sobre a evolução do homem, sua sociedade e cultura. O homem não era mais fruto da criação Divina, então os cientistas começaram a procurar pela sua origem: o chamado “elo perdido”, que ligaria o homem moderno a seus ancestrais hominídeos. Com o tempo os estudos sobre o homem ganhou forma, os cientistas começaram a se interessar pelos grupos humanos primitivos e seus costumes, cultura e características, passando a entender o homem não mais como uma criação de Deus, mas da natureza.
A Antropologia Biológica, ou Física, é tida como uma ciência natural e se ocupa da análise de material colhido em escavações ou sítios arqueológicos, estando por isso profundamente relacionada com a Arqueologia e a Anatomia. Este ramo da Antropologia se ocupa também da observação do comportamento dos macacos e símios e das diferenças aparentes entre os seres humanos (epidérmica, pele, cor dos olhos, estatura, etc.).
Já a Antropologia Social é uma ciência social (tal qual a sociologia e a psicologia) que estuda as características culturais dos povos (“cultura” é tida aqui como a manifestação dos hábitos, rotinas ou costumes de um povo) e a evolução de seus costumes, crenças, religiões, relacionamento familiar, manifestações artísticas, etc. O que acaba englobando áreas como a lingüística, a própria arqueologia e a etnologia.
Os conhecimentos adquiridos por meio da Antropologia (Social, Cultural ou Biológica) podem ser aplicados por governos para facilitar o contato com povos específicos como os indígenas, quilombolas, através da chamada “Antropologia Aplicada”.
Outros termos associados à Antropologia são: Etnologia e Etnografia. Segundo Claude Lévi-Strauss (1908;…) ambas não constituem disciplinas diferentes da antropologia, apenas concepções ou níveis diferentes do mesmo tipo de estudo e, por isso, não deveriam nunca estar dissociadas. Ainda segundo Lévi-Strauss, a Etnografia seria o correspondente aos primeiros estágios da pesquisa, englobando o trabalho de campo e a observação; a Etnologia seria um nível acima, mais aprofundado, onde são feitas conclusões mais extensas que não seriam possíveis no primeiro momento (síntese), constituindo-se, pois, a Etnografia o passo preliminar à Etnologia. E, por fim, a Antropologia, seria o segundo e último passo da síntese, onde são abrangidas as conclusões da Etnografia e Etnologia.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

CRIATIVIDADE HUMANA

Não há cultura humana sem o ser humano, sem as suas relações sociais, sem as suas identidades herdadas e deixadas para gerações vindouras, e tampouco sem o caráter criativo e de registro de suas criações e vivências compartilhadas. A cultura humana está relacionada com um universo de símbolos pertencente a um grupo social ou comum a todos os grupos.
 Todo o pensamento criativo humano é elaborado a partir de pesquisas, trabalhos, sensibilidades do mundo interno e externo, e sobretudo de um grau de experiência numa realidade percebida. A imaginação focada na criação de algo surge de uma necessidade e do interesse por algo substancialmente palpável ou não.
A sensibilidade humana aqui exposta, fica relacionada com o caráter afetivo/emocional do ser. O objeto criado afere um grau de sentimentos que abre a percepção da pessoa para sentidos positivos ou negativos, e que a coloca a memorizar e se identificar com o que está exposto perante a sua observação de realidade.
Uma cadeira, em sua idéia de objeto criado e construído, nos dá a noção de objeto para descanso e acomodação corporal, porém somente a sua constituição e experimentação real nos dirá se é confortável para o nosso corpo descansar. A descrição ou percepção visual de algo se expande mais através de um determinado nível de experiência.
Toda criatividade humana torna-se em elemento cultural; a criatividade pode partir do espírito imaginativo, mas ganha um maior alcance quando estimulada através de pesquisas, experiências e execuções do fato do “criar”. Quanto mais próxima do sentido percebido pelo receptor ou usuário do material criado, maior valor de identificação e estima o mesmo receberá, principalmente se estiver integrado ou interligado com a realidade de um determinado grupo cultural ou momento histórico.
Fernando Rebouças


LUTERANISMO

Embora apresentem ligeiras diferenças entre si, as igrejas luteranas mantêm-se na essência fiéis às diretrizes fixadas pelo agostiniano Martinho Lutero. As igrejas luteranas provêm do movimento de que resultou a igreja reformada pela atividade e doutrina de Lutero. Embora este pretendesse denominá-la Igreja Evangélica, ela foi logo chamada luterana, por analogia a outras confissões oriundas da Reforma e igualmente evangélicas -- calvinismo, anabatismo, anglicanismo. Apesar disso, e da tendência contemporânea à unificação, não existe uma  instituição eclesiástica luterana universalmente reconhecida. Por isso se fala mais apropriadamente em igrejas luteranas.

Princípios fundamentais. A doutrina de Lutero articulou-se em torno de dois elementos fundamentais: a "justificação pela fé" e a autoridade única das escrituras. A primeira foi produto da intuição teológico-religiosa que veio ao encontro das angústias de Lutero sobre sua salvação, ao refletir sobre uma passagem da epístola de São Paulo aos romanos: "O justo viverá da fé" (Rm 1:17).
Nessa intuição teve origem o preceito fundamental do luteranismo sobre a justificação do homem pela fé -- sola fide, somente a fé -- e da ineficácia das obras humanas como instrumento da salvação. Resultados lógicos de tal preceito foram o desenvolvimento da doutrina sobre a corrupção da natureza humana devido ao pecado original e a convicção de que apenas a graça de Deus, manifesta nesse dom da fé, poderia conduzir o homem à salvação. Rejeitava-se, assim, o espírito renascentista que preparara a atmosfera ideológica da Reforma. A controvérsia entre Erasmo, que defendia a liberdade do homem (De libero arbitrio), e Lutero, que a negava (De servo arbitrio), é o exemplo mais significativo.
O segundo elemento fundamental da Reforma luterana foi determinado pela decadência da Igreja Católica no final da Idade Média, com o desprestígio do papado, a administração nepotista, o abuso de contribuições em troca de benefícios e cargos eclesiásticos, o relaxamento dos costumes e a má-formação do clero. A reação adversa que tudo isso suscitava no povo e nos príncipes alemães desaguou no protesto de Lutero. A venda de indulgências foi a centelha que incendiou a contenda entre o agostiniano alemão e o poder de Roma.
Em consonância com sua intuição fundamental, que encontrara novas perspectivas a partir da meditação pessoal sobre um texto da Bíblia, e ante o espetáculo de uma hierarquia eclesiástica decadente, Lutero concebeu seu segundo princípio básico: sola Scriptura (apenas a Sagrada Escritura). Ou seja, a eficácia da graça de Deus -- sola gratia -- realiza-se por meio de sua palavra, acolhida na fé e interpretada com o auxílio do Espírito Santo, sem a mediação da igreja.
Desenvolvimento doutrinário. Os dois princípios fundamentais do luteranismo continham uma grande carga subjetiva, já que se baseavam na experiência pessoal da fé e do Espírito Santo, mas também  serviram de base para um profundo movimento social. Essa dupla condição exigiu que a nova confissão se concentrasse num corpo teológico, numa organização e em atuações práticas, cuja determinação ocorreu de acordo com as circunstâncias históricas dos primeiros momentos do processo.
Nas disputas teológicas com a igreja de Roma, Lutero atacou principalmente a autoridade do papa e as práticas eclesiásticas que instrumentalizavam sua dominação religiosa. Admitiu, no entanto, as tradições dos primeiros concílios ecumênicos, com sua doutrina sobre a trindade e sobre Jesus Cristo. Na estrutura da igreja, admitiu o sacramento do batismo e a presença real de Cristo na eucaristia (entendida de forma diversa da explicação católica romana e de outras igrejas protestantes). Admitiu também a instituição do episcopado, embora com um sentido bastante diferente do católico, já que, de um lado, convidou os príncipes alemães a exercerem as funções episcopais e, de outro, defendeu o sacerdócio de todos os fiéis. Assim, havia uma distinção entre a "igreja visível", submetida ao estado, e a "igreja invisível" dos que estavam unidos pela fé.
Essa complexa evolução, ao mesmo tempo doutrinal e política, não foi nem linear nem homogênea. Lutero defendeu, por exemplo, o direito de rebelião dos príncipes contra o imperador Carlos V, mas condenou a rebeldia dos camponeses contra esses mesmos príncipes. As diferentes concepções em torno da organização da igreja e das questões teológicas, assim como o peso de determinantes geográficos e históricos, fizeram com que, do tronco inicial do luteranismo, se desprendessem paulatinamente ramos como o calvinismo, o anabatismo e o anglicanismo. Por outro lado, a própria concepção que tinha Lutero da instituição eclesiástica também deu margem à criação de diversas igrejas luteranas, geralmente de caráter nacional.
Os princípios doutrinais do luteranismo desenvolvidos ao longo das controvérsias foram expostos em obras de Philipp Melanchthon, como a Augsburger Konfession (1530; Confissão de Augsburg), sobre textos de Lutero; a Apologia, desse mesmo ano; o Kleiner Katechismus (1529; Pequeno catecismo) e o Grosser Katechismus (Grande catecismo), do mesmo ano; em obras do próprio Lutero, como os Schmalkaldensche Artikel (1537; Artigos de Esmalcalda); e a Formula concordiae (1577; Fórmula de concórdia), de Jakob Andreä e Martin Chemnitz.
Além dessa fixação doutrinária, os fiéis luteranos ganharam também, com o correr do tempo, um dos mais ricos acervos hinológicos da história das religiões. Fator indispensável à coesão das comunidades religiosas e à atração de seus ritos, o hino teve grande expansão nos estados alemães. O próprio Lutero foi eminente compositor de hinos, e em torno de um deles, Ein feste Burg (Castelo forte), Bach compôs sua cantata homônima, BWV 80. Na realidade, o gênio de Bach, sobretudo na música vocal, é indissociável da liturgia e dos princípios da igreja luterana de sua terra.
A paz de Augsburg (1555) determinou que cada região do Sacro Império Romano-Germânico conservasse sua religião, e com isso o luteranismo ficou estabelecido no centro e norte da Alemanha e nos países escandinavos. No século XVII, desenvolveu-se dentro do luteranismo alemão um movimento espiritual que foi chamado pietismo por sua difusão mediante os collegia pietatis do pastor Philipp Jakob Spener. Essa renovação religiosa, que reagia contra o dogmatismo e a retórica oficial, revalorizando o fervor e a moralidade, chegou a exercer grande influência sobre o pensamento alemão dos séculos XVIII e XIX. Foi decisiva, por exemplo, na formação ética de Immanuel Kant e suscitou um reavivamento bíblico e missionário.
A partir do fim da primeira guerra mundial, as igrejas luteranas realizaram uma série de convenções. Em 1947, foi fundada a Federação Luterana Mundial, membro do Conselho Ecumênico das Igrejas. Aproximadamente a metade dos luteranos do mundo se concentra no oeste da Alemanha. Também muito ativas são as igrejas escandinavas, bem como as do Canadá e Estados Unidos, que dispõem de missões no mundo inteiro.
No século XX, as diversas igrejas luteranas, em linhas gerais, só diferem na organização. Mantêm o episcopado -- em certos casos, exercido muito moderadamente -- , com caráter temporal e com determinados conselhos ou sínodos que lhe limitam a autoridade. Muitas igrejas luteranas não participam da Federação Luterana Mundial. Todas, porém, se pautam pelos pontos centrais da doutrina tradicional. Nesse sentido, entre as instituições denominadas protestantes, constituem certamente um dos conjuntos de maior homogeneidade, tanto do ponto de vista doutrinário, como administrativo.
Fonte: Enciclopédia Barsa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ESTIGMA E IDENTIDADE SOCIAL

O termo “estigma” já era usado na Grécia Antiga  para designar sinais corporais que desqualificavam o cidadão marcado com tal sinal. Na Grécia antiga, escravos, criminosos e traidores traziam marcas nos corpos como forma de serem discriminados em locais públicos.
Para os primeiros cristãos, a palavra estigma representava distúrbios físicos ou sinais metafóricos de graças divinas. Nos dias atuais o estigma surge para categorizar as pessoas segundo normas dentro de conceitos de normalidades e aceitação padrão.
O estigma social  também surge nas relações de afirmação de identidade e nível social entre os indivíduos de uma sociedade. Na formação de identidade que uma pessoa expressa, inicia de maneira virtual, quando não conhecemos a pessoa e a identificamo-na como esperamos e, depois se completa de forma real, quando conhecemos os atributos que a pessoa possui.
Uma pessoa formada na faculdade e bem empregada possui um estigma social positivo, porém se a mesma estiver mal empregada expressará um estigma negativo. O estigma social resulta da relação de atributos e identidades que uma pessoa possui e os estereótipos sociais cobrados e interpretados no meio em que ela vive.
O estigma social possui três níveis distintos: deformidades corporais; fraqueza de caráter; e abominações de atos. Em muitas situações , os estigmatizados não seriam considerados humanos ou incluídos em sociedade.
Fernando Rebouças.


ESCOLA PÚBLICA

Atualmente, somos personagens de um mundo no qual as transformações nos âmbitos social, cultural, político e econômico se processam com impressionante rapidez e força. A globalização  apresenta-se como uma nova e única regra para a vida; o progresso avança tendo nas tecnologias cada vez mais complexas e primorosas, suas maiores aliadas. Novas formas de comunicação e aproximação entre as pessoas surgem, e as economias tornam-se cada vez mais intrinsecamente ligadas e dependentes umas das outras.
Diante da atual configuração mundial, como agir, qual posição tomar? Acredito que a reflexão sobre os prós e contras das tecnologias, e dos novos espaços que influenciam na formação da subjetividade humana é necessária e importante. Precisamos reavaliar nosso papel enquanto seres ainda humanos e profissionais protagonistas de um mundo pós-moderno. É fundamental pensar, em que medida o avanço tecnológico promove melhorias e facilita a vida, e em que dimensão exclui, segrega, diferencia, torna-se instrumento de subordinação e dominação.
No Brasil, assim como em outros países do chamado terceiro mundo, o analfabetismo é um fator preocupante, a fome e o desemprego um dos maiores desafios a serem vencidos, o trabalho infantil e a miséria, um obstáculo à escolarização mínima. A tecnologia torna-se, diante deste cenário, fator pouco aproveitável uma vez que faltam ainda condições mínimas de sobrevivência à grande maioria da população. Desta forma, quase que naturalmente, as vantagens da tecnologia ficam restrita aos países desenvolvidos que ditam as regras e manipulam a vida de seus subordinados da melhor maneira que os convier. É no mínimo difícil construir algo sem alicerce.
Como tirar proveito das vantagens tecnológicas se, muitos pequenos cidadãos não dispõe ainda de uma base cultural mínima, que por direito lhe deve ser assegurada, acrescentada à suas próprias experiências e à sua cultura primeira, nos termos de Snyders? Como fica o papel da escola e do profissional da educação diante deste mundo novo?
A escola pública é uma conquista que tem suas origens na Revolução Francesa, é um fato histórico de enorme importância, mas isto não a exime de problemas a serem resolvidos e de questões a serem exploradas. Uma das críticas que esta escola enfrenta, diz respeito à atualidade de seus conteúdos. O mundo globalizado trouxe consigo novas exigências, e, portanto, a escola, inserida neste mundo deve preparar o aluno para conhecê-lo e nele atuar; isto significa que a escola deve permitir ao aluno o acesso às tecnologias. Concordo, a escola precisa evoluir enquanto realidade social. Mas é fundamental que ela não esqueça a cultura clássica, aquele legado em cujo bojo se encontra o que há de mais universal e permanente das produções humanas. A escola precisa encontrar entre o novo e a tradição, o seu equilíbrio.
Conforme Álvaro Vieira Pinto, a educação é por natureza contraditória, pois implica simultaneamente conservação e criação. Portanto não há necessidade de se incorrer no erro de criar situações artificiais com as crianças para que o saber se manifeste, conforme os termos de Perrenoud. Acredito que a escola é capaz de trazer para a sala de aula o atual, o novo, o real, mas ao mesmo tempo, de valorizar igualmente aquilo que, por resistir ao tempo tornou-se o saber clássico, ao qual todos devem indistintamente ter acesso. Em outras palavras, e lembrando Forquin, a “oferta cultural escolar” não pode ser independente de uma “demanda cultural social”, mas que não pode estar à mercê desta demanda e nem se regular por ela, seguindo suas exigências e contradições. É justamente por isto que a escola persiste, e por tal equilíbrio e autonomia o professor não perde o seu valor e mestria: pela capacidade que cada escola tem de, ainda de acordo com Forquin, encerrar em si mesmo o mosteiro e a cidadela.
Nós professores somos um dos principais agentes a lutar para que, lembrando o sociólogo Herbert de Souza, a pós-modernidade não produza um mundo menor que a humanidade.

Keity Jeruska Alves dos Santos Zadorosny

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

COTIDIANO

CONSCIÊNCIA

Willian James, psicólogo americano (1842-1910), afirmava que a psicologia é  a ciência da vida mental, abrangendo tanto os seus fenômenos como suas condições. No tocante ao objeto de estudo, as palavras-chave são fenômenos e condições. Em relação aos fenômenos, ele queria dizer que o objeto de estudo da psicologia devia ser buscado na experiência imediata. Já em relação às condições, referia-se à importância do corpo, principalmente do cérebro, na vida mental.
De acordo com James, as subestruturas físicas da consciência  formam uma parte básica da psicologia. A consciência deve ser analisada no seu ambiente natural, que é o físico do ser humano. Essa noção biológica da ação do cérebro sobre a consciência é uma característica exclusiva da abordagem de psicologia de James. Ele rebelava-se contra a artificialidade e a estreiteza da posição de Wundt. Acreditava serem as experiências conscientes simplesmente experiências conscientes e não grupos ou conjuntos de elementos. A descoberta de elementos mínimos da consciência, por meio da análise introspectiva, não demonstrava que eles existiam independentemente de um observador treinado. Os psicólogos realizam leituras da experiência com base na sua posição sistemática e com o seu ponto de vista.
James afirmava que o fato de algumas pessoas treinadas serem capazes de analisar suas experiências conscientes em um laboratório de psicologia, não quer dizer que os elementos por ela relatados estejam presentes na consciência de qualquer outra pessoa exposta à mesma experiência. Dizia, ainda, que as sensações simples não existem na experiência consciente, sendo apenas o resultado de algum processo de inferência ou abstração, onde nossa mente gera uma atenção discriminativa, escolhendo dentro do nosso repertório de vivências, os objetos e relações necessários para elaborar uma sensação.
Ele criou a expressão fluxo de consciência, para explicar a idéia de que a vida mental consiste em uma unidade, em uma experiência total que se modifica. A consciência é um fluxo constante e qualquer tentativa de dividi-la em fases temporariamente distintas pode distorcê-la.
Como a consciência está em constante modificação, não é  possível experimentar o mesmo pensamento ou e mesma sensação mais de uma vez. Pode-se pensar em um objeto ou estímulo em mais de uma ocasião, mas os pensamentos não são idênticos em cada situação. São diferentes devido às experiências intervenientes. Desse modo, a consciência é definida como cumulativa e não recorrente.
A mente é igualmente contínua. Não há interrupção abrupta no fluxo de consciência. É possível notar lapsos de tempo, por exemplo, quando estamos sonolentos, mas quando estamos despertos, não temos dificuldade de estabelecer relações com nosso fluxo de consciência em andamento. A mente é seletiva: como somos capazes de prestar atenção apenas a uma parte do universo de nossas experiências, ela escolhe entre os vários estímulos a que é exposta. A mente filtra experiências, combina e separa outras, seleciona e rejeita outras mais. O principal critério de seleção é a relevância – a mente seleciona os estímulos relevantes de modo que permita que a consciência opere de modo lógico, criando assim uma série de idéias que possam resultar em um conclusão racional.
 James destacou, também, a função ou propósito da consciência. Acreditava que ela desempenhava alguma função biológica, de outro modo não teria sobrevivido ao tempo. A função da consciência e proporcionar a capacidade de adaptação ao ambiente, permitindo-nos escolher. Para desenvolver essa idéia, James fazia distinção entre a escolha e o hábito; acreditava que os hábitos eram involuntários e não conscientes. Quando estamos diante de um novo problema e temos de escolher uma forma de enfrentá-lo, a consciência entre em cena.
James afirmava que é óbvio e palpável que nosso estado mental jamais é exatamente o mesmo. Cada pensamento produzido por meio de um determinado fato é exclusivo e possui apenas certa semelhança com os demais pensamentos provenientes do mesmo fato. O filósofo grego Heráclito (544 a 484 a.C.) já se pronunciava dessa forma em sua célebre frase: “Ninguém consegue entrar duas vezes no mesmo rio”, querendo com isso dizer que, a partir da primeira experiência de entrar no rio, a pessoa já não é a mesma, pois essa experiência trouxe-lhe sensações antes não experimentadas e as águas nas quais se banhou, seguiram adiante e agora são outras as águas que passam por esse rio.
Como a psicologia lida com a consciência pessoal e imediata, a introspecção (voltar a atenção para dentro de si) deve ser o seu método básico. James tinha ciência das dificuldades da introspecção e a aceitava mesmo considerando-a um método imperfeito de observação. No entanto, acreditava na possibilidade de uma verificação mais apurada dos resultados produzidos mediante a comparação das contestações obtidas por diversos observadores.
Como complementação dos métodos introspectivo e experimental, James recomendava o método comparativo. A averiguação do funcionamento psicológico de populações distintas, como de animais, crianças e pessoas não-alfabetizadas ou indivíduos emocionalmente desequilibrados, permitia descobrir variações significativas na vida mental.
James enfatizava a importância do pragmatismo na psicologia, afirmando a validade de uma idéia ou conceito mediante a análise das conseqüências práticas. A expressão do pragmatismo diz que, se funcionar, é verdadeiro.
Geraldo Magela Machado


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ENTRETENIMENTO

Entretenimento é uma forma de recrear ou divertir as pessoas ou um conjunto delas quando elas se encontram desviadas de suas preocupações cotidianas; é o ofício de captar a concentração de grupos ou de indivíduos, com a aplicação das mais variadas ocupações que visam tão somente o prazer, por um período temporal fixo ou impreciso.
 É preciso que fique bem claro que entretenimento e cultura não são a mesma coisa. Entreter é distrair, oferecer atividades com as quais o Homem passe a parte livre de seu tempo, até mesmo na prática de esportes, é conceder distrações e diversões. Aliás, segundo o dicionário Houaiss, divertir alguém é proporcionar-lhe uma mudança de direção na sua rotina, desviar sua atenção para o foco que convém a determinadas categorias políticas.
 Assim, nos bastidores do prazer, há sempre determinados setores lucrando com a diversão, seja econômica ou politicamente. Recentemente, por exemplo, a Octagon Worldwide empreendeu uma pesquisa, a serviço da empresa Mastercard, com o objetivo de avaliar os padrões de consumo do povo brasileiro. Entre os dados averiguados, descobriu-se que 93% dos brasileiros preferem, na esfera do entretenimento, circular pelo universo virtual.
Mesmo assim, os pesquisadores concluem que as empresas do ramo turístico não têm do que reclamar, pois a população brasileira ainda acalenta o velho sonho de viajar, seja de carro pelo território nacional – 70% -, seja de avião pelo país – 81% – ou pelo exterior – 75%. Nesta verificação estatística foram questionados membros das classes A, B e C. A partir desta visão panorâmica, este setor tem como planejar novas campanhas e projetos.
Podem ser listadas algumas modalidades de entretenimento: blogs, chats, cinema, dança, exposições, festas de natureza popular, jogos, leituras – especialmente de best sellers -, ouvir música, passatempos, pesca, rádio, teatro, televisão, entre outras.
Algumas localidades também estão vinculadas à arte de entreter. São elas: acampamentos, piqueniques, cabarés, danceterias, feiras de exposições, museus, apresentações de óperas, parques – temáticos, de diversão e zoológicos -, rodeios, e outros mais.
Também pode ser considerada como entretenimento toda a ‘cultura’ urbana desenvolvida pela juventude contemporânea. Desde a formação de gangues, os famosos ‘rachas’, as ‘baladas’, muitas vezes acalentadas por rodadas de cerveja e outras bebidas, e pelo uso de drogas, das mais leves às mais pesadas. Esta forma de se entreter, naturalmente, é totalmente discutível, negativa e nada sadia. Pode-se até mesmo afirmar que é completamente alienante.
Portanto, há diversões saudáveis, que podem até mesmo envolver um processo de construção do conhecimento, conquistado com boas doses de prazer, e seguidas de perto pela consciência plena dos ardis manipuladores que circulam pelos bastidores da indústria do entretenimento. E há, infelizmente, distrações censuráveis, que muitas vezes conduzem os jovens à própria autodestruição.


GUARDA VIDAS OU SALVA VIDAS

 Guarda-vidas é o profissional apto a realizar medidas preventivas, educacionais, de orientação e de salvamento em ambientes aquáticos, evitando afogamentos e preservando a vida de quem estiver em perigo. Em muitas cidades litorâneas, há guarda-vidas em praias mais freqüentadas e/ou perigosas, para pronto atendimento aos banhistas ou para avisar dos riscos provocados por animais como águas-vivas ou tubarões. Praticamente todos os países litorâneos do mundo possuem algum tipo de operação salva-vidas ou guarda costeira.
 Quais as características necessárias para se tornar um guarda-vidas?
Para ser um guarda-vidas é necessário ter preparo físico de atleta, saber nadar muito bem, ter o conhecimento de técnicas de resgate dentro e fora d'água e primeiro socorros. Além disso, devem conhecer também os riscos do trabalho em que atuam. Outras características interessantes são:
resistência aeróbia, anaeróbia e muscular localizada
 garra
 força física
 boa capacidade pulmonar
 paciência
 determinação
 habilidade com esportes
 capacidade de concentração
 capacidade de trabalhar em equipe
 capacidade de transpor barreiras
 disciplina
 velocidade
 responsabilidade
Qual a formação necessária para ser um guarda-vidas?
Para exercer essa atividade o profissional deve ser maior de 18 anos, gozar de plena saúde física e mental, possuir conclusão de curso de primeiro grau, ou equivalente e em alguns Estados segundo grau completo. O guarda-vidas mantém a resistência aeróbia correndo ou nadando cerca de uma hora ao dia. O treino é complementado com três a quatro sessões de musculação por semana - sempre com trabalho de resistência - e simulações de resgate.
Principais atividades
 treinar constantemente e fazer exercícios como alongamentos e musculação;
 zelar pela segurança de banhistas em piscinas e praias;
 desenvolvimento de trabalhos preventivos e de educação à comunidade, a fim de orientar sobre possíveis riscos de afogamentos e acidentes aquáticos;
 colocar bandeiras em postos que funcionam como indicadoras das condições de banho no dia;
 realizar salvamento em ambientes aquáticos e agir de maneira correta, realizando primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar com oxigenoterapia e salvamento;
 incentivar e apoiar o estudo e pesquisa de trabalhos na área de salvamento aquático;
 estar sempre atento para todo e qualquer movimento estranho e diferente entre os banhistas;
Áreas de atuação e especialidades
Esse profissional pode atuar em três áreas distintas:
 Guarda-vidas de praias: oceanos e praias
Guarda-vidas de rios ou corredeiras: lagos, rios e represas
Guarda-vidas de piscinas: piscinas de clubes, parques aquáticos, navios turísticos
Mercado de trabalho
O mercado de trabalho para este profissional é amplo, mas depende principalmente de sua dedicação. Muitas oportunidades estão surgindo na área de turismo, para trabalharem nos cruzeiros. O mercado ainda oferece vagas para trabalhar em outros países. Nesse caso os profissionais são contratados por empresas terceirizadas.
Curiosidades
Praticamente todos os países litorâneos do mundo possuem algum tipo de operação salva-vidas ou guarda costeira. Muitas dessas organizações foram fundadas no século XX, quando os serviços de emergência do mundo foram oficializados, e atualmente trabalham em parceria com as equipes da polícia, bombeiros e serviços de ambulância para salvar vidas. A Inglaterra foi um dos primeiros países a desenvolver um serviço salva-vidas amplo e organizado no século 19. O Instituto Nacional pela Preservação da Vida contra Naufrágios foi fundado em 1824. Era composto por voluntários, e já salvou mais de 136 mil vidas desde 1824. Hoje, é conhecido como Royal National Lifeboat Institution (RNLI). Os botes salva-vidas dos navios modernos foram projetados para transportar cerca de vinte pessoas e o equivalente a três dias de comida e água, assim como equipamentos básicos de navegação. Padrões de segurança no mar são regidos normalmente por dois códigos internacionais de conduta, em uma tentativa de prevenir um número maior de vítimas caso um navio de passageiros tenha problemas no mar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

COTIDIANO

CATOLICISMO

Desde o Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, a igreja cristã subordinada à autoridade papal passou a denominar-se Católica Apostólica Romana, em oposição às igrejas protestantes constituídas a partir da Reforma. Define-se como una, santa, católica e apostólica e considera seu chefe como legítimo herdeiro da cátedra do apóstolo Pedro, sagrado papa, segundo o Evangelho, pelo próprio Cristo.
O termo catolicismo foi usado por alguns autores (Aristóteles, Zenão, Políbio), antes da era cristã, com o sentido de universalidade. Aplicado à igreja, aparece pela primeira vez por volta do ano 105 da era cristã na carta de Inácio, bispo de Antioquia. Nos textos mais antigos, aplica-se à igreja geral  considerada em relação às igrejas locais. Nos autores do século II da era cristã (Justino, Ireneu, Tertuliano, Cipriano), o termo assume duplo significado: o de universalidade geográfica, pois na opinião desses autores a igreja já havia atingido os confins do mundo; e o de igreja verdadeira, ortodoxa, autêntica, em contraposição às seitas que começavam a surgir.
Cristianismo na Palestina. Na época de Jesus Cristo, quando a Palestina era dominada pelos romanos, a religião oficial do povo judeu pautava-se pela parte da Bíblia conhecida como Antigo Testamento. Embora não pretendendo romper com a tradição religiosa judaica, a mensagem de Cristo dava realce principalmente aos princípios éticos do amor e da fraternidade, contrapondo-se ao formalismo religioso apregoado pelos fariseus e doutores da lei mosaica. Essa mensagem de cunho mais espiritual e menos legalista passou a ser divulgada sobretudo entre as camadas pobres da população, na língua popular, o aramaico, mediante parábolas.
Após a morte de Cristo, seus discípulos passaram a ser chamados cristãos e, reunidos em pequenas comunidades, procuraram manter viva a lembrança de seus ensinamentos, embora participando ainda da tradição religiosa judaica. O evento mais importante desse período foi a primeira assembléia cristã, conhecida como Concílio de Jerusalém, da qual emergiram duas perspectivas pastorais bem definidas. De um lado, sob a liderança do apóstolo Tiago, estavam os que pretendiam dar destaque à raiz judaica da nova fé; do outro, os seguidores de Paulo, que desejavam uma abertura imediata da mensagem cristã para o mundo cultural greco-romano. A decisão conciliar optou por uma abertura prudente, proposta por Pedro, já escolhido por Cristo como chefe de seu primeiro grupo de discípulos. Esse cristianismo judaico teve, porém, vida relativamente breve, em vista da destruição de Jerusalém, ordenada pelo imperador Tito no ano 70. A partir de então, a fé cristã expandiu-se nas províncias da Anatólia e na própria capital do Império Romano.
Cristianismo no mundo helênico. Foi sobretudo graças à atuação de são Paulo, divulgador da mensagem cristã na Anatólia, que o movimento religioso iniciado por Cristo na Palestina estendeu-se para o mundo helênico. A crença de pobres camponeses e pescadores passou a conquistar adeptos entre as famílias pertencentes às classes médias urbanas. O culto cristão foi progressivamente adaptado às formas de expressão mística do Oriente e sua liturgia passou a empregar a língua grega. Fez-se também a tradução da Bíblia para o grego, conhecida como versão dos Setenta, e a atitude ética proposta pelo cristianismo complementou-se com um enfoque conceitual e doutrinário. A elaboração teórica começou com os apologetas, entre os quais destacou-se Orígenes, empenhados em defender a validade da crença cristã diante da cosmovisão grega.
Dois centros de cultura cristã assumiram uma importância excepcional nessa época: Alexandria, no Egito, e Antioquia, na Síria. Em Alexandria predominava a influência platônica e uma interpretação das Escrituras voltada para a alegoria; em Antioquia prevalecia a interpretação histórico-racional, de raiz aristotélica. O período que abrange os séculos IV e V caracterizou-se pela atuação de intelectuais católicos como Atanásio, Basílio, Gregório de Nissa, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo e Cirilo de Alexandria, todos pertencentes ao clero católico. A consolidação dos dogmas cristãos nessa época gerou divergências doutrinais conhecidas como heresias.
O primeiro concílio ecumênico realizou-se em Nicéia em 325, convocado pelo imperador Constantino. Coube a Teodósio I reunir o segundo concílio ecumênico em 381, na cidade de Constantinopla, com a participação apenas dos bispos orientais. O terceiro concílio realizou-se em Éfeso, no ano 431, e proclamou a origem divina da maternidade de Maria. A maior assembléia cristã da antiguidade foi o Concílio de Calcedônia, realizado em 451. Desde o século IV, a igreja grega passou a atuar em colaboração com o poder político e essa aliança com o estado fortaleceu-se após a separação da igreja de Roma. No século IX, com Fócio, patriarca de Constantinopla, as relações entre as duas igrejas se estremeceram, mas a separação definitiva só se deu em 1054. Desde então a igreja romana se refere à igreja grega como cismática, embora esta se definisse como ortodoxa, ou seja, detentora da reta doutrina. Além das divergências sobre formulações teológicas, originadas de perspectivas culturais diversas, teve também grande peso na ruptura a resistência dos cristãos gregos em aceitar a afirmação cada vez maior do poder político-eclesiástico da igreja romana.
Cristianismo no Império Romano. Ao iniciar-se a expansão da fé católica pela Anatólia, toda a região estava sob o domínio do Império Romano. Com a destruição de Jerusalém, inúmeros cristãos, entre os quais o apóstolo Pedro, passaram a viver na periferia de Roma, juntamente com outros judeus. A partir de então, Roma foi a sede de religião cristã; daí as expressões cristianismo romano e igreja romana. As celebrações do culto passaram a realizar-se na língua latina. Também a Bíblia foi, mais tarde, traduzida para o latim, por são Jerônimo, tradução conhecida como Vulgata. Ao contrário dos gregos, marcadamente especulativos, os romanos eram um povo jurídico por excelência. Pouco a pouco, o espírito legalista afirmou-se na formação cristã, com ênfase cada vez maior na organização das estruturas eclesiásticas. De acordo com a nomenclatura romana, os territórios onde desabrochava a fé cristã dividiram-se em dioceses e paróquias, à frente dos quais foram postos bispos e párocos, sob a chefia do papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma.
A presença cristã no Império Romano foi marcada por duas etapas bem diversas. Na primeira, que se estendeu até o final do século III, a religião cristã viu-se desprezada e perseguida. O imperador Nero foi o primeiro perseguidor dos cristãos, acusados de terem provocado o incêndio de Roma no ano 64. Entre os mártires dessa fase, que durou quatro anos, incluem-se são Pedro e são Paulo. Com Domiciano houve nova perseguição, iniciada por volta do ano 92. Os imperadores antoninos do século III não hostilizaram abertamente os cristãos, mas a legislação permitia que fossem denunciados e levados aos tribunais. Houve perseguições sob Décio, Valeriano e Diocleciano, mas a situação começou a modificar-se com a vitória de Constantino sobre Maxêncio. A partir de Constantino, os imperadores passaram a proteger e estimular cada vez mais a fé cristã, até que, na época de Teodósio I, em fins do século IV, o Império Romano tornou-se oficialmente um estado cristão.
De início professado apenas pelos descendentes de judeus que viviam na periferia de Roma, o cristianismo logo difundiu-se, porém, nas camadas pobres da população, especialmente entre os escravos, e pouco a pouco foi atingindo também as famílias da nobreza romana. Com os decretos de liberdade e oficialização, o cristianismo afirmou-se a ponto de tornar-se, para alguns, veículo de promoção social e caminho para a obtenção de cargos públicos. Na medida em que a fé cristã se consolidou como religião marcadamente urbana, a partir de fins do século IV, os demais cultos passaram a ser perseguidos. Por conseguinte, seus seguidores tiveram que se refugiar na zona rural, donde o nome pagão, ou seja, habitante do campo.
Cristianismo medieval. A partir do século V, o Império Romano entrou em decadência até sucumbir às invasões dos povos bárbaros. Quando as populações germânicas ultrapassaram as fronteiras do Império e se estabeleceram no Ocidente, foram os francos os primeiros a abraçar a fé cristã, razão pela qual a França foi chamada, mais tarde, "filha primogênita da igreja". Por força da atividade missionária, outros povos foram, em seguida, aderindo à fé cristã. A partir do século VI, o reino franco foi perdendo o antigo vigor, devido à debilidade dos reis merovíngios, enquanto ocorria a ascensão da casa dos carolíngios. Carlos Magno foi coroado imperador pelo papa Leão II em 800; consolidava-se assim um novo estado cristão, ou seja, a cristandade medieval, fortemente apoiado no sistema feudal. A partir do século XI, essa cristandade foi representada pelo Sacro Império Romano-Germânico e, no século XVI, pelos reinos da Espanha e Portugal.
Enquanto o cristianismo judaico, de caráter rural, assumira características urbanas com a transposição para a cultura greco-romana, a divulgação da fé católica na sociedade medieval provocou o processo inverso, pois os povos anglo-germânicos tinham uma forma de vida marcadamente rural. Não obstante, a hierarquia católica procurou manter valores próprios da civilização romana. Dessa maneira, a língua oficial da igreja continuou sendo o latim, pois os chamados povos bárbaros não tinham ainda expressão literária estruturada. O clero continuou a usar a antiga túnica romana, chamada agora hábito talar dos eclesiásticos. A doutrina religiosa também continuou a ser expressa por categorias filosóficas gregas e a organização eclesiástica se manteve dentro dos padrões jurídicos romanos.
A partir de então, ocorreu de forma bem nítida uma separação entre a religião cristã oficial, sustentada pela hierarquia com apoio do poder político, e o cristianismo popular, marcado por forte influência das culturas anglo-germânicas. Não podendo mais participar do culto por falta de compreensão da língua oficial, o povo passou a desenvolver formas próprias de expressão religiosa marcadamente devocionais. De modo análogo ao que ocorria na vida leiga medieval, com vínculos sociais articulados pelo juramento de fidelidade, mediante o qual os servos se comprometiam à prestação de serviços aos senhores feudais em troca de proteção, também o auxílio celeste passou a ser invocado por promessas que deveriam ser pagas após o recebimento das graças e favores desejados.
A divisão entre religião popular e cristianismo oficial perduraria até os albores do século XVI, não obstante a criação dos tribunais da Inquisição para a manutenção da ortodoxia da fé. Diante da fragilidade da prática religiosa, o Concílio de Latrão IV, celebrado em 1215, decidiu prescrever aos fiéis cristãos a assistência dominical à missa sob pena de pecado, bem como a confissão e a comunhão anual. Daí a origem dos chamados mandamentos da igreja.
Desde o início da Idade Média, sob influência de santo Agostinho, um dos maiores pensadores católicos, houve uma valorização da doutrina da graça divina, mas simultaneamente tomou incremento uma concepção negativa a respeito do corpo e da sexualidade humana. Dentro dessa perspectiva, o Concílio de Elvira, celebrado na Espanha em 305, prescreveu o celibato para os clérigos, medida oficializada posteriormente para toda a igreja. Houve ainda uma grande promoção do monaquismo: a ordem de São Bento, estabelecida em abadias rurais, teve ampla difusão nos primeiros séculos da formação da Europa. A partir do século XIII, as ordens mendicantes, como a fundada por Francisco de Assis, difundiram-se rapidamente.
No século IX, os monges de Cluny, de inspiração beneditina, passaram a dedicar-se à preservação do patrimônio cultural clássico, copiando documentos antigos. No século XIII, a grande contribuição cultural da igreja foi a fundação das primeiras universidades, nas quais se destacaram Tomás de Aquino e Alberto Magno, da ordem dominicana. Não obstante, a visão religiosa de mundo começou a ser questionada a partir do século XV, com as novas descobertas, produto do desenvolvimento científico, cuja origem estava vinculada ao movimento das cruzadas, expedições religiosas que levaram os príncipes cristãos ao estabelecimento de comércio com o Oriente.
Sociedade moderna e Reforma. As mudanças de caráter social, econômico e cultural que ocorreram a partir do século XIV, marcando o fim da Idade Média e o nascimento do mundo moderno ocidental, provocaram uma crise muito forte na instituição eclesiástica e na vivência da fé católica. Diversos grupos passaram a solicitar reformas urgentes e a protestar contra a lentidão e a dificuldade da igreja em adaptar-se aos novos tempos. Dessas divergências resultou a cisão no seio da Igreja Católica e o surgimento das denominações protestantes.
A figura do monge católico Martinho Lutero é exemplar a esse respeito. Diante da emergência progressiva dos idiomas modernos, Lutero apregoava a necessidade de que o culto fosse celebrado em língua vernácula, a fim de diminuir a distância que se interpunha entre o clero e o povo. Desejoso de que os cristãos de sua pátria tivessem acesso às fontes religiosas da fé, traduziu a Bíblia para o alemão. Nessa mesma perspectiva, proclamou a necessidade de adotar para os clérigos os trajes da sociedade em que viviam e contestou a necessidade do celibato eclesiástico. As diversas denominações protestantes surgidas nesse período, como o luteranisno na Alemanha, o calvinismo na Suíça e o anglicanismo na Inglaterra difundiram-se rapidamente em vista de sua maior capacidade de adaptação aos valores da emergente sociedade burguesa.
A profunda vinculação da igreja romana com o poder político, a partir de Constantino, e a progressiva participação da hierarquia eclesiástica na nobreza ao longo da Idade Média fizeram com que os adeptos da fé católica tivessem dificuldades muito grandes para aderir à evolução da sociedade européia. A Igreja Católica reagiu de forma conservadora não só às novas perspectivas culturais, como também às reformas propostas por Lutero. A expressão mais forte dessa reação antiburguesa e antiprotestante foi o Concílio de Trento, realizado em meados do século XVI. Em oposição ao movimento protestante que defendia a adoção da língua vernácula no culto, os padres conciliares decidiram-se pela manutenção do latim. Acentuou-se o poder clerical na estrutura da  igreja e o celibato sacerdotal foi reafirmado. Diante da popularização da leitura bíblica promovida por Lutero, a hierarquia católica recomendou a divulgação de catecismos com resumo das verdades da fé.
A instituição católica reagiu fortemente contra o avanço da mentalidade humanista, insistindo sobre a necessidade de uma prática ascética. A hierarquia eclesiástica persistiu na vinculação com a antiga nobreza rural e encontrou dificuldade para aceitar os novos valores da burguesia urbana em ascensão. A reação antiburguesa assumiu posições radicais na península ibérica, onde os reis católicos, Fernando e Isabel, implantaram a Inquisição contra os judeus com a finalidade específica de quebrar o poder econômico que eles detinham.
O Concílio de Trento trouxe uma significativa revitalização da instituição católica, com o surgimento de novas congregações religiosas, muitas das quais dedicadas a atividades missionárias, educativas e assistenciais. A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, tornou-se o modelo da nova forma de vida religiosa. A arte barroca, por sua vez, tornou-se um instrumento importante de expressão da reforma eclesiástica.
A mentalidade conservadora da Igreja Católica perdurou nos séculos seguintes, o que provocou a hostilidade da nova burguesia liberal contra a Companhia de Jesus, expulsa de vários países na segunda metade do século XVIII. A revolução francesa de 1789 assumiu também um caráter nitidamente anticlerical, tendo em vista a aliança da igreja com o poder monárquico do Antigo Regime. Ao longo do século XX, a igreja continuou combatendo as concepções liberais e encontrando dificuldade para assimilar os progressos da ciência. O Concílio Vaticano I, interrompido com a tomada de Roma em 1870, reforçou as posições autoritárias da igreja ao proclamar o dogma da infalibilidade papal. Desde princípios do século XX, o papa Pio X prescreveu a todos os professores de seminários o juramento antimodernista, exigindo fidelidade às concepções teológico-filosóficas elaboradas no século XIII por Tomás de Aquino, fundamentado na cosmovisão grega aristotélica.
Catolicismo e mundo contemporâneo. Após cerca de 400 anos de reação e resistência contra os avanços do mundo moderno, a Igreja Católica iniciou um processo de maior abertura com o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1968. Entre as conquistas mais expressivas dessa assembléia episcopal, deve-se ressaltar a afirmação de que a fé católica não se vincula diretamente a nenhuma expressão cultural em particular, mas deve adequar-se às diversas culturas dos povos aos quais a mensagem evangélica é transmitida. Dessa forma, a marca da romanidade da igreja deixou de ter a relevância que tivera no passado. Uma das conseqüências práticas dessa orientação foi a introdução das línguas vernáculas no culto, bem como a adoção progressiva do traje civil pelo clero.
O concílio trouxe uma maior tolerância em relação aos progressos científicos; a posterior revogação da condenação de Galileu foi um gesto simbólico dessa nova atitude. As estruturas da igreja modificaram-se parcialmente e abriu-se espaço para maior participação dos leigos, incluindo as mulheres, na vida da instituição. Ao contrário dos concílios anteriores, preocupados em definir verdades de fé e de moral e condenar erros e abusos, o Vaticano II teve como orientação fundamental a procura de um papel mais participativo para a fé católica na sociedade, com atenção para os problemas sociais e econômicos.
Os padres conciliares mostraram sensibilidade para com os problemas da liberdade e dos direitos do homem. A diretiva pastoral, menos devotada às questões dogmáticas da teologia clássica, permitiu maior aproximação entre a igreja romana e as diversas igrejas ortodoxas de tradição grega, como a armênia e a russa, e as denominações protestantes. Por último, os horrores do anti-semitismo nazista ofereceram oportunidade para que a Igreja Católica repensasse sua tradicional posição de distanciamento em relação ao judaísmo.
Doutrina católica
Os quatro primeiros concílios ecumênicos definiram as concepções trinitárias e cristológicas, sintetizadas no símbolo conhecido como Credo, adotado no ritual da missa. O dogma trinitário afirma a crença num só Deus, que se manifesta por meio de uma trindade de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O dogma cristológico admite que Cristo é o Filho de Deus, encarnação do Verbo divino, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O advento de Cristo deu-se por meio da Virgem Maria que, segundo o dogma mariológico, concebeu do Espírito Santo. A finalidade da encarnação de Cristo foi salvar a humanidade do pecado original, que enfraqueceu a natureza humana e acentuou sua tendência para o mal, de acordo com o dogma soteriológico.
A doutrina do pecado original e da graça foi elaborada por santo Agostinho nas primeiras décadas do século V. A partir do século XIII, Tomás de Aquino procurou estabelecer uma ponte entre o saber teológico e a filosofia aristotélica, afirmando que as verdades da fé superam a racionalidade humana mas não estão em contradição com ela. Assim sendo, a filosofia deve estar a serviço da teologia cristã. Tomás de Aquino tornou-se o mestre por excelência da doutrina católica, com a síntese por ele realizada na Suma teológica. No século XVI, o Concílio de Trento definiu dois pontos fundamentais. Em primeiro lugar, a afirmação da doutrina da igreja, considerada como uma sociedade hierárquica, dentro da qual se atribui ao clero o poder de magistério, de ministério do culto e de jurisdição sobre os fiéis. Em segundo lugar, o concílio definiu a doutrina dos sete sacramentos da igreja (batismo, crisma ou confirmação, confissão, eucaristia, extrema-unção, ordem e matrimônio), além de proclamar a presença real de Cristo na eucaristia, no mistério da transubstanciação.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII a teologia católica foi conturbada por polêmicas referentes ao papel da graça e da participação do homem em sua própria salvação, onde se confrontam principalmente os jesuítas e os jansenistas, estes últimos partidários de maior valorização da presença do mistério divino na história humana. Durante o século XIX, foram proclamadas como verdades de fé a Imaculada Conceição de Maria e a infalibilidade pontifícia. O primeiro dogma representou uma resposta da Igreja Católica às novas concepções materialistas e hedonistas resultantes da revolução burguesa, paralelas ao processo acelerado de industrialização; o segundo constituiu uma reação ante o avanço das idéias liberais, com afirmação progressiva dos direitos do homem. O último dogma da Igreja Católica foi proclamado por Pio XII em meados do século XX: a Assunção da Virgem Maria ao céu, com corpo e alma. É necessário ainda ter presente que, desde a Idade Média, com o surgimento do chamado catolicismo popular à margem da igreja oficial, criaram-se também novas versões teológicas mais adequadas à compreensão do povo, cuja influência muito se faz sentir na formação do catolicismo brasileiro.
Organização e estrutura
O catolicismo apresenta duas características que devem ser levadas em conta na análise de suas posições políticas e religiosas. A primeira é a profunda vinculação entre igreja e poder político, iniciada com Constantino no século IV, mantida ao longo de toda a Idade Média e prolongada em diversos estados durante a época moderna, em alguns países até os dias de hoje. Com muita freqüência, portanto, a organização eclesiástica sofreu a influência das alianças com o poder secular. O segundo aspecto a ser considerado é que a igreja transformou-se, desde o início da Idade Média, num verdadeiro estado político, sendo o papa, portanto, não apenas um chefe religioso mas também um chefe de estado, atribuição que conserva até hoje, não obstante o tamanho reduzido do estado pontifício.
Escolhidos por Jesus para pregar o Evangelho, os primeiros apóstolos eram simples pescadores da Galiléia, homens de pouca instrução. A fim de prepará-los para sua missão, Jesus reuniu-os ao redor de si, transmitindo-lhes pessoalmente seus ensinamentos. Também os apóstolos e seus primeiros sucessores instruíram os discípulos por meio de contato pessoal, consagrando essa forma de educação sacerdotal nos primeiros séculos da igreja. Muito contribuiu para a formação do clero a fundação de escolas catequéticas em Alexandria, Antioquia e Cesaréia, desde fins do século II. A eleição dos clérigos estava a cargo dos apóstolos e seus sucessores, os bispos, mas se costumava ouvir também o parecer da comunidade cristã, a quem competia o sustento dos clérigos, dos quais se exigiam virtudes e qualidades morais.
De início, o celibato não era obrigatório para os clérigos que ingressavam casados no estado eclesiástico. Tampouco se fazia distinção entre os termos bispo e presbítero; havia também as diaconisas, devotadas ao cuidado dos enfermos e instrução das mulheres, mas tal ordem eclesiástica desapareceu no século VII. Nos primeiros séculos, a comunidade cristã dependia diretamente dos bispos, como atesta Inácio de Antioquia; somente mais tarde foram criadas as paróquias.
A pujança da vida cristã, no início do século IV, é atestada ainda hoje pelas basílicas romanas: São Pedro, São Paulo, Santa Maria Maggiore, São Lourenço, São João do Latrão, São Sebastião e Santa Cruz de Jerusalém. Construídas sob o patrocínio de Constantino e de sua mãe, Helena, são prova do esplendor de que se revestia então o culto litúrgico. Nos principais centros do Ocidente, como Cartago, Milão e Roma, generalizou-se a praxe da missa cotidiana. Como regra geral, o clero se formava à sombra dos presbitérios e das abadias. Na Itália, sacerdotes de diversas paróquias reuniam em seus presbitérios os aspirantes ao sacerdócio, para instruí-los no serviço divino. Agostinho e Eusébio de Vercelas reuniam na própria casa episcopal os jovens desejosos de seguir a vocação sacerdotal. Também os mosteiros preparavam um clero seleto. O celibato, prescrito inicialmente para o clero da Espanha e depois estendido para toda a igreja do Ocidente pelo papa Sirício, no sínodo romano de 386, foi rejeitado pelos bispos do Oriente, onde vigorou apenas a proibição de núpcias para os que recebiam solteiros as sagradas ordenações.
Com a queda do Império Romano, a igreja passou a ocupar-se da evangelização e conversão dos povos germânicos, o que deu origem a novos modelos de organização eclesiástica. Nos reinos dos visigodos e dos francos, ao lado da eleição feita pelo metropolita e avalizada pelo povo, exigia-se desde o século VI a confirmação real para o episcopado. Tanto a igreja franca como a visigótica assumiram um caráter fortemente nacionalista, acentuando-se sua independência com relação à Santa Sé. Em ambas as cristandades, infiltrou-se o instituto das "igrejas próprias". As igrejas rurais passaram a ser consideradas propriedades particulares dos senhores da terra, que se imiscuíam na eleição de párocos e capelães. Na igreja franca, ao lado de um alto clero político e mundano, surge um clero inferior inculto e desregrado. No reino visigótico, a vida religiosa do clero revitalizou-se no século VII com a convocação de numerosos sínodos. Apesar disso, a prática do celibato foi quase abandonada, a tal ponto que o rei Vitiza julgou-se autorizado a suprimi-la de todo no início do século VIII.
A partir de Pepino o Breve, é notória a ação dos carolíngios em favor da igreja; pode-se mesmo atribuir a essa dinastia o surto reformador do século VIII e seguinte. Carlos Magno e seu filho Luís o Piedoso, em modo particular, deram importância excepcional à reforma da igreja. Durante o reinado do primeiro, instituíram-se muitas paróquias e bispados, a posição dos bispos nas dioceses foi valorizada pelas visitas pastorais e pelos sínodos e o pagamento dos dízimos consolidou a base econômica das igrejas. O imperador ordenou também a fundação de escolas ao lado das catedrais, mosteiros e abadias. Embora vinculado aos interesses expansionistas do reino franco, o incremento da atividade religiosa converteu o reinado de Carlos Magno na primeira experiência de construção da cristandade medieval.
Durante a época feudal dos séculos X e XI, houve acentuada decadência da vida cristã, ocasionada, em primeiro lugar, pelas contínuas incursões dos normandos, húngaros e sarracenos, que traziam devastações, desorganização, miséria e fome para o povo. A conversão em massa da população provocou uma assimilação muito superficial do cristianismo. Além disso, na conversão dos saxões foi utilizada a força armada, gerando-se com isso o ódio e não o amor pela fé cristã. Assim sendo, desagregado o império carolíngio, o povo retornou à vida primitiva e retomou costumes pagãos: práticas supersticiosas e uso de amuletos e sortilégios. O paganismo se manifestava na instituição dos ordálios, ou juízos de Deus, resolvidos por meio de duelos, provas de fogo e de água, nas quais se esperava uma intervenção miraculosa da divindade em favor do inocente. Dominava o espírito de vingança, sensualidade e ebriedade, sendo comuns as violações do vínculo matrimonial.
A decadência da vida cristã manifestava-se também na deficiente prática religiosa e sacramental. Aumentava o culto dos santos, eivados muitas vezes de práticas supersticiosas e de ignorância. Cresceu a veneração indiscriminada das relíquias, que eram da mesma forma comercializadas ou roubadas. Relíquias falsas eram postas com facilidade em circulação: três localidades da Europa se vangloriavam de possuir entre seus tesouros, a cabeça de são João Batista; chegavam a 33 os cravos da Santa Cruz venerados em diversas igrejas; a abadessa Ermentrude de Jouarre falava em relíquias como o fruto da árvore da ciência do bem e do mal e Angilberto enumera, entre as relíquias do mosteiro de São Ricário, a candeia que se acendeu no nascimento de Jesus, o leite de Nossa Senhora e a barba de são Pedro.
Desde meados do século IX até fins do século XI, a observância do celibato entrou em grande decadência e num abandono quase completo. Padres e bispos casados preocupavam-se por vezes mais com sua família do que com o ministério pastoral. Os bens eclesiásticos eram também utilizados para prover parentes, ou transmitidos aos filhos, formando-se uma espécie de dinastia sacerdotal. Outro abuso de vastas proporções era a compra e venda de benefícios e ministérios eclesiásticos. Houve casos de simonia, ou seja, tráfico de coisas sagradas, na aquisição das dioceses da França, Itália e Alemanha. A fim de recuperar o dinheiro gasto com a própria nomeação, os bispos eleitos dessa forma não admitiam clérigos às sagradas ordenações senão mediante alguma compensação pecuniária. Os presbíteros não administravam os sacramentos sem remuneração. No sínodo realizado em Roma em 1049, o papa Leão IX quis depor os sacerdotes ordenados por bispos considerados simoníacos, mas os casos eram tão numerosos que ele não pôde concretizar sua decisão, pois teria privado de cura de almas um número muito grande de igrejas.
Sob a orientação do papa reformador Gregório VII e de seus sucessores, afirmou-se a autoridade legislativa e administrativa da igreja romana nos séculos XII e XIII. Diminuiu a influência dos costumes germânicos, substituídos pelo direito romano, utilizado sob a forma de direito canônico pela instituição eclesiástica. O apelativo "papa", já usado precedentemente pelo bispo de Roma, assumiu significado pleno e exclusivo. Desde o século XI, introduziu-se também o uso da tiara, como símbolo do poder eclesiástico. Fortaleceu-se a doutrina da autoridade normativa da Sé Apostólica para toda a igreja. A partir de então, apenas o papa podia convocar e aprovar os concílios ecumênicos. Organizou-se a Cúria Romana para despacho dos negócios referentes ao papa e ao estado pontifício. Nomearam-se os cardeais, espécie de senadores da igreja, com quem o papa resolvia as questões mais importantes em reuniões denominadas consistórios. Os cardeais passaram a ser enviados mais amiúde às diversas nações como legados pontifícios. Tal instituição chegou ao máximo desenvolvimento sob Inocêncio III, papa que governou na passagem do século XII para o século XIII e sob o qual o poder de Roma afirmou-se de forma enérgica e intransigente.
O fortalecimento do poder romano induziu os papas a se tornarem os incentivadores da libertação da Terra Santa das mãos dos muçulmanos, dirigindo contra eles as cruzadas ou guerras santas. A defesa da ortodoxia católica teve também como resultado a criação do tribunal da Santa Inquisição. Esta apresentava desde o início graves vícios, como a aceitação de denúncias e testemunhos de pessoas cuja identidade era mantida em segredo, a não-admissão de  defensores, o abuso do conceito de heresia, a aplicação da tortura e a pena de morte. Embora as execuções fossem efetuadas pelas autoridades civis, esse particular não diminui a responsabilidade da igreja; no entanto, o juízo sobre a Inquisição deve levar em conta a mentalidade da época, que considerava a fé cristã como o máximo bem, e a apostasia e a heresia como os piores delitos.
A afirmação política da Santa Sé conduziu os papas a diversos conflitos com reis e príncipes. Em conseqüência disso, os papas passaram a residir em Avignon no século XIV, pressionados pelos monarcas franceses. Em contraposição aos pontífices de origem francesa, foram eleitos papas italianos, num cisma que se prolongou até 1449. Em vista dessa situação, os teólogos passaram a questionar a autoridade papal e as doutrinas conciliares ganharam força. A partir de Sisto IV, eleito em 1471, os pontífices passaram a atuar mais como príncipes do que como sacerdotes e se comportavam como dinastas da Itália que, acidentalmente, eram também papas. A atuação mundana dos papas exigia novas práticas e expedientes: negócios financeiros, vendas de ofícios e favores, artes pouco honestas e o nepotismo (favoritismo aos sobrinhos).
O nepotismo marcou fortemente o pontificado de Sisto IV e seu sucessor, Inocêncio III, que tinha como objetivo dominante enriquecer o filho natural, Franceschetto. Sucedeu-lhe, por tráficos de simonia, o cardeal Rodrigo Borgia, que assumiu no pontificado o nome de Alexandre VI, notório por adultérios, perfídias e crueldades.
Nesse período de crise da igreja, Martinho Lutero iniciou o movimento reformador que culminou na separação das chamadas igrejas protestantes. Só então a igreja romana decidiu-se pela convocação de um concílio (o de Trento), já tão desejado pelos cristãos. Como resultado da assembléia conciliar, houve novo fortalecimento da autoridade pontifícia. O papa tornou-se o verdadeiro orientador e promotor da reforma católica, intervindo em todos os assuntos eclesiásticos. Para isso, muito contribuiu a nova organização da Cúria Romana e do colégio dos cardeais, realizada por Sisto V. Em 1586, ele fixou em setenta o número de cardeais, só ultrapassado no século XX, a partir do pontificado de Pio XII. Em 1587, o papa estabeleceu também em 15 o número de congregações romanas na Cúria, como instrumento para implantar a reforma na igreja. Mereceram especial referência a congregação dos bispos, dos religiosos, dos ritos e dos estudos eclesiásticos.
Com as mesmas finalidades de governo, foram estabelecidas de modo definitivo as nunciaturas apostólicas, ou seja, embaixadas papais nas diversas nações católicas. Anteriormente, os representantes do papa junto aos reinos eram designados como legados, muito valorizados pela reforma implantada por Gregório VII. O Concílio de Trento representou, sem dúvida, um evento de excepcional importância da Igreja Católica e suas repercussões se prolongaram pelos séculos seguintes. Ao lado, porém, dos grandes benefícios advindos em termos de fortalecimento da fé e da moral católica, implantou-se na igreja o espírito apologético, do qual a congregação do Santo Ofício, com a censura de obras consideradas nocivas à religião, foi a expressão mais significativa. Esse mecanismo autoritário existe até hoje com o nome de Congregação da Doutrina da Fé. O centralismo romano aumentou o espírito conservador e autoritário da igreja, preocupada na época em defender-se contra o avanço protestante e contra a mentalidade humanista. No século XIX, o poder centralizador da Cúria foi reforçado ainda mais, tornando-se os bispos simples agentes das orientações da Santa Sé.
Não obstante a renovação de idéias que marcou o Concílio Vaticano II, a estrutura da Cúria Romana e a organização do estado pontifício permaneceram quase intactos. Essas instituições serviram de base para o movimento neoconservador posteriormente desencadeado pela Santa Sé, no intuito de frear a modernização da igreja em diversos países, em busca de adaptação ao mundo contemporâneo e às realidades de cada região.
Fonte: Enciclopédia Barsa.